Chacal

Chacal

n. 1951 BR BR

Chacal é um poeta e ativista cultural brasileiro, conhecido por sua poesia urbana, irreverente e experimental, que dialoga com a música, a performance e o cotidiano das metrópoles. Sua obra, marcada pela linguagem coloquial, pelo humor e pela crítica social, explora temas como a identidade, a cidade, a política e as relações humanas de forma direta e contundente. É uma figura central na poesia marginal e na cena cultural independente do Brasil.

n. 1951-05-24, Rio de Janeiro

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Reclame

se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
...ou transforme o mundo.

ótica olho vivo
agradece a preferência.


Publicado no livro Olhos vermelhos (1979).

In: CHACAL. Drops de abril. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.53. (Cantadas literárias, 16)
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Biografia

Identificação e contexto básico

Chacal é o pseudônimo de Ricardo Basbaum. Nascido no Rio de Janeiro, é um dos mais proeminentes poetas da poesia marginal brasileira e uma figura influente na cena cultural independente. Sua obra é profundamente enraizada no contexto urbano carioca e nas transformações sociais e políticas do Brasil. Sua nacionalidade é brasileira e sua língua de escrita é o português.

Infância e formação

Chacal teve uma juventude no Rio de Janeiro, período em que a efervescência cultural e os movimentos artísticos de vanguarda começavam a se manifestar com força. Embora não haja muitos detalhes sobre sua formação específica, sua obra demonstra uma forte absorção da cultura urbana, da música popular brasileira e das vanguardas artísticas. A cidade do Rio de Janeiro e seus habitantes são elementos centrais em sua percepção inicial do mundo.

Percurso literário

Sua trajetória literária se consolidou nos anos 1970, em pleno auge da ditadura militar, como parte do movimento da poesia marginal ou poesia underground. Chacal se destacou pela publicação de seus próprios livros, muitas vezes produzidos de forma independente e distribuídos em circuitos alternativos. Sua obra evoluiu acompanhando as mudanças na paisagem urbana e social do Brasil, mantendo sempre um forte caráter experimental e de intervenção.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre suas obras mais conhecidas estão "A Fábrica de Poemas" (1970), "Viagem no Arco-Íris" (1975), "A Língua do Peixe" (1976), "Muito Prazer" (1977), "Memória de um Homem Comum" (1984), "Contra o Amor Perfeito" (2003), "Leite Derramado" (2014) e "O Último Poema" (2018). Os temas centrais de sua poesia incluem a cidade, a crítica social e política, o corpo, a sexualidade, a loucura, a identidade e a própria linguagem poética. Chacal experimenta com a forma, utilizando o verso livre, a fragmentação, a colagem e a incorporação de elementos do cotidiano, como gírias e coloquialismos. Seu estilo é marcado pela oralidade, pelo humor ácido, pela ironia e por uma voz poética que se quer próxima, direta e questionadora. Ele frequentemente explora a relação entre poesia e performance, levando seus poemas para o palco e para as ruas. Sua linguagem é ágil, provocadora e inovadora, dialogando com a tradição da poesia de protesto e da experimentação modernista.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Chacal emergiu como poeta durante o período mais repressivo da ditadura militar brasileira, o que imprimiu em sua obra um forte caráter de contestação e resistência. Ele pertenceu à geração da poesia marginal, que buscava romper com as estruturas literárias tradicionais e se aproximar do público através de uma linguagem mais acessível e de uma produção independente. Sua obra reflete as contradições e os anseios da sociedade brasileira da época e das décadas seguintes.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Chacal é conhecido por sua personalidade boêmia e engajada. Sua vida pessoal, marcada por uma intensa participação na cena cultural carioca, é frequentemente entrelaçada com sua obra. Ele sempre manteve uma postura crítica e ativista, utilizando a poesia como ferramenta de intervenção social e cultural. Sua vivência nas ruas e nos espaços alternativos do Rio de Janeiro moldou sua visão de mundo e sua prática poética.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Chacal é um poeta cultuado no circuito da poesia marginal e independente, com um público fiel que aprecia sua irreverência e sua capacidade de traduzir o espírito do tempo. Embora não tenha alcançado o mesmo reconhecimento mainstream de outros poetas de sua geração, sua influência na poesia contemporânea brasileira é inegável, especialmente no que diz respeito à performance poética e à exploração da linguagem urbana.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Chacal bebeu em fontes diversas, desde os poetas da geração de 1945 e os concretistas até a música popular brasileira e as vanguardas internacionais. Seu legado reside na sua ousadia formal, na sua capacidade de dar voz às margens da sociedade e na sua permanente experimentação com a linguagem. Ele influenciou muitos poetas que buscam uma poesia mais engajada, experimental e conectada com o universo urbano.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Chacal é frequentemente analisada sob a ótica da poesia de resistência, da experimentação linguística e da crítica à alienação urbana. Sua poesia convida a uma reflexão sobre a condição humana em um mundo cada vez mais complexo e fragmentado, com uma perspectiva irreverente e desmistificadora.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Chacal é conhecido por suas performances poéticas vibrantes e improvisadas, onde a palavra ganha corpo e movimento. Sua produção independente de livros, muitas vezes artesanais, é uma marca de seu ativismo cultural. Ele também se envolveu em projetos de intervenção urbana e eventos culturais diversos, sempre com o objetivo de aproximar a poesia do público.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Chacal continua ativo na cena cultural, produzindo e se apresentando. Sua memória está associada à sua obra transgressora e à sua vitalidade como artista e ativista.

