Cacaso

Cacaso

1944–1987 · viveu 43 anos BR BR

Cacaso, pseudônimo de Antônio de Pádua Danças, foi um poeta e crítico literário brasileiro, figura proeminente da poesia marginal. Sua obra é marcada pela ironia, pelo humor e pela irreverência, abordando temas do cotidiano urbano, das relações sociais e da própria condição humana com uma linguagem coloquial e acessível. Ele se destacou por sua capacidade de mesclar o lírico com o prosaico, o reflexivo com o divertido, criando uma poesia que dialogava diretamente com o leitor. Sua produção literária, embora concisa, deixou uma marca significativa na poesia brasileira contemporânea, influenciando gerações posteriores pela sua autenticidade e pela forma como desmistificou a linguagem poética, aproximando-a da vida.

n. 1944-03-13, Uberaba · m. 1987-12-27, Rio de Janeiro

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Jogos Florais I

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.


Publicado no livro Grupo Escolar (1974). Poema integrante da série 3a. Lição: Dever de Caça.

In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.110

NOTA: Paródia da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dias, e da canção "Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abre
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Biografia

Identificação e contexto básico

O poeta brasileiro Cacaso, cujo nome verdadeiro era Antônio de Pádua Danças, nasceu em 25 de janeiro de 1944, no Rio de Janeiro. Utilizou o pseudônimo Cacaso para sua produção literária. Era conhecido por sua escrita irreverente e coloquial.

Infância e formação

Antônio de Pádua Danças teve uma infância e juventude marcadas pela classe média carioca. Estudou Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde mais tarde viria a lecionar. Essa formação acadêmica em literatura foi fundamental para sua atuação como crítico literário e para a própria elaboração de sua obra poética.

Percurso literário

Cacaso iniciou sua carreira literária no contexto da poesia marginal ou contracultura brasileira dos anos 1970. Sua obra começou a ganhar projeção com a publicação de livros como "Seus Olhos" (1975) e "Eu te amo porque te odeio" (1976), que chamaram a atenção pela originalidade e pelo frescor da linguagem. Além de poeta, foi professor universitário e crítico literário, contribuindo com artigos e resenhas para diversos veículos.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Cacaso incluem "Seus Olhos" (1975), "Eu te amo porque te odeio" (1976), "Amor de Poeta" (1987) e "Na Corda Bamba" (1997). Os temas centrais de sua poesia são o amor, a cidade, as relações humanas, a melancolia e a efemeridade da vida, sempre abordados com uma visão irônica e terna. Seu estilo é caracterizado pela linguagem coloquial, pela musicalidade e pela capacidade de transitar entre o lirismo e o humor. Utilizava frequentemente o verso livre e formas curtas, explorando a concisão e a força da palavra.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Cacaso viveu e produziu em um período de efervescência cultural no Brasil, especialmente durante a ditadura militar. A poesia marginal, movimento ao qual se associou, surgiu como uma forma de expressão alternativa e de resistência cultural, com forte viés crítico e experimental. Ele dialogou com outros poetas de sua geração, como Chacal e Ana Cristina Cesar.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Pouco se sabe publicamente sobre sua vida pessoal, mas sua obra frequentemente reflete um tom confessional e uma sensibilidade apurada para as nuances das relações afetivas. Foi casado com a também escritora Ana Cristina Cesar, uma relação que marcou ambos artisticamente.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Cacaso conquistou um lugar importante na poesia brasileira contemporânea, sendo reconhecido por sua originalidade e pela força de sua linguagem. Sua obra é estudada e apreciada, especialmente por sua capacidade de renovar a tradição lírica com um olhar moderno e crítico.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora sua obra seja relativamente curta, Cacaso influenciou poetas posteriores pela sua autenticidade, pela irreverência e pela forma como explorou o cotidiano e as emoções. Sua poesia é vista como um legado de autenticidade e de renovação da linguagem poética.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Cacaso é frequentemente analisada sob a ótica da desconstrução da linguagem poética tradicional e da inserção do poeta no contexto urbano e social. Sua obra oferece uma visão melancólica e, ao mesmo tempo, bem-humorada da existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Cacaso era conhecido por seu humor sutil e por uma postura intelectual que não se levava excessivamente a sério, característica que se refletia em seus poemas. Sua relação com Ana Cristina Cesar foi um ponto de interesse para a crítica literária.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Antônio de Pádua Danças (Cacaso) faleceu em 30 de outubro de 1988, no Rio de Janeiro. Sua morte prematura deixou um vazio na poesia brasileira, mas sua obra continua a ser lida e celebrada.

Poemas

19

Lar Doce Lar

p/Maurício Maestro

Minha pátria é minha infância:
Por isso vivo no exílio.


Publicado no livro Na corda bamba: poesia (1978).

In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.63

NOTA: O poema é a primeira estrofe do poema "Fábula", de 1965, publicado em A PALAVRA CERZIDA. Com o segundo verso alterado para 'onde estou é meu exílio' faz parte do refrão de "Grão de Milho", canção em parceria com Francis Him
8 502

Logias e Analogias

No Brasil a medicina vai bem
mas o doente ainda vai mal.
Qual o segredo profundo
desta ciência original?
É banal: certamente
não é o paciente
que acumula capital.


