Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes

n. 1960 BR BR

Arnaldo Antunes é um poeta, cantor e compositor brasileiro, conhecido por sua obra multifacetada que transita entre a música, a poesia e as artes visuais. Sua trajetória é marcada pela experimentação e pela busca constante de novas formas de expressão. Com uma linguagem que frequentemente explora o jogo de palavras, a sonoridade e a visualidade, Antunes consolidou-se como um dos nomes mais relevantes da poesia contemporânea brasileira, dialogando com diferentes vertentes artísticas e culturais.

n. 1960-09-02, São Paulo

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Cultura

O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.

O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.

O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.

O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.

O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.

A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.

O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.

O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.

O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.

Papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.

(Arnaldo Antunes in "Nome" São Paulo.BMG Ariola Discos,1993)

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Biografia

Identificação e contexto básico

Arnaldo Antunes é um poeta, cantor, compositor e artista visual brasileiro. Nasceu em São Paulo. É conhecido por sua obra que mescla poesia, música e artes visuais, marcada pela experimentação.

Infância e formação

Arnaldo Antunes cresceu em São Paulo, num ambiente que lhe proporcionou o contato com diversas formas de arte. Sua formação artística é autodidata em grande parte, mas teve contato com o meio cultural vibrante da cidade.

Percurso literário

O início da escrita de Arnaldo Antunes se deu em paralelo à sua carreira musical. Publicou seus primeiros poemas em jornais e revistas, e posteriormente reuniu-os em livros. Sua obra poética evoluiu ao longo do tempo, mantendo uma constante experimentação.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre suas obras poéticas mais conhecidas estão "XXI Poemas" e "Psicopaisagens". Seus poemas frequentemente exploram a sonoridade das palavras, o jogo semântico e a visualidade, utilizando recursos como a repetição, a fragmentação e a criação de neologismos. O tom de sua poesia pode variar entre o lírico, o irônico e o contemplativo. Sua linguagem é densa, imagética e muitas vezes desafia as convenções gramaticais e sintáticas, aproximando-se de movimentos como o concretismo e o experimentalismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Arnaldo Antunes insere-se no contexto cultural brasileiro das últimas décadas do século XX e início do século XXI, um período de efervescência artística e de experimentação em diversas áreas. Sua obra dialoga com a música popular brasileira, a poesia concreta e outras manifestações da arte contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Sua vida pessoal, embora reservada, reflete sua dedicação às artes. A relação com outros artistas e a participação em diferentes coletivos artísticos foram importantes para o desenvolvimento de sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Arnaldo Antunes é amplamente reconhecido tanto na música quanto na literatura. Recebeu diversos prêmios e sua obra é objeto de estudo acadêmico e de interesse do público.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sua obra é influenciada por poetas concretistas, dadaístas e surrealistas, bem como por elementos da música popular e experimental. Seu legado reside na sua capacidade de inovar e de expandir as fronteiras entre diferentes linguagens artísticas, influenciando novas gerações de artistas.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Arnaldo Antunes é frequentemente analisada sob a ótica da intersemiose, da exploração da linguagem como matéria plástica e sonora, e da reflexão sobre a condição humana na contemporaneidade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Além de poeta e músico, Arnaldo Antunes também se dedica às artes visuais, com trabalhos em fotografia e instalações.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Arnaldo Antunes é vivo e continua sua produção artística.

Poemas

13

Lavar as Mãos

Uma
Lava outra, lava uma
Lava outra, lava uma
Mão
Lava outra, lava uma
Mão
Lava outra, lava uma
Depois de brincar no chão de areia
a tarde inteira
Antes de comer, beber, lamber,
pegar na mamadeira
Lava uma
Lava outra, lava uma
Lava outra, lava uma
A doença vai embora junto com a
sujeira
Verme, bactéria, manda embora
embaixo da torneira
Água uma
Água outra, água uma
Água outra, água uma
Na segunda, terça, quarta, quinta
e sexta-feira
Na beira da pia, tanque, bica,
bacia, banheira
Lava uma
Mão
Mão
Mão
Mão
Água uma
Lava outra, lava uma
Lava outra, lava uma


In: Texto fornecido pelo Departamento Infanto-Juvenil da TV Cultura

NOTA: Canção do programa Castelo Rá-Tim-Bu
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Imagem

palavralê
paisagemcontempla
cinemaassiste
cenavê
corenxerga
corpoobserva
luzvislumbra
vultoavista
alvomira
céuadmira
célulaexamina
detalhenota
imagemfita
olhoolha


Publicado no livro Tudos (1990), sem título. No livro Nome (1993), este
poema aparece com o título "Imagem". Música de Péricles Cavalcanti.

In: ANTUNES, Arnaldo. Tudos. 3.ed. São Paulo: Iluminuras, 1993
3 988

O tato

O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão

O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão

3 720

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