III - From my villa on the hill I long looked down;
From my villa on the hill I long looked down
Upon the muttering town;
Then one day drew (life sight-sick, dull hope shed)
My toga o'er my head
(The simplest gesture being the greatest thing)
Like a raised wing.
O decorrer dos dias
ACTO IV
O decorrer dos dias
E todo o subjectivo e objectivo
Envelhecer de tudo não me dói
Por sentido, mas sim por ponderado;
Nem ponderado dói, mas apavora.
Tudo tem as raízes na treva
Do mistério e eu sou disso sempre
Demasiado consciente, muito
Atento ao substancial de existir
E à imanência do mistério em tudo.
Cada coisa pra mim é porta aberta
Por onde vejo a mesma escuridão.
Quanto mais olho mais eu compreendo
De quanto é escura aquela escuridão;
E quanto mais o compreendo mais
Me sinto escuro em o compreender .
Desde que despertei para a consciência
Do abismo da morte que me cerca,
Não mais ri nem chorei, porque passei,
Na monstruosidade do sofrer,
Muito além da loucura da que ri
Ou da que chora, monstruosamente
Consciente de tudo e da consciência
Que de tudo horrivelmente tenho.
Todas as máscaras que a alma humana
Para si mesma usa, eu arranquei...
A própria dúvida, trementemente
Arranquei eu de mim, e inda depois
Outra máscara (...) arranquei
Mas o que vi então – essa nudez
Da consciência em mim, como relâmpago
Que tivesse uma voz e uma expressão,
Gelou-me para sempre em outro ser
Do mesmo antes, (...) eu.
Assim a própria dúvida, o horror
Do mistério do mundo já de mim
Foram em alma passados, mais além
Fui, e isso que encontrei e em que me falou
Como que o ser, isso que não tem nome
Claramente e pavidamente vi.
Vi e não compreendi; só compreendi
Que não há forma de pensar ou crer,
De imaginar, sonhar ou de sentir,
Nem rasgo de (...) loucura
Que ouse pôr a alma humana frente a frente
Com isso que uma vez visto e sentido
Me mudou, qual se ao universo o sol
Falhasse súbito, sem duração
No acabar, e num momento tudo
Fosse luz, fosse treva numa como
Que mudança por mais que imediata
Estranha ao tempo. Compreendi
Mas o quê? Quando vi e compreendi
Compreendendo, só na incompreensão
Eu encontro o terror disso que foi
Essa revelação.
Tudo que toma forma ou ilusão
De forma nas palavras não consegue
Dar-me sequer, cerrado em mim o olhar
Do pensamento, a ilusão de ser
Uma expressão disso que não se exprime,
Nem por dizer que não se exprime. Vida,
Ideia, Essência, Transcendência, Ser,
Tudo quanto de vago e prenhe de tudo
Possa ocorrer ao sonho de pensar
Inda que fundamente concebido
Nem pelo horror desse impossível deixa
Transver sombra ou lembrança do que é.
Com que realidade o mundo é sonho.
Com que ironia mais que tudo amarga
Me não confrange fria e negramente
Esta infinita pretensão a ser!
E vi e compreendi, ó alma, e como
Que de compreender morri em mim.
Não há memória que criada fosse
Para servir a ver o que então vi,
Mais fundamente do que em pura alma
Ou consciência pura. E inda que mais
Eu torne a compreender e a ver rasgado
O véu do Inominável Templo, eu
Tornarei sempre a não saber que vi.
A própria consciência abstracta e pura
Não tem poder para ser consciência
Para essa mais do que revelação...
Oh, horror! Oh, horror! Sinto outra vez
Essa frieza precursora n'alma
Da suprema intuição. Ah, não poder
Fora do ser ou do sentir esconder-me!
Ah, não poder gritar, pedir, deixar-me!
Ah, qualquer coisa mais do que uma luz
Vou sentindo que vai breve raiar
De dentro em dentro no (...) ser...
Aproximar (...) da minha alma.
Morte! Treva! (...) a mim! a mim!
(Com um grito pavoroso Fausto atira-se de encontro à parede dando com a cabeça umas duas três vezes até cair no chão inanimado)
FAUSTO:
Febre! Febre! Estou trémulo de febre
E de delírio, e ainda assim é grato
Tudo isto; não sei que se passa
Sem propósito de passar e... não, não, não...
