Bernardo Bonaval

Bernardo Bonaval

1200–1300 · viveu 100 anos ES ES

Bernardo Bonaval foi um trovador e poeta galego-português da Idade Média. A sua obra, inserida na tradição da lírica galego-portuguesa, é notável pela sua qualidade artística e pela expressividade dos seus temas. Bonaval é lembrado como um dos representantes importantes da poesia da época, cuja produção lírica contribuiu para o enriquecimento do cancioneiro medieval ibérico.

n. 1200, Galiza · m. 1300, Unknown

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A Dona Que Eu Am'e Tenho Por Senhor

A dona que eu am'e tenho por senhor
amostrade-mi-a, Deus, se vos en prazer for,
       senom dade-mi a morte.

A que tenh'eu por lume destes olhos meus
e por que choram sempr', amostrade-mi-a, Deus,
       senom dade-mi a morte.

Essa que vós fezestes melhor parecer
de quantas sei, ai, Deus!, fazede-mi-a veer,
       senom dade-mi a morte.

Ai Deus! que mi a fezestes mais ca mim amar,
mostrade-mi-a, u possa com ela falar,
       senom dade-mi a morte.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Bernardo Bonaval foi um trovador da Idade Média, cujas origens estão ligadas ao espaço geográfico da Galiza e Portugal, no seio da lírica galego-portuguesa. Não se sabe a data exata do seu nascimento ou morte, mas o seu período de atividade poética situa-se, provavelmente, no século XIII. A sua obra insere-se no contexto histórico da formação dos reinos de Portugal e Galiza, numa época de intensa produção literária em língua vernácula.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Bernardo Bonaval são muito limitadas. Como era comum entre os trovadores medievais, é provável que a sua formação estivesse ligada a um ambiente cortesão ou clerical, que lhe permitisse o acesso à leitura, escrita e aos conhecimentos musicais necessários para a composição de cantigas e a sua execução.

Percurso literário

Bernardo Bonaval é conhecido como autor de cantigas de amor e de amigo, gêneros líricos característicos da poesia trovadoresca galego-portuguesa. A sua obra é preservada em cancioneiros medievais e é reconhecida pela sua qualidade estética e pela profundidade dos sentimentos expressos. O seu percurso literário insere-se na tradição dos trovadores que, através das suas composições, retratavam os costumes, os valores e as emoções da sociedade da época.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Bernardo Bonaval é composta por cantigas de amor, onde o eu lírico expressa a sua vassalagem amorosa à dama, e cantigas de amigo, que retratam a voz feminina e os seus lamentos amorosos ou de saudade. O seu estilo é marcado pela delicadeza na expressão dos sentimentos, pela musicalidade e pela utilização de recursos poéticos próprios da tradição trovadoresca. Os temas predominantes são o amor cortês, a saudade, a natureza e os sentimentos da mulher perante o amor.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Bernardo Bonaval é um representante da cultura medieval na Península Ibérica, um período em que a poesia trovadoresca florescia nas cortes da Galiza e de Portugal. Esta poesia era cantada e musicada, desempenhando um papel importante na vida social e cultural da nobreza. A língua galego-portuguesa era a língua de expressão literária para a poesia lírica nesse período.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Bernardo Bonaval. A identidade e o percurso de muitos trovadores medievais são, em geral, obscuros, sendo a sua obra o principal legado que nos chegou. É possível que tenha pertencido à nobreza ou a um círculo próximo da corte, o que lhe teria facilitado o acesso à prática poética.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Bernardo Bonaval reside na sua inclusão nos cancioneiros medievais e na valorização da sua obra por parte dos estudos de literatura medieval. A sua poesia é estudada e apreciada pela sua qualidade artística e por ser um testemunho da expressão lírica na época.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Como trovador, Bernardo Bonaval foi influenciado pela tradição poética provençal e pela própria tradição lírica galego-portuguesa. O seu legado encontra-se na preservação das suas cantigas, que enriquecem o património literário da língua portuguesa e contribuem para a compreensão da sensibilidade e dos costumes medievais.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Bernardo Bonaval tem sido objeto de análise crítica no âmbito dos estudos da lírica galego-portuguesa, focando-se na interpretação das suas cantigas de amor e de amigo, na sua métrica, rima e estilo. As suas composições são valorizadas pela sua expressividade e pela sua representação do amor cortês e dos sentimentos femininos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma figura medieval, muitos aspetos da vida e personalidade de Bernardo Bonaval permanecem desconhecidos. A sua obra é o principal ponto de contacto com o seu mundo, e a sua persona poética é construída através das suas composições.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações concretas sobre a morte de Bernardo Bonaval. A sua memória é mantida através das suas cantigas preservadas nos cancioneiros medievais, que continuam a ser estudadas e apreciadas como parte integrante da história da literatura galego-portuguesa.

