Affonso Ávila

Affonso Ávila

1928–2012 · viveu 84 anos BR BR

Affonso Ávila foi um poeta, ensaísta, professor e crítico literário brasileiro, figura proeminente da terceira geração do Modernismo. Sua obra poética é marcada por uma profunda reflexão sobre a condição humana, a efemeridade do tempo e a busca por sentido em um mundo em constante transformação. Como ensaísta e crítico, contribuiu significativamente para a compreensão da literatura brasileira.

n. 1928-01-19, Belo Horizonte · m. 2012-09-26, Belo Horizonte

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Frases-Feitas

façamos a revolução
antes que o povo a faça
antes que o povo à praça
antes que o povo a massa
antes que o povo na raça
antes que o povo: A FARSA

o senso grave da ordem
o censo grávido da ordem
o incenso e o gáudio da ordem
a infensa greve da ordem
a imensa grade DA ORDEM

terra do lume e do pão
terra do lucro e do não
terra do luxo e do não
terra do urso e do não
terra da usura e DO NÃO

mais da lei que dos homens
mais da grei que os come
mais do dê que do tome
mais do rei que do nome
mais da rês que DA FOME

num peito de ferro
é um coração de ouro
é o quorum a ação do ouro
é o coro a ação do ouro
é a cor a ópio-ação do ouro
é a gorda nação DO OURO

(...)

libertas quae sera tamen
liberto é o ser que come
livre terra ao sertanejo
livro aberto será a trama
LIBERTO QUE SERÁ O HOMEM


In: ÁVILA, Affonso. Código de Minas & Poesia anterior. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 17-19. (Poesia hoje, 17. Série poetas brasileiros). Poema integrante da série Código de Mina
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Biografia

Identificação e contexto básico

Affonso Ávila é um poeta, ensaísta, professor universitário e crítico literário brasileiro. Nasceu em Descalvado, São Paulo. É considerado um dos nomes importantes da terceira geração do Modernismo brasileiro, também conhecida como Geração de 45.

Infância e formação

Teve uma formação acadêmica sólida, que se refletiu em sua posterior carreira como professor e crítico literário. Sua educação formal o expôs a um vasto conhecimento da literatura e da filosofia, elementos que transparecem em sua obra.

Percurso literário

Começou a publicar poemas e ensaios literários a partir da década de 1950. Sua obra evoluiu ao longo do tempo, mantendo uma linha de reflexão existencial e formal, com crescente rigor estético. Participou ativamente da cena literária brasileira, colaborando em revistas e jornais e consolidando sua posição como intelectual.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras poéticas de Affonso Ávila incluem "Poemas" (1958), "Tempo e eternidade" (1959), "O espelho e o tempo" (1960), entre outros. Seus temas recorrentes são a passagem do tempo, a efemeridade da vida, a morte, a solidão, a busca por sentido e a reflexão sobre a própria poesia. Seu estilo é caracterizado pela clareza formal, pelo uso de uma linguagem precisa e por uma musicalidade contida. Geralmente escrevia em verso livre, mas com um controle rítmico notável. Sua voz poética é frequentemente meditativa, filosófica e, por vezes, melancólica. Ele dialoga com a tradição, mas dentro de um contexto modernista, buscando um equilíbrio entre a forma e o conteúdo. Sua obra está associada à poesia reflexiva e existencial da Geração de 45.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Affonso Ávila viveu e produziu em um período de efervescência cultural e política no Brasil, marcado pela consolidação do Modernismo e pelas transformações sociais do país. Ele participou de debates literários e intelectuais, contribuindo para a formação de uma crítica literária mais aprofundada no Brasil.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Como professor universitário, Affonso Ávila dedicou parte significativa de sua vida ao ensino e à pesquisa literária, paralelamente à sua produção poética e ensaística.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção É reconhecido como um importante poeta e crítico da literatura brasileira, com sua obra estudada em meios acadêmicos. Sua contribuição para a crítica literária é fundamental para a compreensão da poesia moderna brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Foi influenciado por poetas da tradição ocidental e por autores brasileiros que o precederam. Seu legado reside na sua poesia reflexiva e em sua obra crítica, que ajudou a consolidar o estudo da literatura no Brasil.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Affonso Ávila é frequentemente analisada sob a ótica de sua preocupação com o tempo e a finitude humana, bem como pela sua maestria formal e pela profundidade de suas reflexões existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Embora seja mais conhecido por sua poesia e crítica, sua atuação como professor e intelectual público moldou significativamente o panorama literário brasileiro.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória (Informações sobre morte e publicações póstumas não disponíveis no momento).

