Armando Artur

Armando Artur

n. 1962 MZ MZ

Armando Artur (nome completo: Armando Artur João) iniciou a sua carreira literária em 1980, integrando a “Geração Charrua”, grupo de escritores associado à revista literária Charrua.

n. 1962-12-28, Alto Molócuè

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Arte de viver

Habito no halo
dos meus versos
onde incansavelmente
rimo palavras sem rima
e seco lágrimas sem pranto

é a arte de viver...

como lacrar a vida e o amor
sem cantar?
como vencer o tédio e o temor
sem bailar?
eis a razão
porque sonho sem sono
porque voo sem asas
porque vivo sem vida

no avesso dos versos escondo
o tesouro da minha contrariedade
o mistério da minha enfermidade
e o feitiço da minha eternidade
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Biografia
Armando Artur (nome completo: Armando Artur João) nasceu a 28 de dezembro de 1962, na província da Zambézia, em Moçambique. Iniciou a sua carreira literária em 1980, integrando a “Geração Charrua”, grupo de escritores associado à revista literária Charrua. Os poetas da Geração Charrua desenvolveram uma poesia marcada por uma forte dimensão existencial. As suas obras, repletas de identidades fragmentadas e dilaceradas, refletiam a Guerra Civil que marcou a vida em Moçambique após a declaração da independência, em 1975. Armando Artur é membro de várias associações de escritores africanos. Para além dos seus próprios livros, os seus poemas foram publicados em diversas antologias, manuais escolares, revistas literárias e jornais, bem como traduzidos para outras línguas. Em 2002, recebeu o Prémio Rui de Noronha – FUNDAC e, em 2004, foi distinguido com o Prémio Nacional de Literatura José Craveirinha.

Poemas

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Arte de viver

Habito no halo
dos meus versos
onde incansavelmente
rimo palavras sem rima
e seco lágrimas sem pranto

é a arte de viver...

como lacrar a vida e o amor
sem cantar?
como vencer o tédio e o temor
sem bailar?
eis a razão
porque sonho sem sono
porque voo sem asas
porque vivo sem vida

no avesso dos versos escondo
o tesouro da minha contrariedade
o mistério da minha enfermidade
e o feitiço da minha eternidade
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Pedra Filosofal

O pudor da pedra
está na paciência do sol
que a aquece no frio.

O medo da pedra
está no silêncio que ela traz por dentro,
para não desdizer a sentença dos deuses.


A memória da pedra
está no pó inicial que lhe deu origem,
quando o nada se amotinou
e conquistou o vazio.

A idade da pedra
está no liame das suas asas.
polida ou lascada, ela é antiga.

Tão sereno, o olhar da pedra,
como a fundura dos séculos.
Tão maleável, o corpo da pedra,
como a mão do homem e do lume.
Tão recente, o nome da pedra,
como a própria invenção da fala.

rosto despido é a língua da pedra.
em rochedo ou montanha, ela existe.
e venceu a morte.

9

Pelo dever

PELO DEVER

de resistir e caminhar
pelos destroços da nossa utopia,
eis-nos aqui de novo, acocorados,
aqui onde o tempo pára
e as coisas mudam.

E PARA QUE O NOSSO SONHO RENASÇA

com a levitação do vento e do grão,
eis-nos aqui de novo,
passivos como os espelhos,
no tear da nossa existência.

ESTE SEMPRE SERÁ

O nosso amanhecer.
E a nossa perseverança
é como a da erva daninha
que lentamente desponta na pedra nua
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