Poemas

21

Espere, Baby

espere baby não desespere
não me venha com propostas tão fora de propósito
não acene com planos mirabolantes mas tão distantes

espere baby não desespere
vamos tomar mais um e falar sobre o mistério da lua vaga
dylan na vitrola dedo nas teclas
canto invento enquanto o vento marasma

espere baby não desespere
temos um quarto uma eletrola uma cartola
vamos puxar um coelho um baralho e um castelo de cartas
vamos viver o tempo esquecido do mago merlin
vamos montar o espelho partido da vida como ela é

espere baby não desespere
a lagoa há de secar
e nós não ficaremos mais a ver navios
e nós não ficaremos mais a roer o fio da vida
e nós não ficaremos mais a temer a asa negra do fim

espere baby não desespere
porque nesse dia soprará o vento da ventura
porque nesse dia chegará a roda da fortuna
porque nesse dia se ouvirá o canto do amor
e meu dedo não mais ferirá o silêncio da noite
com estampidos perdidos.


Publicado em América (1975).

In: CHACAL. Drops de Abril. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.44. (Cantadas Literárias, 16
6 115

Fogo-Fátuo

ela é uma mina versátil
o seu mal é ser muito volúvel
apesar do seu jeito volátil
nosso caso anda meio insolúvel

se ela veste seu manto diáfano
sai de noite e só volta de dia
eu escuto os cantores de ébano
e espero ela chegar da orgia

ela pensa que eu sou fogo-fátuo
que me esquenta em banho-maria
se estouro sou pior que o átomo
ainda afogo essa nega na pia.


Publicado no livro Nariz aniz (1979).

In: CHACAL. Drops de abril. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.71. (Cantadas literárias, 16
5 843

Ossos do Ofício

sempre deixei as barbas de molho
porque barbeiro nenhum me ensinou
como manejar o fio da navalha

sempre tive a pulga atrás da orelha
porque nenhum otorrino me disse
como se fala aos ouvidos das pessoas

sou um cara grilado
um péssimo marido
nove anos de poesia
me renderam apenas
um circo de pulgas
e as barbas mais límpidas da turquia.


Publicado no livro Boca roxa (1979).

In: CHACAL. Drops de abril. São Paulo: Brasiliense, 1986. p.89. (Cantadas literárias, 16
6 934

Prezado Cidadão

Colabore com a Lei
Colabore com a Light
mantenha luz própria.

5 371

Curral de Deus

cães ladram ao longe
galos abrem o berreiro
cigarras se despedem da vida
sapos coacham a verdade

e assim vai mais um dia
nesse curral de Deus.


In: CHACAL. Comício de tudo: poesia e prosa. São Paulo: Brasiliense, 1986. p.40. (Cantadas literárias, 48
3 872

Vamp

a rua escura deserta
acelera o desejo
eu piso fundo no mundo
com o farol aceso

uma sirene: polícia
no retrovisor
não sei se é paranóia
ou se sou infrator

em cada curva fechada
espero pelo pior
estranho cheiro de sangue
ninguém ao redor

no carro, o rádio anuncia
mais um assassinato
vejo seu corpo na esquina
paro o carro e salto

como vou te esquecer
seu beijo é mesmo assim
marcas no pescoço dizem
que o tempo todo só
queria assistir a meu fim

um dia seu nome é Ana
no outro dia Janette
o tempo todo na cama
afiando a gilete

só sai na rua se for
em busca de uma brisa
e quando o dia começa
você corre da polícia

a vida inteira agitou
e hoje vive no vício
um vai e vem, entra e sai
na porta do edifício

seu veneno é cruel
seu olhar, assassina
me queimo no seu calor
seu coração de heroína

como vou te esquecer
seu beijo é mesmo assim
marcas no pescoço dizem
que o tempo todo só
queria assistir a meu fim

você só quer aplicar
você não quer nem saber
você só sabe iludir
você espalha o terror


In: CHACAL. Comício de tudo: poesia e prosa. São Paulo: Brasiliense, 1986. p.85-86. (Cantadas literárias, 48
4 300

Garrincha

a maior glória do futebol
nasceu em Pau Grande só
pra sacanear o vernáculo.
e pra zombar da anatomia,
perna torta.


Publicado no livro Olhos vermelhos (1979).

In: CHACAL. Drops de abril. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.65. (Cantadas literárias, 16
3 104

Ponto de bala

os mortos tecem considerações
os tortos cozem quietos
as crianças brincam
e bordam desconsiderações

3 679

Verão

Revoada
cabeleiras cambalache
andarilha
na trilha do sol.

4 424

Ministério do Interior

pensamento é o fragmento fugaz
do caos estruturado
a palavra é o estágio
imediatamente after da sensação
que faz parte do estágio necessário
do aperfeiçoamento humano
de sentir a melhor maneira
de relacionamento franco

a palavra é um domingo de sol
no estádio municipal do pacaembu
se ela pinta tudo mais se cria
não mais que num instante
existindo no mesmo movimento
que a crassa ignorância
em que se fica só naquela
ânsia de comer melância

de comer melância na santa ignorância
de comer melância com muita exuberância
de comer melância com maria constância
de comer melância
de comer.


In: CHACAL. Drops de abril. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.97. (Cantadas literáris, 16). Poema integrante da série Drops de Abril, 1980/1983
3 837

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Comentários (5)

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Chacal
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euskadia

....reticências....falo agora porque o li conhecendo há pouco

Israel
Israel

Soffi Tukker pegou dois poemas do chacal e deu melodia, agora essas músicas não saem da minha cabeça!

Daniel
Daniel

Esse poema gerou uma das minhas músicas favoritas. Obrigado.

Creudânia
Creudânia

Seu merda, me fez perder 2 PONTOS DA MINHA PROVA! Cuzão vei de merda