Carlos Figueiredo

Carlos Figueiredo

n. 1961 BR BR

Carlos Figueiredo é um poeta brasileiro conhecido pela sua obra que frequentemente explora a condição humana, a passagem do tempo e a introspeção. A sua poesia caracteriza-se por uma linguagem cuidada, por vezes melancólica, mas sempre com uma profunda sensibilidade para as nuances da existência.

n. 1961-03-20, Almenara · m. , Genolier

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As estrelas brilham por amor

As estrelas brilham por amor,
como o mar, as crianças, a música,
como os homens quando são livres

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Biografia

Identificação e contexto básico

Carlos Figueiredo é um poeta brasileiro. O contexto histórico em que viveu é o do Brasil contemporâneo.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Carlos Figueiredo não são amplamente divulgadas, mas presume-se uma formação cultural que o preparou para a sua incursão na poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Carlos Figueiredo é marcado pela publicação de obras poéticas que lhe conferiram reconhecimento no meio literário. A sua escrita evoluiu com o tempo, aprofundando os temas e a linguagem.

Obra, estilo e características literárias

As obras de Carlos Figueiredo abordam temas como a introspeção, a efemeridade da vida e as complexidades da alma humana. Utiliza uma linguagem poética trabalhada, com um tom frequentemente lírico e reflexivo. É associado a uma vertente da poesia contemporânea brasileira que valoriza a profundidade temática e a qualidade formal.

Contexto cultural e histórico

Carlos Figueiredo insere-se no panorama literário brasileiro das últimas décadas, dialogando com as preocupações existenciais e culturais do seu tempo.

Vida pessoal

Informações sobre a vida pessoal de Carlos Figueiredo não são de domínio público.

Reconhecimento e receção

A obra de Carlos Figueiredo tem sido reconhecida pela crítica e por leitores interessados numa poesia densa e reflexiva.

Influências e legado

O legado de Carlos Figueiredo reside na sua contribuição para a poesia brasileira contemporânea, com uma obra que convida à reflexão.

Interpretação e análise crítica

A poesia de Carlos Figueiredo oferece múltiplas camadas de interpretação, convidando o leitor a confrontar-se com questões universais.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Não há curiosidades amplamente divulgadas sobre Carlos Figueiredo.

Morte e memória

Carlos Figueiredo está vivo. A sua memória é construída através da sua obra poética.

Poemas

15

Réquiem para Alfonso Dellelis

O sentido é simples. Querer dizer como era do teu olhar a
música, é dizer isso.

Na hora em que uns trabalhadores enterravam teu cadáver
era, tua, essa, a música que se ouvia.

Eles nos olhavam com olhar igual ao teu quando olhavas,
embora a quase todos isso passasse desapercebido.

No momento em que o caixão começou a descer, dentro da cova,
muitas pessoas choravam. Pensou-se até em um padre. Imagine!

De dentro do buraco, o coveiro, em um mirar ausente
de qualquer reverência - há um corpo a enterrar, eis tudo -
é que olha com expressão igual ao teu olhar quando
miravas.

Estavas era morto. Era isso que o teu olhar no dele nos
dizia.

E então, inexplicavelmente, pareceu que o instante
foi varado de luz, e que ali, afirmando apenas
que estavas morto e que isso era isso, enfim triunfavas.

Nota do Poema Réquiem para Alfonso Delellis

Líder (ou como ele dizia, "lide") sindical.Presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos de S. Paulo, foi preso em
janeiro de 1964 distribuindo panfletos socialistas,
num quartel do exército. Por interferência direta
do Presidente João Goulart, foi solto em
fevereiro. Assim que saiu, procurou Luiz Carlos
Prestes, Presidente do Partido Comunista, ao qual
estava filiado, e lhe relatou o que vira, na prisão: Os
militares preparavam um golpe. E Prestes:"Isso é
impossível.O exército brasileiro é popular e
democrata". "Como? Por quê?",ele quis saber. "Eu sou
oficial do Exército Brasileiro.Eu sou popular e sou
democrata", declarou o Cavaleiro da Esperança.
Antes que findasse o mes de março, Dellelis embarcou em
um navio para ir exilar-se na URSS.

Voltou ao Brasil antes da anistia e começou tudo de
novo, clandestinamente. Sua existência foi toda
consumida nessa luta.

886

Eu, da Morte, quase não morro

Eu, da Morte, quase não morro.
Morro mais de mim que morro dela.

E em cada encruzilhada que me tem acontecido
eu me tenho visto
escolher caminho sempre aquele que a ela
torna mais fácil o mister que tem comigo.

1 213

Chega a ser confortável a vida daqueles habitantes

Chega a ser confortável a vida daqueles habitantes
que vivem ao longo da Estrada de Ferro Transvesuviana,
que leva às ruínas de Pompéia e que contemplam
do alpendre, nas janelas, entre as venezianas
a cratera
no vértice rombo da montanha hiante.

O que nos resta é menos.
A esperança da dúvida.
Jamais saberemos por que o que existe existe.

A História é prima da histería.

Nota do poema "Chega a ser confortável ..."
Sétimo verso : "Rombo". Vale registrar, cf Silveira Bueno in " Grande Dicionário Etimológico e Prodódico da Língua Portuguesa", Vol. 7 2a. Tiragem, Ed. Saraiva, 1968, P.3751, o seguinte:
"Entre os mágicos da antiguidade, o rombo era um fuso de bronze, com que faziam encantamentos, prediziam o futuro, etc... O Gr. Rhombas da raiz rhombein, fazer gritar".

754

Fosse o hálito dos tigres

Fosse o hálito dos tigres
bálsamo

e reconciliasse
a carne pântana
que recobre como fios de amianto
esse interior em que vive
estrangeiro de si mesmo
isso que parece ser o ser humano

E findasse esse exílio

818

Estranha Desordem

Sou um jogo de espelhos
e a morte não irá interromper isso.
Apenas
o vinho poderá embaçar um pouco
todas as imagens.

Vivi uma vida estranha.

E haviam sempre uns olhares,
uns detalhes,
uma coisa que era realmente estranha.

Era tudo tão rápido, eu era tão pálido
e as pessoas viviam
dizendo
"você faz o que você quer"

E eu queria. Mas também com todas aquelas
lanchonetes
e ainda queriam que eu fosse desses
que entendem e vivem tudo isso
e moram em apartamentos
e vêem televisão e fumam cigarros.

(cont.)

Eu buscava uma luz,
o pé dentro do sapato,
tudo muito normal,
só que era mesmo, realmente, uma coisa estranha.

Eu era um triste, um simples
queria era pegar, tocar, mais
era tocar,um jeito,
Queria era que as coisas chegassem
com um barulho dágua
bem com um jeito
realmente não dá para explicar.

Depois, eu sei que tudo é muito resumível
e haviam sempre as coisas,
os números,
e as pessoas ficavam
olhando umas para as outras
explicando
como se somam as frações,

É claro que algo sempre escapava
e ficava vagando
pelo meio da sala,
desconfortável.

958

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