Edimilson de Almeida Pereira

Edimilson de Almeida Pereira

n. 1963 BR BR

Edimilson de Almeida Pereira é um poeta, ensaísta e professor brasileiro conhecido por sua obra que explora as complexidades da identidade, da cultura afro-brasileira e da condição humana. Sua poesia se caracteriza por uma linguagem rica e inventiva, muitas vezes dialogando com a oralidade e com a tradição literária, ao mesmo tempo em que se volta para as questões sociais e existenciais contemporâneas. Sua atuação como intelectual público e pesquisador também marca sua relevante contribuição para os estudos literários e culturais no Brasil.

n. 1963-01-01, Juiz de Fora · m. , Hyde Park Gate

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Família Lugar

Um rio não divide
duas margens.
O que se planta nos lados
é que o separa.

Aqui o cemitério
lá lagoa da trindade.
Aqui os entregues
lá os escolhidos
em severa matemática.

Para um devoto
tudo é muitas coisas.
Uma ravina de águas
que envolve
vivos e mortos.

Por isso é direito
passar a um lado do rio
a capela
e o cemitério.

Em ambos se viaja
bem vestido e forro.
Em ambos espera
um domingo
de várias línguas.

Aqui no cemitério
homens multiplicam.
E o que fazem
está na oficina
do entendimento.

Essa é a margem
silenciosa do rio.
E mal permite
a ruga do tamboril.

Lá a capela
nave sem instrumentos.
Nela o que inspira
é a música os santos
no reinado.

Um negro do rosário
faz uma as outras coisas.
Na ravina do rio
lá e aqui são capela
e cemitério.

Estamos nós, os Bianos,
de enigma resolvido.
A lagoa onde somos
tem idéias de rio.

Aqui e lá peças
dos olhos em movimento.
Como são na diferença
os mesmos Deus
e Zambiapungo.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Edimilson de Almeida Pereira é um proeminente poeta, ensaísta, professor e pesquisador brasileiro. É conhecido por sua profunda imersão em temas como identidade, cultura afro-brasileira, memória e a condição humana, utilizando a poesia como um veículo potente para a reflexão e a expressão.

Infância e formação

Nascido em Minas Gerais, sua infância e formação foram marcadas pela vivência das tradições culturais e sociais de sua região, elementos que viriam a permear sua obra literária e acadêmica. Sua formação superior em Letras o capacitou para uma análise aprofundada da linguagem e da literatura.

Percurso literário

O percurso literário de Edimilson de Almeida Pereira é diversificado, abrangendo a poesia, o ensaio e a pesquisa acadêmica. Sua poesia, marcada pela originalidade e pela força expressiva, tem evoluído ao longo do tempo, explorando novas formas de abordar temas recorrentes em sua obra, como a ancestralidade, a diáspora africana e as nuances da existência.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Edimilson de Almeida Pereira frequentemente mergulham em temas como a identidade negra no Brasil, a memória ancestral, as relações de poder e as experiências cotidianas. Seu estilo poético é caracterizado por uma linguagem que transita entre a erudição e a oralidade, a incorporação de elementos da cultura popular e um lirismo que pode ser ao mesmo tempo intenso e reflexivo. Utiliza recursos como a metáfora, o ritmo e a musicalidade para construir imagens vívidas e provocar o leitor. Sua obra se insere em um contexto de reescrita e afirmação das narrativas afro-brasileiras, dialogando com a tradição e a modernidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Edimilson de Almeida Pereira atua em um contexto cultural e histórico marcado pela crescente visibilidade e valorização das questões raciais e da produção cultural afro-brasileira. Sua obra dialoga com debates contemporâneos sobre identidade, representatividade e justiça social, posicionando-se como uma voz importante nesse cenário.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Como intelectual público, Edimilson de Almeida Pereira tem uma vida pessoal que se entrelaça com sua produção acadêmica e literária, dedicando-se à pesquisa, ao ensino e à divulgação da cultura afro-brasileira e da poesia.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Edimilson de Almeida Pereira tem recebido reconhecimento crescente, tanto no meio acadêmico quanto entre leitores interessados em poesia contemporânea e estudos afro-brasileiros. Sua atuação como professor e pesquisador também contribui para a difusão de seu trabalho e de suas ideias.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Edimilson de Almeida Pereira é influenciado por uma rica tradição literária e cultural, que inclui autores afrodescendentes e pensadores que abordam a questão da identidade. Seu legado reside na sua capacidade de articular poesia, crítica e ação social, enriquecendo o panorama literário e intelectual brasileiro com sua perspectiva única.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Sua obra é frequentemente analisada sob a ótica da crítica literária, dos estudos culturais e dos estudos raciais, explorando as múltiplas camadas de significado em seus poemas e ensaios, e sua relevância para a compreensão da sociedade brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A profundidade de sua pesquisa acadêmica sobre temas específicos da cultura afro-brasileira, muitas vezes pouco explorados, revela facetas interessantes de seu percurso intelectual.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Ainda em plena atividade intelectual e literária, Edimilson de Almeida Pereira continua a construir sua memória através de suas obras e de sua atuação pública.