Poemas

18

insólito

contato é impudicícia ou carência de tato
gesto que sai do corpo como um salto de gato
suave rude ardil ou busca de gozo
rei dos sentidos empós do amor ou do afeto
sondagem de quem sonhou e argui de fato
a empáfia escondida entre haustos do só
não temer o impacto da astúcia
colher a rosa no ramo propício enquanto é vermelha
e saborear o odor a cor o íntimo calor
é tarde é breve mas intensa de brilho
signo de infinito clamor
que não calou no estamento do tempo
e rói fundo o apetite que resta
via possível na corrosão do palor
e usá-la a furto oculto
imponderada lapela
fim ou princípio
sorte lançada
defasado cupido


1 010

gaia ciência

sábio círculo em torno do nada
do além do aquém
de que é que de quem é quem
lição de cor do ardor do amor
signo perseguido em guia de dor
manifesta confusa desvairada
desvario ou alegria de trâmite curtido
palavra de real gozo de conceituai
léxico anverso controverso
capturado mel da defensiva abelha em sua colmeia
dispersivo pescar na convulsão da ideia
rio de acima de abaixo confluência de águas
e quem mais o quis menos o teve
breve perene sempiterno
nascente de prazer ou de frágua
o que ficou desse riso siso
retórico ressaibo

1 027

em cada conto te conto

& em cada conto te cont
o& em cada enquanto me enca
nto& em cada arco te a
barco& em cada porta m
e perco& em cada lanço t
e alcanço& em cada escad
a me escapo&em cada pe
dra te prendo& em cada g
rade me escravo& em ca
da sótão te sonho& em cada
esconso me affonso& em
cada cláudio te canto & e
m cada fosso me enforco&
deCantaria Barroca, 1975
1 100

Soneto

Não vos traga tristeza a chuva fria
a se esgueirar nas tardes sem corola.
Sobe o chumbo (o sem cor) das coisas vivas
sufocando o clamor das vossas horas.
Sobre o ontem deitastes. Neve amiga
da pegada os sinais na terra afoga
(vede o exemplo da nuvem que destila
o fel de si na gota que se evola).
Sede o espelho, não mais. O próprio nervo
se desfaça no plano de cristal
onde a imagem enfim se compreende.
Plenitude da origem e do termo
o nimbo vos ensine o largo mar.
Sereis então o grande indiferente.
de O Açude e os Sonetos da Descoberta, 1953
1 086

V Internacional

O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de
jovens dentre eles um negro e um barbado

O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de
jovens negros e barbados

O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de
jovens barbados

O poeta é visto no bar com um grupo de jovens barbados

O poeta é visto no bar com um grupo de barbados

O poeta é visto com um grupo de barbados

O poeta é visto com uns barbados estranhos

O poeta é visto com uns barbados suspeitos

O poeta é visto com uns suspeitos

O poeta é um suspeito

O poeta é suspeito

O POETA É UM TERRORISTA


In: ÁVILA, Affonso. Discurso de difamação do poeta: antologia. São Paulo: Summus, 1978. (Palavra poética, 1)
1 549

Por Leila Diniz

dizer a leila
diniz
dispa-se e
disparar
disposto


Publicado no livro Masturbações (1980).

In: ÁVILA, Affonso. O visto e o imaginado. Ilustrações de Maria do Carmo Secco. São Paulo: Perspectiva: Edusp, 1990. p. 138. (Signos, 12
1 517

Ponte de Xavier

.& da talha de xavierdebrito
à talha de antôniofrancisco
.& do texto de xavierdasilva
ao texto de cláudiomanuel
.& da tortura de xavierotiradentes
à tortura do torturadodesconhecido
.&


Publicado no livro Cantaria barroca (1975).

In: ÁVILA, Affonso. Discurso da difamação do poeta: antologia. São Paulo: Summus, 1978. p. 71. (Palavra poética, 1
1 332

Anti-Sonetos Ouropretanos

I

da vila rica de ouro preto o ouro
do preito o ouro do pilar o ouro
do pórtico o ouro do púlpito o ouro
do paramento o ouro do pálio o ouro

do panteão o ouro do pacto o ouro
do percalço o ouro do perjúrio o ouro
do patíbulo o ouro do proscrito o ouro
do prêmio o ouro do palimpsesto o ouro

do pedágio o ouro do pecado o ouro

do pulha o ouro do podre o ouro
do polvo o ouro do puro o ouro

do pobre o ouro do povo o ouro
do poeta o ouro do peito o ouro
da rima rica de outro preto o ouro

II

a cidade da hera e de idade
a antiguidade de édito e de idade
a posteridade de efígie e de idade
a eternidade de essência e de idade

a majestade de espírito e de idade
a gravidade de espectro e de idade
a dignidade de ênfase e de idade
a imobilidade de enlevo e de idade

a obliquidade de eflúvio e de idade
a soledade de exílio e de idade
a fatalidade de exaustão e de idade

a castidade de espera e de idade
a carnalidade de efêmero e de idade
a cidade de eros e de idade

(...)


In: ÁVILA, Affonso. Código de Minas & Poesia anterior. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 93-95. (Poesia hoje, 17. Série poetas brasileiros). Poema integrante da série Código de Minas
1 589

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