Fiquei fingindo que fujo... Fugirei...
Onde estou? O que foi? que faço aqui?
Arde-me a alma toda, arde-me, arde
Como uma coisa que arde.
(foge de casa)
Ancião, não podes tu
Arranjar-me um remédio para a vida?
Quero vivê-la sem saber que a vivo,
Como tu vives... Corta-me o sorriso
Ou te apunhalo! De que te ris? Não rias!
Dá-me já, dá-me, dá-me filtros (...)
Com que eu me esqueça.
(estende a mão)
Dá cá, não importa
Falar. Tudo é inútil.
(arranca-lhe o frasco da mão)
Atordoar-me-á isto a alma toda
Toda até dentro, muito dentro, velho?
VELHO:
Não te compreendo, mas se é esqueceres
Que queres, bebe.
FAUSTO:
Quero, quero, vamos,
Esqueçamo-nos. Tens algo de mais forte
Para mais do que esquecer; depressa, diz.
VELHO:
Mal te compreendo, mas não tenho.
FAUSTO:
Este
Quer (...) fins.
(bebe sofregamente)
E dormirei, ó velho,
Acabará em mim parte de mim
E viverei morto para viver
E...e...
(cai no chão)
VELHO:
Estranha e horrível criatura!
O que de temor me faz. Todas espécies
De homens conheço, por ciência
Sei ler os vícios íntimos e os crimes
Nos olhares. Mas este... Não é vício
Nem crime, nem tristeza, nem parece
Propriamente pavor, o que obscurece
Como uma escuridão de dentro d'alma,
Toda a vida e expressão de sua face.
E essas palavras de que usa «esquecer
A vida», «mais do que esquecer» «em mim
Acabará então parte de mim»
Que significam? Não sei, mas sinto
Que condizem secreta e intimamente
Com esse íntimo ser que eu não conheço.
Qualquer que seja essa desgraça, estranho,
Dorme e ou esqueça ou aconteça em ti
Isso que semelhante ao esquecer
Desordenadamente me disseste
No teu intimo (...) desejar.
Dorme, e que o filtro opere no silêncio
Da tua alma, obra interior de paz
E que ao descerrares para mim os olhos
Eu lhes veja a expressão já transmutada
Para compreensível e humana
Expressão de um humano sentimento.
(Vai para levantar mas retrai-se.)
Não; dorme onde caíste e que o filtro
Sem sonho ou (...) de alteração
Te adormeça a existência intimamente
E ao escuro desejo que tu tens
(exit)
[3] A Outra Asa do Grifo: AFONSO DE ALBUQUERQUE
A OUTRA ASA DO GRIFO
AFONSO DE ALBUQUERQUE
De pé, sobre os países conquistados
Desce os olhos cansados
De ver o mundo e a injustiça e a sorte.
Não pensa em vida ou morte,
Tão poderoso que não quer o quanto
Pode, que o querer tanto
Calcara mais do que o submisso mundo
Sob o seu passo fundo.
Três impérios do chão lhe a Sorte apanha.
Criou-os como quem desdenha.
26/09/1928
Lembro-me bem do seu olhar.
Lembro-me bem do seu olhar.
Ele atravessa ainda a minha alma,
Como um risco de fogo na noite.
Lembro-me bem do seu olhar. O resto...
Sim o resto parece-se apenas com a vida.
Ontem, passei nas ruas como qualquer pessoa.
Olhei para as montras despreocupadamente
E não encontrei amigos com quem falar.
De repente vi que estava triste, mortalmente triste,
Tão triste que me pareceu que me seria impossível
Viver amanhã, não porque morresse ou me matasse,
Mas porque seria impossível viver amanhã e mais nada.
Fumo, sonho, recostado na poltrona.
Dói-me viver como uma posição incómoda.
Deve haver ilhas lá para o sul das coisas
Onde sofrer seja uma coisa mais suave,
Onde viver custe menos ao pensamento,
E onde a gente possa fechar os olhos e adormecer ao sol
E acordar sem ter que pensar em responsabilidades sociais
Nem no dia do mês ou da semana que é hoje.
Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender,
Um coração exageradamente espontâneo
Que sente tudo o que eu sonho como se fosse real,
Que bate com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta
Canções tristes, como as ruas estreitas quando chove.
O véu das lágrimas não cega.