Poemas

21

A Dona Que Eu Am'e Tenho Por Senhor

A dona que eu am'e tenho por senhor
amostrade-mi-a, Deus, se vos en prazer for,
       senom dade-mi a morte.

A que tenh'eu por lume destes olhos meus
e por que choram sempr', amostrade-mi-a, Deus,
       senom dade-mi a morte.

Essa que vós fezestes melhor parecer
de quantas sei, ai, Deus!, fazede-mi-a veer,
       senom dade-mi a morte.

Ai Deus! que mi a fezestes mais ca mim amar,
mostrade-mi-a, u possa com ela falar,
       senom dade-mi a morte.
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Ai Deus! E Quem Mi Tolherá

Ai Deus! e quem mi tolherá
gram coita do meu coraçom
no mundo, pois mia senhor nom
quer que eu perça coita já?
E direi-vos como nom quer:
leixa-me, sem seu bem, viver
coitad'; e se mi nom valer
ela, que mi pode valer,

no mund'outra cousa nom há
que me coita nulha sazom
tolha, se Deus ou morte nom,
ou mia senhor, que nom querrá
tolher-ma. E pois eu hoer
por mia senhor mort'a prender,
Deus, meu Senhor, se lhi prouguer,
mi a leix'ant'ũa vez veer.

E se mi Deus quiser fazer
este bem, que m'é mui mester,
de a veer, pois eu poder
veer o seu bom parecer,
por en gram bem mi per fará
– se m'El mostrar ũa razom,
de quantas end'eu cuid'acá
a dizer, que lhi diga entom.
838

Filha Fremosa, Vedes Que Vos Digo

Filha fremosa, vedes que vos digo:
que nom faledes ao voss'amigo
       sem mi, ai filha fremosa.

E se vós, filha, meu amor queredes,
rogo-vos eu que nunca lhi faledes
       sem mi, ai filha fremosa.

E al há i de que vos nom guardades:
perdedes i de quanto lhi falades
       sem mi, ai filha fremosa.
730

Ai Fremosinha, Se Bem Hajades

- Ai fremosinha, se bem hajades,
longi de vila, quem asperades?
       - Vim atender meu amigo.

- Ai fremosinha, se gradoedes,
longi de vila, quem atendedes?
       - Vim atender meu amigo.

- Longi de vila, quem asperades?
- Direi-vo-l'eu, pois me preguntades:
       vim atender meu amigo.

- Longi de vila, quem atendedes?
- Direi-vo-l'eu, poilo nom sabedes:
       vim atender meu amigo.
934

Por Quanta Coita Me Faz Mia Senhor

Por quanta coita me faz mia senhor
haver, nunca m'eu dela queixarei,
nem é dereito, ca eu mi o busquei.
Mais dereit'hei em me queixar d'Amor,
       porque me fez gram bem querer
       quem mi o nom há de gradecer.

E nunca m'eu a mia senhor irei
queixar de quanta coita padeci
por ela, nem do dormir que perdi.
Mais d'Amor sempr'a queixar m'haverei,
       porque me fez gram bem querer
       quem mi o nom há de gradecer.

Por quanta coita por ela sofri,
nom me lhi dev'a queixar com razom,
mais queixar-m'-ei [e]no meu coraçom
d'Amor, a que nunca mal mereci,
       porque me fez gram bem querer
       quem mi o nom há de gradecer.
718

Abril Peres, Muit'hei Eu Gram Pesar

- Abril Peres, muit'hei eu gram pesar
da gram coita que vos vejo sofrer,
ca vos vejo come mi lazerar
e nom poss'a mi nem a vós valer,
ca vós morredes come eu d'amor;
e pero x'est a mia coita maior,
dereito faç'em me de vós doer.

