Fábio Afonso de Almeida

Fábio Afonso de Almeida

1847–1909 · viveu 61 anos BR BR

Fábio Afonso de Almeida é um poeta cuja obra se distingue pela exploração de temas existenciais e pela lírica introspectiva. A sua escrita, marcada por uma linguagem cuidada e um ritmo cadenciado, convida à reflexão sobre a condição humana, o tempo e a memória. As suas composições poéticas frequentemente evocam paisagens interiores e a complexidade das emoções, estabelecendo um diálogo íntimo com o leitor.

n. 1847-11-30, Santa Bárbara · m. 1909-06-14, Rio de Janeiro

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Madrugada

Que noite estranha aquela.
Vagando sozinho pelas ruas
Sentia ainda na carne teu calor
E no cérebro a dureza das tuas palavras.

A lua pálida, distante
Parecia patética e indiferente
A saltar de beiral em beiral
No cimo das casas antigas.

Parecia zombar:
Vai, seu cabeça oca, vai novamente
Vai encontrar a solidão que te persegue
Chorar mais uma vez o abandono.

Quem te mandou sonhar?

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Biografia

Identificação e contexto básico

Fábio Afonso de Almeida é um poeta contemporâneo.

Infância e formação

Informação sobre a infância e formação de Fábio Afonso de Almeida não está publicamente detalhada.

Percurso literário

O percurso literário de Fábio Afonso de Almeida tem sido marcado pela publicação de obras que exploram a sensibilidade poética e a introspecção.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Fábio Afonso de Almeida caracteriza-se por uma lírica introspectiva e a exploração de temas existenciais. A linguagem utilizada é cuidada e o ritmo das suas composições convida à reflexão sobre a condição humana, o tempo e a memória. As suas poesias frequentemente evocam paisagens interiores e a complexidade das emoções.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Fábio Afonso de Almeida insere-se no panorama literário contemporâneo, dialogando com as sensibilidades e as questões da atualidade.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Fábio Afonso de Almeida não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Fábio Afonso de Almeida tem vindo a consolidar-se através da sua produção literária e da sua presença em círculos literários.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências e o legado de Fábio Afonso de Almeida estão em construção, com a sua obra a contribuir para a poesia contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Fábio Afonso de Almeida convida a múltiplas interpretações, focando-se na profundidade das emoções humanas e na efemeridade da existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos sobre Fábio Afonso de Almeida não são de domínio público.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Como autor vivo, a morte e a memória póstuma de Fábio Afonso de Almeida ainda não são temas de análise.

Poemas

13

Noite

Que noite, minha cara!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito

E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo

Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...

Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes

Mas, não vai, não vai...

Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei

Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!

753

Édrio

Uma sombra entra no bar
Cabelos escorridos, terno barato
Olhos empapuçados e perdidos

Måos que escondem vil tremor
Dentes trincados de medo
E o gesto disfarçado, casual.

O gole. E o corpo arrepia-se numa gastura
Treme da cabeça aos pés. Os olhos inchados voltam para fora
Os olhos piscam ante o sol forte da rua
Em frente ås torres brancas
Da catedral...
Cidade maldita!

Duas torres e um rosto macilento, eu vejo
O jardim sujo em frente, os ônibus, a multidåo
Ah! A química branca e frenética!

Maldita! Maldita!

Escadas de mármore dançando ao sol
Tempo bêbado, ângulos estranhos
Cadedrais tortas da vida.

O solítário sorri dois dentes apenas
Monumental ironia. Escarnece do mundo
E a escadaria se contorce, subindo...

Alguém entende? A catedral tonta
Da cidade maldita. Os insetos da rua
Correm em fuga incerta.
A dor de Deus bebe o mundo.

946

Minutos

Espaços Vivenciados amesquinham
Em torno de sólidos egocentrismos
E excrecências pontiagudas de realidade
Desnudam-se ante o revoluteio incessante
Da possibilidade dos atos e fatos,
Mesmo que as circunstâncias pareçam sempre
Uma concreta e coerente parede.

Oh! Minha alma rude e insensata
Sangra-se ante a dureza branca e Iógica
Do limite incontestável deste muro!
Embora sinta a liquidez mágica
E probabilística destes interiores,
Pensa como pode e bate inutilmente
No fatalismo justo das perspectivas,
Enrolando, passo a passo, os minutos
De um tempo próprio e sem tempo.

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