O véu das lágrimas não cega.
Vejo, a chorar,
O que essa música me entrega –
A mãe que eu tinha, o antigo lar,
A criança que fui,
O horror do tempo, porque flui,
O horror da vida, porque é só matar!
Vejo e adormeço,
Num torpor em que me esqueço
Que existo inda neste mundo que há...
Estou vendo minha mãe tocar.
E essas mãos brancas e pequenas,
Cuja carícia nunca mais me afagará –,
Tocam ao piano, cuidadosas e serenas,
(Meu Deus!)
Un soir à Lima.
Ah, vejo tudo claro!
Estou outra vez ali.
Afasto do luar exterior e raro
Os olhos com que o vi.
Mas quê? Divago e a música acabou...
Divago como sempre divaguei
Sem ter na alma certeza de quem sou,
Nem verdadeira fé ou firme lei
Divago, crio eternidades minhas
Num ópio de memória e de abandono.
Entronizo fantásticas rainhas
Sem para elas ter o trono.
Sonho porque me banho
No rio irreal da música evocada.
Minha alma é uma criança esfarrapada
Que dorme num recanto obscuro.
De meu só tenho,
Na realidade certa e acordada,
Os trapos da minha alma abandonada,
E a cabeça que sonha contra o muro.
Mas, mãe não haverá
Um Deus que me não torne tudo vão,
Um outro mundo em que isso agora está?
Divago ainda: tudo é ilusão.
Un soir à Lima
Quebra-te, coração...
17/09/1935
ELEGIA NA SOMBRA
ELEGIA NA SOMBRA
Lenta, a raça esmorece, e a alegria
É como uma memória de outrem. Passa
Um vento frio na nossa nostalgia
E a nostalgia touca a desgraça.
Pesa em nós o passado e o futuro.
Dorme em nós o presente. E o sonhar
A alma encontra sempre o mesmo muro,
E encontra o mesmo muro ao despertar.
Quem nos roubou a alma? Que bruxedo
De que magia incógnita e suprema
Nos enche as almas de dolência e medo
Nesta hora inútil, apagada e extrema?
Os heróis resplandecem à distância
Num passado impossível de se ver
Com os olhos da fé ou os da ânsia;
Lembramos névoas, sonhos a esquecer.
Que crime outrora feito, que pecado
Nos impôs esta estéril provação
Que é indistintamente nosso fado
Como o sentimos bem no coração?
Que vitória maligna conseguimos –
Em que guerras, com que armas, com que armada? –
Que assim o seu castigo irreal sentimos
Colado aos ossos desta carne errada?
Terra tão linda com heróis tão grandes,
Bom Sol universal localizado
Pelo melhor calor que aqui expandes,
Calor suave e azul só a nós dado.
Tonta beleza dada e glória ida!
Tanta esperança que, depois da glória,
Só conhecem que é fácil a descida
Das encostas anónimas da história!
Tanto, tanto! Que é feito de quem foi?
Ninguém volta? No mundo subterrâneo
Onde a sombria luz por nula dói,
Pesando sobre onde já esteve o crânio,
Não restitui Plutão sob o céu
Um herói ou o ânimo que o faz,
Como Eurídice dada à dor de Orfeu;
Ou restituiu e olhámos para trás?
Nada. Nem fé nem lei, nem mar nem porto.
Só a prolixa estagnação das mágoas,
Como nas tardes baças, no mar morto,
A dolorosa solidão das águas.
Povo sem nexo, raça sem suporte,
Que, agitada, indecisa, nem repare
Em que é raça e que aguarda a própria morte
Como a um comboio expresso que aqui pare.
Torvelinho de doidos, descrença
Da própria consciência de se a ter,
Nada há em nós que, firme e crente, vença
Nossa impossibilidade de querer.
Plagiários da sombra e do abandono,
Registramos, quietos e vazios,
Os sonhos que há antes que venha o sono
E o sono inútil que nos deixa frios.
Oh, que há-de ser de nós? Raça que foi
Como que um novo sol ocidental
Que houve por tipo o aventureiro e o herói
E outrora teve nome Portugal...
(Fala mais baixo! Deixa a tarde ser
Ao menos uma extrema quietação
Que por ser fim faça menos doer
Nosso descompassado coração.
Fala mais baixo! Somos sem remédio,
Salvo se do ermo abismo onde Deus dorme
Nos venha despertar do nosso tédio
Qualquer obscuro sentimento informe.
