Gerardo Mello Mourão

Gerardo Mello Mourão

Gerardo Mello Mourão foi um poeta, jornalista e crítico literário brasileiro, figura proeminente da poesia do século XX. A sua obra é marcada por uma linguagem densa e uma profunda reflexão sobre a condição humana, o tempo e a memória. Com um estilo erudito e ao mesmo tempo acessível, Mello Mourão deixou um legado poético significativo, explorando temas universais com uma sensibilidade singular.

1917-01-08 Ipueiras
2007-03-09 Rio de Janeiro
51241
1
3


Alguns Poemas

Àquele tempo a musa pícara

Àquele tempo a musa pícara
ensaiava os tanguinhos brasileiros de Ernesto Nazareth
e oh! que saudades que eu tenho
da aurora da minha vida
ia colher as pitangas
trepava a tirar as mangas
à sombra das bananeiras
debaixo dos laranjais
livre filho das montanhas
eu ia bem satisfeito
de camisa aberta ao peito
pés descalços, braços nus
correndo pelas campinas
à volta das cachoeiras
atrás das asas ligeiras
das borboletas azuis
e surgia ao salto de um peixe de prata na cachoeira
a garganta respondia ao trom das águas
e o reflexo dos mangarás vermelhos se quebrava na lagoa
aos cangapés e deles súbito
o fauno de sete anos relinchava no barranco
erguendo a saia
da menina aguadeira.

Tereza, filha de Damiana, puta da beira do rio, era botadeira de água
e meu primo Francisco aguardava, dia a dia, seus treze anos chegarem
e um braço na cintura e outro na cabeça onde se erguia a cabaça de água limpa
anunciavam seus dois seios e sobre
suas ancas baiadeiras
já Tereza ensinava
o caminho da Grécia e a rua do alto
onde a grande pedra terminava junto à casa de Antônio Pinho e Olívia
na graça de um cabrito Imóvel ao crepúsculo.

Estrela do mar sobre o lago do ventre
estrela de pelos
pentágono pentélicon pentelhos
pentâmetro
pentateuco do amor!

Tereza, filha de Damiana, puta da beira do rio anunciara
o pentâmetro de ouro da canção
ninho da estrela
e o bulício do pássaro da estrela
preparava a lua e o mel
de tua noite.

De longe venho para a possessão
e da lua e do mel e da noite

Tão minha como as terras, as cabras, as novilhas,
os patacões de prata e os rifles de papo-amarelo e os engenhos
de cana e as raparigas essas terras são minhas
e a mais das escrituras de meu avô Major ou de Manuel Mourão
nos cartórios de Tamboril e Ipueiras
sobre elas hei lavrado a escritura de meu canto.

Doação de minha avó, Dona Ana Feitosa:
"Trezentas braças de terra de comprido e outras trezentas braças de largo,
de uma só banda do rio Acaracu, da parte do sul, onde ela, doadora,
tem sua casa de vivenda, com quarenta vacas situadas neste mesmo logar,
ao Senhor Santo Anastácio, para patrimônio de uma capela que se pretende
erigir neste mencionado logar do Tamboril e nela colocar dito santo".

O Capitão encomendara em Pernambuco uma imagem da Senhora Santana,
que seria a padroeira, e os comerciantes do Recife, por engano, mandaram
Santo Anastácio.

De qualquer forma, o chão de Deus foi tirado de minhas braças de terra
e Santo Anastácio, padroeiro por engano,
tem seu logar ao lado de São Gonçalo dos Mourões,
que essas terras são minhas, desde as dezoito léguas de serra na Serra dos Cocos,
de São Gonçalo dos Mourões, até os limites da Serra Azul e o sertão de Bruxaxá,
Borborema, Paraíba,
onde os vaqueiros encourados furam grotas
testemunha José Joffily
no rastro do boi ensebado
e ainda ali assentamos os currais reiúnos e os engenhos de rapadura e cachaça

até o grande sertão que se abre depois da Canabrava dos Mourões,
ao pé da serra dos Mourões do pé-da-serra e se estende pelo Crateús,
Piauí a oeste, e se dilata do antigo cortume de Nova-Russas dos Mourões,
que ali tinham mulheres ruças e éguas ruças, e vai para o sertão do Tamboril
e atravessa os Inhamuns, onde dorme meu pai e chega ao Tauá e à Mombaça
onde os Feitosa somos senhores do Cococi e de outras terras e onde era a minha avó
do país dos Calabaças.

