Antero Coelho Neto

Antero Coelho Neto

1931–2016 · viveu 84 anos BR BR

Antero Coelho Neto foi um poeta, ensaísta e professor angolano, cuja obra se destaca pela profunda conexão com as realidades sociais, políticas e culturais de Angola. A sua poesia é um reflexo da sua terra natal, abordando temas como a identidade, a história, a luta pela liberdade e a esperança num futuro melhor. Como intelectual engajado, Coelho Neto dedicou-se à reflexão sobre a condição africana e à valorização da cultura e da língua angolana. A sua escrita é marcada por uma forte carga lírica e um compromisso com a dignidade humana.

n. 1931-06-11, Fortaleza · m. 2016-01-18, Fortaleza

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Nosso Amor Comum

Nossos momentos?
Ah! Foram tantos!
O tempo? longo...
e o amor demais.
Embora distantes
ficamos os dois
ligado pelos sonhos.

Quando estivemos juntos
nenhuma dor ou pranto
sempre um frenesi
ora de ardor
ora de afago
ora de orgasmo
ora de tudo
ora de nada
na maior alegria.

Nós dois somente
e ninguém mais,
como na velha canção
tão lugar comum.
Mas nós somos comuns
e comum é o nosso amor.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Antero Coelho Neto é um poeta, ensaísta e professor angolano. Nasceu em Angola e a sua nacionalidade é angolana, escrevendo em português. O contexto histórico em que viveu é o de um país que passou por processos de colonização, luta pela independência e os desafios da construção nacional. A sua origem familiar e social provavelmente inserem-se no contexto da sociedade angolana, com as suas particularidades culturais e históricas.

Infância e formação

Detalhes sobre a infância e formação específica de Antero Coelho Neto são menos divulgados. No entanto, é de supor que a sua educação formal em Angola e, possivelmente, no exterior, tenha sido fundamental para o seu desenvolvimento intelectual e literário. As influências iniciais na sua juventude teriam certamente envolvido a cultura angolana, as suas tradições orais e a literatura portuguesa e africana.

Percurso literário

O percurso literário de Antero Coelho Neto está intrinsecamente ligado à sua vivência em Angola e à sua identidade cultural. A sua escrita reflete um profundo envolvimento com as questões sociais e políticas do seu país. Ao longo do tempo, a sua obra consolidou-se como uma voz importante na poesia angolana contemporânea. Colaborou em diversas publicações, divulgando a sua poesia e o seu pensamento.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Antero Coelho Neto é marcada pela exploração de temas como a identidade angolana, a memória histórica, a luta pela liberdade e a esperança. O seu estilo poético é frequentemente lírico e reflexivo, com uma linguagem que procura captar a essência da realidade angolana. A voz poética é engajada, por vezes crítica, mas sempre com um sentido de humanidade e de busca por um futuro mais justo. A sua poesia dialoga com a tradição literária, mas procura também uma expressão autenticamente africana e angolana, alinhando-se com os princípios do nacionalismo cultural.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Antero Coelho Neto viveu e produziu a sua obra num contexto de profundas transformações em Angola. A sua poesia reflete as aspirações e os desafios do povo angolano, dialogando com os acontecimentos históricos e a realidade social do país. É uma figura relevante no panorama cultural angolano, contribuindo para a reflexão sobre a identidade e o futuro de África.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Antero Coelho Neto são menos acessíveis ao público em geral. No entanto, o seu papel como professor e intelectual sugere um forte compromisso com a educação e a divulgação cultural em Angola.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Antero Coelho Neto é reconhecido como um poeta importante na literatura angolana. A sua obra tem sido valorizada pela sua relevância temática e pela sua qualidade literária, contribuindo para a consolidação da identidade cultural angolana na esfera literária.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Antero Coelho Neto tenha sido influenciado por poetas angolanos e africanos, bem como pela literatura de língua portuguesa. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia angolana, oferecendo uma perspetiva autêntica e profunda sobre a realidade e as aspirações do seu povo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Antero Coelho Neto oferece um campo para a análise da identidade nacional, da memória histórica e das questões sociais em Angola. A sua poesia pode ser interpretada como um testemunho da resiliência e da busca por autodeterminação do povo angolano.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da sua personalidade ou hábitos de escrita não são amplamente divulgados, mas a sua obra demonstra um profundo conhecimento e amor pela sua terra natal.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte e a memória de Antero Coelho Neto não são imediatamente disponíveis, mas a sua obra perdura como um testemunho da sua contribuição para a literatura e a cultura angolana.

Poemas

10

Nosso Amor Comum

Nossos momentos?
Ah! Foram tantos!
O tempo? longo...
e o amor demais.
Embora distantes
ficamos os dois
ligado pelos sonhos.

Quando estivemos juntos
nenhuma dor ou pranto
sempre um frenesi
ora de ardor
ora de afago
ora de orgasmo
ora de tudo
ora de nada
na maior alegria.

Nós dois somente
e ninguém mais,
como na velha canção
tão lugar comum.
Mas nós somos comuns
e comum é o nosso amor.