Publicado no livro Grupo Escolar (1974). Poema integrante da série 3a. Lição: Dever de Caça.

In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.10
6 380

As Coisas

O melão melou
A casa casou
A bola bolou
A rola rolou
O mato matou
O dia adiou
A gia giou
A pia piou
O pinto pintou
O boi boiou
O gato engatou
O pato empatou
A pomba empombou
A paca empacou
O galo galou
O ralo ralou
O calo calou
O barco embarcou
A vaca avacalhou
A banana embananou
A sombra assombrou
O raio raiou
O piru pirou


In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. Poema integrante da série Letras.

NOTA: Música de Cláudio Nucc
4 573

O Fazendeiro do Mar

Mar de mineiro é
inho
mar de mineiro é
ão
mar de mineiro é
vinho
mar de mineiro é
vão
mar de mineiro é chão
Mar de mineiro é pinho
mar de mineiro é
pão
mar de mineiro é
ninho
mar de mineiro é não
mar de mineiro é
bão
mar de mineiro é garoa
mar de mineiro é
baião
mar de mineiro é lagoa
mar de mineiro é
balão
mar de mineiro é são
Mar de mineiro é viagem
mar de mineiro é
arte
mar de mineiro é margem

(...)

Mar de mineiro é
arroio
mar de mineiro é
zem
mar de mineiro é
aboio
mar de mineiro é nem
mar de mineiro é
em
Mar de mineiro é
aquário
mar de mineiro é
silvério
mar de mineiro é
vário
mar de mineiro é
sério
mar de mineiro é minério
Mar de mineiro é
gerais
mar de mineiro é
campinas
mar de mineiro é
Goiás
Mar de mineiro é colinas
mar de mineiro é
minas


Publicado no livro Mar de mineiro: poemas e canções (1982). Poema integrante da série Postal.

In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.51-55

NOTA: Poema musicado por Miúcha. Referência ao livro FAZENDEIRO DO AR, de Carlos Drummond de Andrad
6 920

Poética

Alguma palavra,
este cavalo que me vestia como um cetro,
algum vômito tardio modela o verso.

Certa forma se conhece nas infinitas,
a fauna guerreira, a lua fria
encrustada na fria atenção.

Onde era nuvem
sabemos a geometria da alma, a vontade
consumida em pó e devaneio.
E recuamos sempre, petrificados,
com a metafísica
nos dentes: o feto
fixado
entre a náusea e o lençol.

Meu poema me contempla horrorizado.

Rio, 1965


Publicado no livro A palavra cerzida (1967). Poema integrante da série III. A Palavra de Dois Gumes.

In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.132

NOTA: "Poética" se apropria de motivos dos poemas "Psicologia da Composição" e "Antiode", de João Cabral de Melo Neto, e "A Flor e a Náusea", de Carlos Drummond de Andrad
4 805

Estilos de Época

Havia
os irmãos Concretos
H. e A. consanguíneos
e por afinidade D.P.,
um trio bem informado:
dado é a palavra dado
E foi assim que a poesia
deu lugar à tautologia
(e ao elogio à coisa dada)
em sutil lance de dados:
se o triângulo é concreto
já sabemos: tem 3 lados.


Publicado no livro Grupo Escolar (1974). Poema integrante da série 2a. Lição: Rachados e Perdidos.

In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.106

NOTA: Referência aos poetas Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, signatários do 'Plano Piloto para Poesia Concreta' (1958); ao verso 'flor é a palavra flor', de João Cabral de Melo Neto ("Antiode"); Ao poema "Um Lance de Dados", de Mallarm
3 802

Preto no Branco

De colorida já basta
a vida


In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. Poema integrante da série Inéditos
4 819

Há uma Gota de Sangue no Cartão Postal

eu sou manhoso eu sou brasileiro
finjo que vou mas não vou minha janela é
a moldura do luar do sertão
a verde mata nos olhos verdes da mulata

sou brasileiro e manhoso por isso dentro
da noite e de meu quarto fico cismando na beira de um rio
na imensa solidão de latidos e araras
lívido
de medo e de amor


In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.84.

NOTA: Referências ao livro HÁ UMA GOTA DE SANGUE EM CADA POEMA, de Mário de Andrade; às canções "Luar do Sertão", de Catullo da PaixãoCearense e "Tropicália", de Caetano Veloso; à "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dias e ao poema "Amor e Medo", do livro AS PRIMAVERAS (1859), de Casimiro de Abre
7 298

O Que É o Que É

Descoberto pelo português
emancipado pelo inglês
educado pelo francês
sócio menor do americano
mas o modelo é japonês...


In: CACASO. Grupo Escolar. Fotos de Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro. Rio de Janeiro: Mapa Filmes, 1974. (Frenesi). Poema integrante da série 3a. Lição: Dever de Caça
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Comentários (6)

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Maria Eduarda
Maria Eduarda

Qual mensagem ele quis deixar com esse poema?

ewhvpouygewpgrcberb
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opa eae

Jamilly
Jamilly

Eu amo esses poemas de cacaso

vitones

esse poema ta uma porra !!!!!

vitones

vitones