Silêncio quase? Nada dizes! Calas
A esperança vazia em que te acho,
Pátria. Que doença de teu ser se exala?
Tu nem sabes dormir. Fala mais baixo!)
Ó incerta manhã de nevoeiro
Em que o rei morto vivo tornará
Ao povo ignóbil e o fará inteiro –
És qualquer coisa que Deus quer ou dá?
Quando é a tua Hora e o teu Exemplo?
Quando é que vens, do fundo do que é dado,
Cumprir teu rito, reabrir teu Templo
Vendando os olhos lúcidos do Fado?
Quando é que soa, no deserto de alma
Que Portugal é hoje, sem sentir,
Tua voz, como um balouço de palma
Ao pé do oásis de que possa vir?
Quando é que esta tristeza desconforme
Verá, desfeita a tua cerração,
Surgir um vulto, no nevoeiro informe,
Que nos faço sentir o coração?
Quando? Estagnamos. A melancolia
Das horas sucessivas que a alma tem
Enche de tédio a noite e chega o dia
E o tédio aumenta porque o dia vem.
Pátria, quem te feriu e envenenou?
Quem, com suave e maligno fingimento
Teu coração suposto sossegou
Com abundante e inútil alimento?
Quem faz que durmas mais do que dormias?
Que faz que jazas mais que até aqui?
Aperto as tuas mãos: como estão frias!
Mão do meu ser que tu amas, que é de ti?
Vives, sim, vives porque não morreste...
Mas a vida que vives é um sono
Em que indistintamente o teu ser veste
Todos os sambenitos do abandono.
Dorme, ao menos de vez. O Desejado
Talvez não seja mais que um sonho louco
De quem, por muito ter, Pátria, amado,
Acha que todo o amor por ti é pouco.
Dorme, que eu durmo, só de te saber
Presa da inquietação que não tem nome
E nem revolta ou ânsia sabes ter
Nem da esperança sentes sede ou fome.
Dorme, e a teus pés teus filhos, nós que o somos,
Colheremos, inúteis e cansados,
O agasalho do amor que ainda pomos
Em ter teus pés gloriosos por amados.
Dorme, mãe Pátria, nula e postergada,
E, se um sonho de esperança te surgir,
Não creias nele, porque tudo é nada,
E nunca vem aquilo que há-de vir.
Dorme, que a tarde é finda e a noite vem.
Dorme que as pálpebras do mundo incerto
Baixam solenes, com a dor que têm,
Sobre o mortiço olhar inda desperto.
Dorme que tudo cessa, e tu com tudo,
Quererias viver eternamente,
Ficção eterna ante este espaço mudo
Que é um vácuo azul? Dorme, que nada sente
Nem paira mais no ar, que fora almo
Se não fora a nossa alma erma e vazia,
Que o nosso fado, vento frio e calmo
E a tarde de nós mesmos, baça e fria
Como longínquo sopro altivo e humano
Essa tarde monótona e serena
Em que, ao morrer, o imperador romano
Disse: Fui tudo, nada vale a pena.
02/06/1935
Tudo transcende tudo;
ACTO II
Tudo transcende tudo;
Intimamente longe de si mesmo
E infinitamente, o universo
A si mesmo, existindo, se ilude.
Não é medo que faça estremecer
Nem olhar trás de si, nem recear
Inda que vagamente incoerentemente...
Não tão humano horror: Este é o horror
Do mistério, do incompreendido.
Ah, mas o estremecer do pensamento
É horroroso além de todo o horror.
Já estão em mim exaustas,
Deixando-me transido de horror,
Todas as formas de pensar (...)
O enigma do universo. Já cheguei
A conceber como requinte extremo
Da exausta inteligência que esse Deus,
Que ensinam as igrejas com aqueles
Seus atributos – (...)
(...) – existir realmente
Realmente existir e que houvesse
Mas fosse sonho, e não sonho nosso...
Sim cheguei a aceitar como verdade
O que nos dão por ela, e a admitir
Uma realidade não real
Mas sim sonhada como esse Deus cristão.
Mas isto, cuja ideia formidável
Cheia de horríveis possibilidades
Negra e profunda me (...)