- Dom Bernaldo, quero-vos preguntar
com'ousastes tal cousa cometer
qual cometestes em vosso trobar:
que vossa coita quisestes põer
com a minha; que, quant'é mia senhor,
Dom Bernaldo, que a vossa melhor,
tanto me faz maior coita sofrer.

- Abril Peres, fostes-me demandar
de tal demanda, que resposta nom
há i mester, e convém de provar
o que dissestes das donas; entom
enmentêmo-las, e sabê-las-am,
e, poilas souberem, julgar-nos-am;
e vença quem tever melhor razom.

- Dom Bernaldo, eu iria enmentar
a mia senhor, assi Deus me perdom,
se nom houvesse med'em lhe pesar,
eu a diria mui de coraçom,
ca ũa rem sei eu dela, de pram:
que, pois la souberem, conhocer-lh'-am
melhor ca quantas [e]no mundo som.

- Abril Peres, os olhos enganar
vam homem das cousas que gram bem quer;
assi fezerom-vos, a meu cuidar,
e por seer assi com'eu disser:
se vós vistes algũa dona tal,
tam fremosa e que tam muito val,
mia senhor é, ca nom outra molher.

- Dom Bernaldo, quero-vos conselhar
bem, e creede-m'en, se vos prouguer:
que nom digades que ides amar
bõa dona, ca vos nom é mester
de dizerdes de bõa dona mal
- ca bem sabemos, Dom Bernaldo, qual
senhor sol sempr'a servir segrel.
775

Quero-Vos Eu, Mia Irmana, Rogar

Quero-vos eu, mia irmana, rogar
por meu amig'e quero-vos dizer
que vos nom pês de m'el viir veer,
e ar quero-vos d'al desenganar:
       se vos prouguer com el, gracir-vo-lo-ei,
       e, se vos pesar, non'o leixarei.

Se veer meu amig'e vos for bem
com el, fiar-m'-ei mais em voss'amor
e sempre m'end'haveredes melhor,
e ar quero-vos dizer outra rem:
       se vos prouguer com el, gracir-vo-lo-ei,
       e, se vos pesar, non'o leixarei.

Quando veer meu amigo, cousir-
-vos-ei se me queredes bem, se mal,
e, mia irmana, direi-vos logo al,
ca nom vos quero meu cor encobrir:
       se vos prouguer com el, gracir-vo-lo-ei,
       e, se vos pesar, non'o leixarei.
684

Pero Me Vós Dizedes, Mia Senhor,

Pero me vós dizedes, mia senhor,
que nunca per vós perderei
a mui gram coita que eu por vós hei,
entanto com'eu vivo for,
al cuid'eu de vós e d'Amor:
       que mi haveredes mui ced'a tolher
       quanta coita me fazedes haver.

E, mia senhor, ũa rem vos direi,
[por] nom estar de vós melhor:
quant'eu houver por vós coita maior,
tanto me mais aficarei
[...........................]
       que mi haveredes mui ced'a tolher
       quanta coita me fazedes haver.
804

Amor, Bem Sei o Que M'ora Faredes

Amor, bem sei o que m'ora faredes,
pois m'em poder d'atal senhor metedes,
contra quem me depois nom valeredes,
u eu por ela tal coita levar,
a qual me nom saberei conselhar.

Por en vos rog', Amor, que me leixedes
viver, s'en bem fazer nom me queredes.
Ca eu bem sei que vós poder havedes
de mi fazerdes, se quiserdes, bem,
Amor, ou mal, quando vos prouguer en.

E pois mi bem e mal fazer podedes,
nom mi façades quanto mal sabedes
fazer; mais dereit'é que mi mostredes
o mui gram bem que podedes fazer,
Amor, pois eu som em vosso poder.
715

A Bonaval Quer'eu, Mia Senhor, Ir

A Bonaval quer'eu, mia senhor, ir
e des quand'eu ora de vós partir
       os meus olhos nom dormirám.

Ir-m'-ei, pero m'é grave de fazer;
e des quand'eu ora de vós tolher
       os meus olhos nom dormirám.

Todavia bem será de provar
de m'ir; mais des quand'eu de vós quitar
       os meus olhos nom dormirám.
772

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