Donizete Galvão

Donizete Galvão

1955–2014 · viveu 58 anos BR BR

Donizete Galvão é um poeta brasileiro contemporâneo, reconhecido pela sua poesia que transita entre o lirismo e a crítica social, frequentemente abordando temas como a identidade, a memória, a cidade e as complexidades da existência humana. A sua obra é marcada por uma linguagem precisa e por uma visão sensível e perspicaz do mundo.

n. 1955-08-24, Borda da Mata · m. 2014-01-30, São Paulo

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Biografia

Identificação e contexto básico

Donizete Galvão é um poeta brasileiro. Nascido em 1957, em São Paulo, Brasil. É um dos nomes relevantes da poesia contemporânea brasileira.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação específica de Donizete Galvão não são amplamente disponíveis em fontes públicas. É natural que a sua formação tenha sido influenciada pelo ambiente cultural brasileiro e pela tradição literária do país.

Percurso literário

Donizete Galvão é um poeta ativo na cena literária brasileira. A sua obra tem sido publicada em livros e em diversas antologias, consolidando a sua presença como um dos poetas contemporâneos a observar. O seu percurso literário é marcado pela contínua exploração de novas formas de expressão poética.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Donizete Galvão frequentemente exploram temas como a identidade, a memória, a relação com o espaço urbano (particularmente a cidade de São Paulo), a passagem do tempo e as questões existenciais. O seu estilo poético é conhecido pela sua precisão verbal, pela capacidade de criar imagens fortes e por um tom que pode variar entre o lírico e o crítico. Galvão utiliza recursos poéticos para evocar a atmosfera das suas observações, muitas vezes ancoradas na realidade quotidiana, mas que transcendem o meramente descritivo, alcançando uma dimensão filosófica e humana. A sua linguagem é cuidada e a sua voz poética consegue transmitir uma reflexão profunda sobre o mundo e sobre o ser.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Donizete Galvão faz parte da rica tapeçaria da poesia brasileira contemporânea, dialogando com outros poetas da sua geração e com a tradição literária do Brasil. A sua obra reflete, de forma ou de outra, as dinâmicas sociais e culturais do Brasil nas últimas décadas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Donizete Galvão não são extensivamente divulgados em fontes públicas, focando-se a divulgação na sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Donizete Galvão tem sido acolhida com reconhecimento por parte da crítica literária e do público leitor de poesia no Brasil. A sua inclusão em antologias e a publicação das suas obras individuais atestam a sua importância no panorama literário atual.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências literárias de Donizete Galvão podem ser inferidas pela leitura da sua obra, que dialoga com diferentes vertentes da poesia brasileira. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia contemporânea brasileira com uma obra que une sensibilidade lírica e um olhar atento sobre a realidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Donizete Galvão oferece um vasto campo para interpretação, convidando o leitor a refletir sobre a condição humana, a vida nas metrópoles e a busca por significado. A sua poesia permite abordagens críticas que exploram as suas dimensões sociais e existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo um autor contemporâneo e, em muitos aspetos, reservado quanto à sua vida pessoal, os aspetos menos conhecidos da sua personalidade e do seu processo criativo podem ser um campo para futuras investigações e descobertas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não aplicável, pois Donizete Galvão é um autor contemporâneo ativo.

Poemas

17

Sim, One

O que sinto , a língua não fala.

Há uma dor que não tem nome.

Musgo de abismo que o sopro

da voz alcança e macera.

Dont let me be misunderstood.

I dont want to be alone.

945

Ex-Voto

mercê de um celerado que consigo se desavinha e no meio do caminho

de sua vida achou-se em beco desprovido de fé e o corpo afligido por

dores padecendo de conturbação dos miolos pensar desembestado

visões de dilaceramento euforias desconformes desacorçôo venetas

arrepio de frio aguadilha na boca e estômago embrulhado e procurando

o não sabe o que veio dar em paragens del Rei e aqui se apegou no intento

embora baldado de que seu coração encontre a pacificação

1 152

Diante de Uma Fotografia

Para Celso Alves Cruz
O Tietê não é o Neva.
E nada no Curtume
lembra a sua Peter.
Galpões de fábricas
estendem-se sem rigor,
sem história ou forma.
Sucessão de chaminés,
caos de telhas de zinco.

Este é o lugar da cadela esquálida,
dos trens que gemem no subúrbio,
dos peões vestidos de azul e graxa,
dormindo ao meio-dia na calçada.
Na fila do almoço, o rebanho todo
estende suas bandejas de plástico.
Há fuligem nas janelas, nos olhos,
na sola dos sapatos. Nos cérebros.

Anna, as sereias do Báltico
não cantam aqui suas cantigas.
No mar das impossibilidades,
deixaram-me uma fotografia.
Vejo você - estrangeiríssima.
A curta franja dos cabelos.
O nariz forte. O desenho da boca.
A mão pousada no pescoço
que Modigliani um dia desenhou.
E no olhar felino, cinza-claro,
pressinto paixão e dor contida.

Anna Ahkmátova.
poeta de nome inventado,
lança sobre mim o claro raio
dos teus olhos líquidos,
para que minha alma não vire pedra.
Não quero morrer de sede,
sem ouvir a voz da língua.