A mente, abandonei, não sem tremer,
No caos do meu ser, onde jazem
Juntamente com ela espectros negros
De soluções passageiras, apavoradoras,
Momentâneas, momentâneos
Sistemas horrorosos, pavorosos,
Repletos de infinito. Formidáveis
Não só por isto mas também por serem
Falhados pensamentos e sistemas
Que por falharem só mais negro fazem
O poder horroroso que os transcende
A todos, infinitamente a todos.
Oh, horror! Oh, mistério! Oh, existência!
Para que lado não me virarei
Onde abrirei os olhos – olhos d'alma –
Que o mistério não me atormente, e eu
Não avance tremendo para ele?
E... Para que falar? O que dizer?
Tudo é horror e o horror é tudo!
Às vezes passam
Em mim relâmpagos do pensamento
Intuitivo e aprofundador
Que angustiadamente me revelam
Momentos dum mistério que apavora;
Duvidosos, deslembrados, confrangem-me
De terror que entontece o pensamento
E vagamente passa, e o meu ser volve
À escuridão e ao menor horror.
No sangue frio que nas veias minhas
Gira, no ar que sorvo, luz que vejo,
Circula, entra, nada-me uma dor;
E eu talvez à ternura outrora afeito
(Se o pensamento me não dominasse),
Sinto – como não sei – a alma mirrada
E pálida no ser.
Não é apenas, (...), o pensamento
Que assim me traz; é o pensamento fundo,
A consciência funda e absoluta
De todos os problemas minuciosos
Do mundo, trans-sentidos no meu ser.
Caminhamos sobre abismos
Ai de quem o sente. A noite, uma noite funda
Cerca-nos, ai de quem conhece
Como ela é funda, como é inescrutável.
Pulsam-me as veias
Alucinadamente e um terror novo
Obtém-me, o terror de mim mesmo.
Cidades, com seus comércios (...)
Tudo é mesmamente estranho, gmesmamente
Descomunal ao pensamento fundo
Estranhamente incompreendido.
Tudo é mistério, tudo é transcendente
Na sua complexidade enorme,
Um raciocínio visionado e exterior,
Uma ordeira misteriosidade,
Silêncio interior cheio de som .
Do horror do mistério são talvez
Símbolos grosseiros esses horrendos
Górgona e Demógorgon fabulosos,
Fatais um pelo aspecto outro no nome.
Neles se vê a ávida ansiedade
De dar em concepção que torturasse
De terror, isso que de vago e estranho,
Atravessando como um arrepio
Do pensamento a solidão, integra
Em luz parcial (...) a negra lucidez
Do mistério supremo. É conhecer,
O erguer desses ídolos de horror,
A existência daquilo que, pensado
A fundo, redemoinha o pensamento
Por loucos vãos, declives de loucura
Despenhadeiros de aflição, confusos
Torturamentos, e o que mais d'angústia
E pavor não se exprime sem que falhe
Na própria concepção o conceber.
É o horror dos horrores esse horror
De haver d'alma um estado, aquele estado
Em que o mistério lhe penetra o abismo,
E não haver palavras ou ideias
Que atinjam esse estado ou comuniquem
D'ideias a ideias o que passa
De vago e horroroso. Do mistério
O pavor é duplo – é o horror em si
O horror que sentimos ao senti-lo.
Este que torna alegre e descuidosa
A loucura, ao seu lado, que ligeiro
Faz parecer tudo que de pavor
Confrange, ou (...), enlouquece,
Esta vacuidade angustiosa
Do pensamento prenhe – quando tento
Lembrar-me que a uma Coisa, Ser real
Corresponde – só essa ideia possível
Me gela a consciência de existir
E me entupe de pavor o fundo
Sentimento do mundo e de mim mesmo.
Deslembro incertamente. Meu passado
Deslembro incertamente. Meu passado
Não sei quem o viveu. Se eu mesmo fui,
Está confusamente deslembrado
E logo em mim enclausurado flui.
Não sei quem fui nem sou. Ignoro tudo.
Só há de meu o que me vê agora –
O campo verde, natural e mudo
Que um vento que não vejo vago aflora.
Sou tão parado em mim que nem o sinto.
Vejo, e onde o vale se ergue para a encosta
Vai meu olhar seguindo o meu instinto
Como quem olha a mesa que está posta.
13/09/1934
VIII - Scarce five years passed ere I passed too.
Scarce five years passed ere I passed too.
