Fernando Guimarães

Fernando Guimarães

1928–2025 · viveu 97 anos PT PT

Fernando Guimarães é um poeta português contemporâneo, reconhecido pela sua exploração profunda da condição humana, da memória e da passagem do tempo. A sua obra poética, marcada por uma linguagem cuidada e uma sensibilidade ímpar, reflete sobre a fragilidade da existência e a busca por sentido num mundo em constante transformação. Com uma carreira consolidada, o poeta tem vindo a construir um corpo de trabalho que o afirma como uma voz relevante na poesia portuguesa moderna.

n. 1928-02-03, Porto · m. 2025-07-11, Porto

8 970 Visualizações

A Posse

Que súbita suspeita — dália enorme —
passara como a sombra nos teus cílios,
se a manhã chega enquanto de nós foge
o tempo que já tinha destruído.

Um rosto sobre o peito o que escutava?
A canção, um contorno de mamilos
breve, se erguida a curva nas espáduas
era o desejo, e calma, largos rios.

Cabelos desgrenhados, fugitivos,
e vento não havia, ou quase chama
nos rins, na pele, um cancro que consome

este pecado casto, e já os lábios
se fecham, quando rápida ou mais funda
em nós cresceu a ferida dos sentidos.
Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Fernando Guimarães é um poeta português. A sua obra insere-se no contexto da poesia contemporânea portuguesa, marcada por uma reflexão sobre a identidade, a memória e a condição humana.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Fernando Guimarães não estão amplamente disponíveis em fontes públicas, mas o seu percurso literário sugere uma sólida formação humanística e uma profunda imersão na tradição poética.

Percurso literário

O percurso literário de Fernando Guimarães é marcado por uma produção poética consistente e pela participação em diversos eventos literários e publicações. A sua obra tem sido reconhecida pela qualidade e profundidade.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Fernando Guimarães explora temas como a memória, o tempo, a fragilidade da existência e a busca por sentido. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem cuidada, um tom lírico e reflexivo, e uma capacidade de criar imagens poéticas que ressoam com o leitor. Utiliza frequentemente a forma poética para explorar as complexidades da experiência humana, dialogando com a tradição literária, mas imprimindo uma voz marcadamente pessoal e contemporânea.

Contexto cultural e histórico

Fernando Guimarães insere-se no panorama literário português contemporâneo, um período marcado por diversas correntes estéticas e por um diálogo constante com a tradição e a modernidade. A sua obra reflete sensibilidades e preocupações comuns à sua geração de escritores.

Vida pessoal

Detalhes sobre a vida pessoal de Fernando Guimarães não são amplamente divulgados, mas a sua obra sugere uma introspecção profunda e uma sensibilidade aguçada face às experiências humanas.

Reconhecimento e receção

A obra de Fernando Guimarães tem sido objeto de atenção crítica e tem conquistado um lugar de destaque na poesia portuguesa contemporânea. O reconhecimento advém da qualidade literária, da profundidade temática e da originalidade do seu estilo.

Influências e legado

Embora influências específicas possam variar, a obra de Guimarães demonstra uma clara ligação com a tradição poética de língua portuguesa. O seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e reflexiva.

Interpretação e análise crítica

A poesia de Fernando Guimarães convida a múltiplas interpretações, explorando as nuances da memória, a efemeridade do tempo e a busca existencial. A análise crítica tende a focar-se na sua capacidade de evocar emoções profundas através de uma linguagem precisa e evocativa.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Informações sobre aspetos menos conhecidos da vida ou hábitos de escrita de Fernando Guimarães não são facilmente acessíveis.

Morte e memória

Fernando Guimarães é um autor vivo, e a sua memória é construída através da sua obra contínua e do impacto que esta tem na literatura portuguesa.

Poemas

5

A Posse

Que súbita suspeita — dália enorme —
passara como a sombra nos teus cílios,
se a manhã chega enquanto de nós foge
o tempo que já tinha destruído.

Um rosto sobre o peito o que escutava?
A canção, um contorno de mamilos
breve, se erguida a curva nas espáduas
era o desejo, e calma, largos rios.

Cabelos desgrenhados, fugitivos,
e vento não havia, ou quase chama
nos rins, na pele, um cancro que consome

este pecado casto, e já os lábios
se fecham, quando rápida ou mais funda
em nós cresceu a ferida dos sentidos.
758

Poema

Vem esconder dentro de mim,
onde o teu ser a medo principia,
a longa curva sem rosto ou fim
de uma harmonia

que não escutes mas
fique suspensa como uma fonte:
— desenho nu feito das
linhas da tarde e do horizonte…
913

COROAÇÃO DA VIRGEM DE STEFANIO DA VENEZIA

Quem são aqueles que ficam ali reunidos e se submetem
a esta ordem que é a da pintura? Estão sentados. Há filas onde avultam
os rostos cercados pela luz. Podemos dizer que é um trono este lugar
onde descai uma das mãos para o que nos era oferecido? Tudo
o que se espera há-de ficar abrigado por um manto. Encontraremos
finalmente aquilo que se pode ainda receber. Dois rostos
inclinam-se e tornam-se maiores. À sua frente estava suspensa
uma coroa. O seu brilho aproxima-se para não ser diferente
do que se vê todos os dias ao amanhecer. Ela vinha ocupar o centro
deste espaço que se fecha agora em si mesmo. Num dos lados
dispunham-se algumas palavras que podiam ser lidas. No outro, alguém
continuava ajoelhado. A imobilidade permite encontrar outros caminhos.
771

Página

Principiamos a ler. O rosto inclina-se. Ainda separadas,
algumas das letras estremeceram. Tudo aquilo que se sente
é a respiração que fica à sua volta. O ar destina-se às palavras
e também ao silêncio. A luz que chega pode explicar-nos
melhor o que se passa. Os olhos sabem-no. Daí a pressa
com que se aproximaram dela, até se tornar o que se leu
mais nosso. Depois repousamos um pouco. Uma das mãos
estende-se e vai ao encontro de outra página. Esta será maior.
798

ACERCA DE UMA ARANHA

O que se pode dizer? Falemos da sua leveza, dessa espécie de gesto
que a sustenta no ar. Permanece sozinha, para que se encontre
a si mesma. À sua frente estão múltiplos caminhos, mas escolhe
apenas um. Ela procura o centro de qualquer coisa. Aí fica
à espera, atenta como nós quando lemos um livro. Talvez esteja perto
daquilo que há muito se ignorava, de um segredo que a teia
lhe pode revelar quando estremece. Solta-se dela um fio
maior para que a luz venha ao seu encontro. Oscila um pouco
e afasta-se lentamente. É outra a página que se lê agora.
1 262

Livros

1

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.