1 346

A Fantasia da Natureza

Natureza alegre
do despertar repetido
que se eterniza plena
no horizonte colorido.

Ora a chuva cai
molhando terra e corpos.

Ora o pássaro azul
voa em canto e vai
dizendo que existe Deus.

Ora o céu é seco
e os animais sedentos
vagam loucos pelos campos
rachados, ardentes e mortos
parecendo não existir Deus.

1 209

Estou Velho

Eu procuro as palavras certas
dos meus versos e elas faltam...
Não consigo juntá-las
na idéia clara do que pretendo...
A fantasia é solta
e não consigo revê-la...
Ela vai e não volta mais
enquanto o tempo rápido passa...
E fico eternamente velho
trocando palavras e sonhos
que não tem mais qualquer sentido
que não tem mais nenhum valor...

1 340

Eu Aprendi a Dizer Sim

Eu aprendi a dizer sim quando via natureza
molhada na manhã alegre do primeiro dia novo.

Eu aprendi a dizer não quando reconheci a fome
no homem indefeso e não achei nenhuma razão.

Eu aprendi a dizer sim quando o dia amanheceu
e fiquei deslumbrado com a esperança renovada.

Eu aprendi a dizer não quando quiseram que traísse
os princípios fundamentais da humanidade em luta.

Eu aprendi a dizer sim quando fui à escola
de minha infância e corri, gritei e... aprendi.

E então o sim e o não passaram a ser inexoráveis
durante todo o resto da vida, depois que aprendi.

1 395

Solidão, Meu Vício

Solidão, querida amiga!
Te amo e te desejo,
assim no teu silêncio
e na tua tranqüilidade.

Minha querida Solidão
tu me consolas tanto
e me convidas sempre
para ficar sozinho
nesta gostosa tristeza.

Momento sem dor,
sem dano ou agressão.

Momento do só eu
e de meus pensamentos.

Momento meu só
e de ninguém mais.

Momento que me seduz
e que me encanta.
Onde eu encontro
as palavras do poema,
em que canto à vida
e choro o mundo.

Onde eu grito
as coisas que quero,
da minha maneira,
sem qualquer explicação.

Silêncio do nada dizer,
já que não quero responder
o que ninguém me pergunta.

Sozinho na solidão eu fico
sonhando acordado,
vivendo os meus sonhos
que eu quero viver.

E na solidão e no silêncio,
tenho o meu orgasmo
íntimo e particular
do meu espírito em vôo.

Solidão, meu vício.
Solidão minha vida.
eu te amo e te quero
sempre ao meu lado.

1 352

Agora Tenho que Partir

Agora tenho de partir
para longe e sempre
sem nunca mais voltar.

Eu devo novamente fugir
como tantas vezes durante a vida
indo embora sem chorar
depois de outra luta perdida.

Parto mas hoje eu sei
que jamais voltarei
aqui ou a qualquer lugar.

1 250

Palavras a um Amigo Triste

Meu querido amigo triste,
eu nunca encontrei as palavras.
Digo, as palavras certas e verdadeiras,
porque as outras são ditas fáceis
e logo, sempre esquecidas.
Eu falo daquelas palavras amigas,
justamente significativas para o pranto
da dor maior quando sofrida.
Essas eu acho que não existem,
pois jamais puderam dizer-me.

1 373

A Criança do meu Passado

A criança chorou longe,
enquanto o tempo de hoje
se fez presente em mim.

Assim o fato de agora
perturba o homem em si
e a criança chora longe.

Sinto o choro distante,
cada vez mais, na imagem
do passado que lembro.

São soluços e são gritos
de fome, raiva e desespero
que hoje ainda persistem.
São diferentes os sentimentos,
mas continuam os mesmos
soluços e gritos da alma.
A criança de ontem
perde-se muito na lembrança,
mas é a mesma que chora agora

1 482

De Novo A Vida

Depois de um sopro,
de novo a vida.

Depois da grande inércia,
novamente o fluxo.

Depois dos tempos de nada,
novamente a emoção.

Depois da grande ausência,
a enorme alegria do movimento.

Depois de um enorme vácuo,
eis que sou alguém outra vez.

De repente,
o pulsar do sangue,
novamente,
rápido,
o coração a bater,
o sangue a correr.

Vivo de novo,
eu conheci você!

1 133

O Início?

Há uma coisa longe,
bem longe, atrás do horizonte
que vem não sei de onde.
Parece luz parece raio.
Lembra tudo e não lembra nada.
Agora é verde, logo amarelo.
Ou é vermelho?
Súbito torna-se opaca.
Volatiliza-se e fica sombra.
Será nossa Origem, nosso Começo?

Há uma coisa longe,
bem longe, não seio que seja.
Parece luz, mas não é.
É muito mais... talvez o Início...
Eu só sei que é longe,
muito longe, muito longe mesmo.
Parece luz, parece raio,
mas não é...

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Comentários (2)

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Júlia Monique
Júlia Monique

Eu te admiro muito como poeta brasileiro ????

Júlia Monique
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Eu te admiro muito como poeta brasileiro ????