Death came and took the child he found.
No god spared, or fate smiled at, so
Small hands, clutching so little round.
Sim, já sei...
Sim, já sei...
Há uma lei
Que manda que no sentir
Haja um seguir
Uma certa estrada
Que leva a nada.
Bem sei. É aquela
Que dizem bela
E definida
Os que na vida
Não querem nada
De qualquer estrada,
Vou no caminho
Que é meu vizinho
Porque não sou
Quem aqui estou.
04/10/1934
pode alguem me ajudar em relacao da referencia de publicao deste livro
Sim Fernando
Amo Fernando Pessoa, e o meu preferido é AQUI NA ORLA DA PRAIA...
O Cosmos descortinado...O sonho coberto de poesias...Assim é Fernando Pessoa.
Great Man ...
e lindo
Tantas citações que poderiam usar, e usam logo uma que a Internet lhe tem atribuído erradamente...
alguem podia me fazer uma interpretação do poema sff?
Gostei do blog
O Fernando Pessoa é um exemplo para qualquer "Pessoa", Rsrsrs.
adorei por ele foi muito emportate eu adorei a historia dele
bem eu acho que ele tem uma forma unica de se expresar apesar de tudo que ele pasou na infancia nao desistiu dos seus sinho em nenhum momento e isso que temos que capitar ou seja jugar mais nossos pensamentos
Fernando Pessoa escreveu com coração as vezes triste outra vez felíz,foi lindo.
È muito entereçante da estoria e das epocas que foram lançadas na quele tau dia e é só obrigado. Ass;ESDRAS.
eu acho que fernando pessoa foi um grande homem porque nao teve uma infancia facil mas nem assim desistiu,saiu do pais aprendeu uma lingua nova e tb renunciou ao seu verdadeiro amor por causa do seu trabalho e da sua profissão. por isso é que ele é um grande poeta e um grande escritor
eu acho que fernando pessoa foi um grande poeta mas tambem um grande homem a nivel pessoal. ja li um dos livros que falava sobre a sua vida e gostei,ele tambem não teve uma infancia facil como nos temos agora por isso é que eu admiro muito o fernando pessoa como escritor e poeta. tambem ele teve que renunciar ao seu verdadeiro amor para proceguir com a sua carreira nós provavelmente nao faria-mos isso.por isso não devemos julgar as pessoas pela sua aparencia fisica mas sim pelo seu interior. eu gosto de fernando pessoa
adoro fernando pessoa, então agora desde que comecei a compreender...
É estremamente profunda, a simplicidade de um toque, o fato de se sentir tocado por uma pessoa que supostamente te faz feliz... é explendido e verdadeiro. Diana.
Que pena!Hoje em dia os jovens não serem apreciadores de uma bôa obra literária.Fernando Pessoa foi um dos poetas mais sincero que tive o prazer de ler,ele se conhecia...
Simplesmente, Fernando Pessoa foi e sempre será um grande mestre da Poesia. Adoro seus poemas, suas crônicas, enfim, tudo o que Ele escreveu.
oi ele e tudo de bom , que ler fernando pessoa ,fica a cada dia melhor como pessoa e aluno .bjs
muito bom vemos grandes sabedorias,belos poemas de muita classe,basta ter bom senso para adimitir seu belo trabalho!!!!
Adorei
O jeito dele de escrever, o seu caráter é raro hoje em dia, ninguém mais se preocupa com a linguagem! Muitos ainda parece que nem sabe o que é isso, nem se interessam com os poemas, que são lindos, e os deles são interessantíssiiiimos!
fdz olha como ela é grande!
é grande, mais vale a pena
Eu amei tudos os poemas E adimiro bastante o poeta Fernando Pessoa ele tem uns poemas Muito lindo que meche com agente Gostei muito mesmo
amei isso e de mais
gostei muito
olha...e bom saber sobre...mas bem q poderia da uma resumida boa nessa boigrafia
gostei muito
eu acho uma poca vergonha andarem a escrever coisas mas de Fernando Pessoa vosses secalhar ja leram os livros dele e gostaram. Olha eu gostei
fernabdo pessoa foi um grande poesta e sera no nosso coralao
Eu acho que ele foi um grande poeta e que sociedade nunca o espuecerá............
horror
Eu nao gostei nada ele é boé cota arranjem alguem novo
Muito lindoo