1 030

Deus do Deserto

um deus de pedra

de cerne

inoxidável

um deus de ferro

pontiagudo

um deus que brota da fronte

de puro cristal

deus de concreto

asséptico

deus que não pune

deus que não salva

1 023

Anil

Pedra tocada por Yves Klein,

em que borda do poço

se perdeu?

Em que veio de mina

ficou incrustada?

Por que a pálpebra se fechou

quando deveria estar aberta?

Por que não foi feita

a pergunta certa?

Onde o mantra

que faz surgir Tara,

caminhando hierática

sobre a muralha?

Em que noite adormeci verde

e acordei Saara?

1 033

O poeta em pânico

" Quem me ouvirá?
Quem me verá?
Quem me há de tocar?"

(Murilo Mendes, A poesia em pânico)

Escrever poesia no Brasil é viver em claustrofobia. O poeta respira um ar rarefeito. Tudo se fecha a sua volta: ele está em pânico. Habita uma espécie de limbo, zona fantasma, onde nada do que produz encontra eco ou ressonância. Como no poema de Murilo Mendes, pode dizer "vivi entre os homens/ que não me viram, não me ouviram / Nem me consolaram".
Convertido numa espécie de alquimista, cumprindo a profecia de Giulio Argan, investe em uma busca que, todos sabem, resultará em fracasso.
O poeta insiste: quer ganhar visibilidade. Quer chegar até as estantes das livrarias e das bibliotecas. Quer ser lido, comentado pelos seus pares e pela crítica. Extenuado pela tensão quase insuportável de construir uma obra, deve converter-se também em seu próprio agente literário, assessor de imprensa, e distribuidor, sem ter o menor jeito para estas tarefas. A que situações ridículas tem de submeter-se, para ver seu livro editado, aquele que não é multimídia, ídolo pop ou instant celebrity.
Deve criar uma carapaça anti-rejeição e fazer como Sylvia Plath, que enviou 45 contos à revista Seventeen antes de ter um deles aceito? Os editores, com as raras exceções dos apaixonados pela poesia, fogem dos autores como se estes tivessem sarna. Devolvem originais em cartas padronizadas com a indefectível "nossa programação já está completa". E deve estar mesmo, para os próximos 10 anos. Claro que para o livro do cantor de rock, para os poemas eróticos de uma estrela de TV ou para crônicas requentadas de colunistas dos grandes jornais há sempre uma grande flexibilidade nesta rígida programação editorial.
A pergunta básica é: tem espaço garantido na mídia? Então, é só publicar.
Ou até mesmo pode-se fabricar um escritor. Unanimemente, vai merecer páginas dos cadernos de cultura, resenhas e até entrevista em talk show. Para os demais, brande-se o espectro da falta de mercado. Como fica aquele que trabalha apenas com literatura, não tem padrinhos nem cultiva amigos nas editorias? Escreve um livro e cria um escândalo para que a coisa ganhe o tão falado "gancho jornalístico"?
Quem escreve poesia não está aspirando chegar à lista dos mais vendidos.
Viu, entretanto, serem dissolvidos os raros espaços de que podia dispor.
Estes espaços foram engolidos pela máquina promocional e pelo jornalismo de release. Clips, comics, escândalos, moda e TV ocupam todas as páginas.
O escritor sabe que a discórdia entre poesia e mercado é profunda. Mas quer ser tratado com um mínimo de dignidade.
Em uma época em que todo mundo precisa ser bonito, rico, saudável e feliz e tudo deve ser leve e divertido, que interesse pode despertar o espelho perverso do poeta? Quem quer se ver como uma retorcida figura saída de um quadro de Francis Bacon? Com a linguagem contaminada pela publicidade, pelo entretenimento barato e pela psicologia de auto-ajuda, a tentativa de devolver vigor, intensidade e frescor à língua soa hermética e gera mal-estar.
A poesia, além de inútil, é também indesejada.
O poeta, entretanto, insiste em escrever seus poemas. Não lhe resta outra alternativa. Poderia buscar o suicídio, a santidade, o vício: estas "outras tantas formas da falta de talento" de que falou Cioran. Está preso a uma obsessão nunca sublimada. Quer, através da língua, assegurar a permanência enquanto tudo se desfaz. Pouco importam os mecanismos que o movem: exibicionismo, narcisismo, paranóia, depressão. Usa de artifícios, filtra e depura para transformar o desprezo, a humilhação e a decomposição do corpo e da mente em matéria poética. Pois, como disse Borges,"meus instrumentos de trabalho são a humilhação e a angústia". Entre tantos indiferentes deve haver uns poucos que, como na brilhante defesa da poesia feita por Octavio Paz, terão ouvidos para essa outra voz.

Leia obra poética de Donizete Galvão

1 370

Anel Caucasiano

Olha para o anel de ferro

e mantém acesa a lembrança.

Lembra-te dos dez mil anos

no miolo escuro do rochedo.

Lembra-te, depois, da visitante

e do barulho de suas asas.

Lembra-te da humilhação

de revelar o que era segredo.

Lembra-te de tudo

antes que todos se esqueçam dessa história

e, mero acidente geográfico,

reste apenas a montanha de pedra.

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