Poemas

17

Retratos de Família - 7 - Intina, Juventina Paula

Segredo não se conta, ê.
Uma pedra cai na água
um ramo molha o cabelo.
No rosário dormem meninos
com os olhos de Zambi.

No silêncio mora, auê.
A coroa de Nossa Senhora
é maior.
No rosário dormem meninos
com os olhos de Zambi.

Sá Rainha Conga
gira no escuro

O segredo, ê.
Sá Rainha Conga não conta
quantos meninos dormem.
No rosário de Nossa Senhora
moram os olhos de Zambi.


Publicado no livro Árvore dos arturos & Outros poemas (1988). Poema integrante da série Árvore dos Arturos.

In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.13
1 204

Capelinha

Ao Adão Pinheiro

Os negros estão chegando
com seus tambores: silêncio.
Os negros cantam velados.

Os Arturos estão chegando
com seus lenços azuis: silêncio.
Os Arturos cantam velados.

Os negros estão chegando
com seus padroeiros: silêncio.
Os negros têm nomes velados.

Os Arturos estão chegando
com seus santos: silêncio.
Os Arturos têm deuses velados.

Os negros Arturos com seus
tambores sagrados. Silêncio,
estão cantando calados.

Os negros Arturos com seus
terços de contas. Silêncio:
são mil negros guardados.


Publicado no livro Árvore dos arturos & Outros poemas (1988). Poema integrante da série Árvore dos Arturos.

In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.124

NOTA: Título original do poema: "Capelinha do Rosário
2 106

Ouro Preto - Roteiro de Interpretação

Ao contemplar o barroco das igrejas
e a rouquidão do ouro, o visitante olhar
não funde o corpo ao tempo: outeiros
tão escuros e não compreende o silêncio
de um totem antes jamais percebido.
O barroco não é o cansaço do ouro
mas o direito do explorado corpo.


In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Ô Lapassi & Outros ritmos de ouvido. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 1990. p.60. (Coleção Prêmio de Literatura UFMG
1 055

Ouvido

O viajante recebe da cobra
um amuleto.

Aprende o riso dos mortos,
das pedras ouve a música.

Roubado em seu segredo
o viajante desaparece.

A cobra muda de veste,
o homem perde o corpo.


Publicado no livro Árvore dos arturos & Outros poemas (1988). Poema integrante da série Contos Africanos: Reinvenção de Imagens.

In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.193

NOTA: Título original do poema: "O Ouvido. Conto de Angola
1 230

Cuidado

"Terra-mãe, água das lagoas e das fontes,
Nanã é também deusa da fertilidade do
solo, do grão que morre e renasce.
... é a deusa dos mistérios."

A terra de tudo, jamais serei outra. Conheço
meus segredos, mas há sempre o nome da flor
nascente que me escapa. São nomes futuros,
sementes e grãos que me entontecem. Ah, a
toda criação me asila em gestos de quase
infinita espera. Sou terra úmida, fonte perdida
entre as folhas. Estimo as raízes que me saem
destino ou flor espetalada.


Publicado no livro O livro de falas ou Kalunbungu: achados da emoção inicial (1987).

In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.20
1 260

O Decifrar Constante

O passar na tarde
apanha o tempo
no infinito recortado.

Um frete oferece
Coco de Cabo Frio
ontem Abacaxi de Marataízes.

As meninas pulam amarelinha
sem nenhum velar profundo
Meninas de Cabo Frio
Meninas de Cabo Frio
Disseram a tristeza passaria
quem o disse passou passou.


Publicado no livro Dormundo (1985).

In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.26
1 339

Magnificat

Porque não há ofício
espero desaparecer.
O vão desejado
poreja
(para aquele tempo,
talvez)
não para a secura
que implode a memória.

O céu virá limpo,
depois.

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Lia Helen Lima de Almeida
Lia Helen Lima de Almeida

Amei suas poesias...Demais, fazem agente reflete.