Emílio de Menezes

Emílio de Menezes

1866–1918 · viveu 51 anos BR BR

Emílio de Menezes foi um poeta, jornalista e político brasileiro, conhecido principalmente por sua participação no movimento simbolista. Sua obra poética é marcada por uma atmosfera de mistério, musicalidade e exploração do inconsciente e do irracional. Além de poeta, foi um intelectual atuante em diversas frentes, contribuindo para a imprensa e para o debate político de seu tempo.

n. 1866-07-04, Curitiba · m. 1918-06-06, Rio de Janeiro

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Tuas Tranças

A'...

Tudo o que eu vejo, me rodeia e fala,
Desde o arrulo das pombinhas mansas
Até dos sinos o tanger monótono,
Venham falar-me de tuas longas tranças...

Ai quantas noites em que o luar flutua
E a brisa geme dos pinheirais nas franças...
Eu vou sozinho, soluçando a medo
Beijar a sobra de tuas negras tranças

Ai... a lembrança dessa noite infinda
Em que voavas na rapidez da valsa
Deixou minh'alma retalhada em dores
Presa nos elos que essa trança enlaça;

É que inda hoje eu conservo intactas
As doces frases do valsar em meio
É que inda agora julgo estar sentindo
Arfar teu seio em delirante anseio;

O doce hálito que exalavas rindo
As meigas falas... o teu sorrir de então
Ai... tudo... tudo para mim recorda
Louca esperança que alimentava em vão.

É que eu nutria essa esperança frívola,
Falsa quimera que se esvai e finda,
É que eu te adoro, te venero, santa
E curto em silêncio essa dor infinda

Por isso eu hei de como sempre amar-te
Preso nas chamas que do ar tu lanças
Dizer-te, sabes o que eu desejo, louco?
— Morrer envolto nas tuas negras tranças.

Dezenove de Dezembro, Curitiba, 28 mar. 1886. p. 3.


In: MENEZES, Emílio de. Obra reunida: Poemas da Morte, Poesias, Últimas Rimas, Mortalhas, Esparsos e Inéditos. Org. Cassiana Lacerda Carollo. Rio de Janeiro: J. Olympio; Curitiba: Secretaria da Cultura e do Esporte do Estado, 1980. Poema integrante da série Esparsos e Inéditos
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Biografia

Identificação e contexto básico

Emílio de Menezes (nome completo: Emílio de Menezes Júnior) foi um poeta, jornalista e político brasileiro. Nasceu em São Paulo. É uma figura proeminente do Simbolismo brasileiro, movimento literário que buscava a exploração do subjetivo, do místico e do musical na poesia. Sua obra reflete as características estéticas e temáticas do Simbolismo, com uma linguagem carregada de sugestão e espiritualidade.

Infância e formação

Sua formação intelectual ocorreu em São Paulo, onde teve contato com as ideias literárias e filosóficas que o influenciaram. A juventude em um ambiente urbano em transformação proporcionou-lhe o cenário para o desenvolvimento de sua sensibilidade artística e de sua visão de mundo.

Percurso literário

O percurso literário de Emílio de Menezes está intrinsecamente ligado ao Simbolismo, movimento do qual foi um dos principais representantes no Brasil. Publicou importantes obras poéticas que o consolidaram como um dos vozes mais originais do período. Sua atuação como jornalista também foi relevante, utilizando a imprensa para divulgar suas ideias e discutir questões literárias e sociais.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Emílio de Menezes incluem coletâneas poéticas que se destacam pela sua atmosfera de mistério, melancolia e espiritualidade. Os temas recorrentes são o amor idealizado, a morte, o sonho, o misticismo e a busca pelo transcendente. Seu estilo é marcado pela musicalidade, pelo uso de sinestesias, pelo vocabulário erudito e pela sugestão, em detrimento da descrição objetiva. A voz poética é frequentemente introspectiva e em busca de um ideal inatingível.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Emílio de Menezes viveu em um período de efervescência cultural e política no Brasil, com o final do século XIX e início do século XX testemunhando a consolidação da República e o surgimento de novos movimentos artísticos. Como simbolista, sua obra dialogava com as tendências europeias do movimento, adaptando-as à realidade brasileira e buscando uma expressão mais subjetiva e espiritual da arte.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Além de sua atividade literária e jornalística, Emílio de Menezes também se envolveu na política. Sua vida pessoal, embora menos documentada em detalhes íntimos, revela um intelectual multifacetado, comprometido com as artes e com as questões de seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Emílio de Menezes é reconhecido como um dos expoentes do Simbolismo brasileiro. Sua obra, embora nem sempre compreendida em sua totalidade pela crítica de sua época, hoje é valorizada por sua originalidade e por sua contribuição para a renovação da poesia brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sua obra foi influenciada por poetas simbolistas europeus, como Baudelaire e Verlaine, e também por autores que exploraram o misticismo e a subjetividade. O legado de Emílio de Menezes reside na introdução de novas sensibilidades e estéticas na poesia brasileira, abrindo caminhos para a exploração do inconsciente e do irracional.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Emílio de Menezes convida a uma interpretação que vá além do aparente, buscando as camadas de significado, o simbolismo das imagens e a musicalidade intrínseca. Sua obra é analisada sob a ótica da psicologia, da filosofia e da estética simbolista.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poucos detalhes são conhecidos sobre curiosidades específicas de sua vida. Sua atuação no jornalismo e na política, ao lado de sua produção poética, demonstra um indivíduo com múltiplos interesses e envolvido com a sociedade de sua época.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Emílio de Menezes faleceu no Rio de Janeiro. Sua obra permanece como um marco importante na história da poesia brasileira, sendo estudada e apreciada por sua originalidade e profundidade.

Poemas

11

Germinal

Passou. A vida é assim: é o temporal que chega,
Ruge, esbraveja e passa, ecoando, serra a serra,
No furioso raivar da indômita refrega
Que as montanhas abala e os troncos desenterra.

Mas o pranto, afinal, que essa cólera encerra
Tomba: é a chuva que cai e que a planície rega;
E a cada gota, ali, cada gérmen se apega
Fecundando, a minar, toda a alagada terra.

Também o coração do convulsivo aperto
Da dor e das paixões, das angústias supremas,
Sente-se livre, após, a um grande choro aberto.

Alma! já que não é mister que ansiosa gemas,
Alma! fecunda enfim nas lágrimas que verto,
Possas tu germinar e florescer em Poemas!


Publicado no livro Poemas da morte (1901).

In: MENEZES, Emílio de. Obra reunida: Poemas da Morte, Poesias, Últimas Rimas, Mortalhas, Esparsos e Inéditos. Org. Cassiana Lacerda Carollo. Rio de Janeiro: J. Olympio; Curitiba: Secretaria da Cultura e do Esporte do Estado, 198
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