Nesta estrada que o senhor está vendo, onde não há um pé-de-pau
para se descomer atrás, o Major Galdino, seu avô, derrubou a rifle um caboclo
sem prestância. O Major beirava os oitenta, fez pontaria do alto de
rua burra de sela — uma burra baia — e creio que foi a última façanha dele,
das vinte e seis que se conhecem.

Enviávamos às nossas mulheres rosários de ouro e pulseiras
de ouro
e a orelha sangrenta do inimigo
dentro do porta-orelhas de ouro que hoje está entre as
jóias da prima Sinhá.

São minhas essas terras, as vacas, os mandiocais, as casas-de-farinha e os vaqueiros
e suas orelhas e suas fêmeas:
de trinta e duas delas teve filhos o Coronel José de Barros
Mello, chamado o Cascavel, meu tetravô
e os bastardos do General cobrem as terras que são minhas que hei lavrado
em meu canto e sobre elas vou lavrando a escritura de meu canto desde
as ribeiras do Acaracu, do Potí, do Jatobá, até o Parnaíba, o sertão de Oeiras,
Piauí onde o avô de meu avó foi Capitão-Mor, Governador da Província,
Vítor de Barros Galvão,
até o São Francisco onde canta o poeta do país das Gerais,
onde Penedo ergue seus templos de pedra e a flor de pedra
de seus templos de onde viemos

e onde a formosa filha de Alagoas banha o seio moreno:
naquele tempo
meu avô alagoano, o Coronel Martins Chaves,
deu duas léguas de terra a São Francisco e duas arrobas de ouro e prata
à filha núbil e dois bacamartes de coronha lavrada ao genro Carvalhedo
e sobre o voto a São Francisco e sobre
duas arrobas de ouro e prata e sobre
dois bacamartes de coronha lavrada
das Alagoas ao Ceará foi construída
a raça dos Mourões
in illo tempore.

Esta é a bengala de seu avô e esta de toledana
é de meu padrinho Padre Feitosa
e com ela, mais seu avô, mais o velho Alexandre Mourão,
mais oitocentos parentes e cabras das Ipueiras, mais quinhentos do Tamboril
invadimos Crateús para tirar da cadeia nosso primo, o Coronel Giló,
e defender os nossos primos Correia Lima, que estavam se acabando na
política de baixo
e os Correia Lima não podiam se acabar antes de Emília,
a mais bela de seus país.

Naquele tempo
a beleza das mulheres nos fez valentes
e Antônio raptou Maria Veras
e de Alexandre um dia sem esperar foi descoberto e
custou caro — conta ele — o belo amor
e do Piauí ao Maranhão a Pernambueo o sangue de Manuel, de Sinhôsinho,
do Cascavel foi derramado
por amor das mulheres
e por ela e por todas elas, por três, por duas e por uma delas aguardo
militarmente el tiempo
e sirvo o dia e a noite a coice darmas
con el florete de la aventura manchado de sangre no olvidada
e estou de partida e não me parto
e me muero porque no muero
e não quero morrer e sobrevivo

entre os que tombaram à esquerda e à direita
para comer a erva tenra em sua mão
e carregá-lo no lombo e à sombra do plátano
ensinar ao seu ventre a prenhez dos Mourões
ensinar ao seu ventre a prenhez e a dor e o sangue dos Mourões
e a alegria da ressurreição
a alegria dos rapazes e raparigas de Atenas.

Digo o que vi — pois vi os anjos

Digo o que vi — pois vi os anjos
montados no lombo das poldras azuis
galopando nos potreiros ao redor da cidade — e digo
o que ouvi —
pois ouvi dizer que as deusas moribundas
voltavam à adolescência no crepúsculo
e se entregavam aos anjos
no lombo das poldras azuis
e muitas outras coisas sei
de ver e de ouvir dizer
sobre anjos e deuses
alguns deuses:
subi à montante do rio dos jaguares
no dorso dos crocodilos e achei
a nascente das águas — e escanchado
no espinhado dos sáurios
passei a divisa das águas — perguntei
todos os caminhos do mar
ao abismo à espuma à latitude
e à longitude — pois habitei
minha própria lonjura
e meu álibi:
a corrente das águas carregando
a imagem de meu rosto por onde
a figura se configura — pois habito
meus próprios álibis:
ali estou onde desejo estar — e desejo
o caminho de teus rastros onde
confinado e livre
confino o mundo — pois o prisioneiro
engenha a liberdade —
engenheiro
do dia e da noite
aloeste a sudeste a nornordeste
e quem queira encontrar-me há de seguir
a rota dos abismos — pois
incola do abismo — o abismo
é meu porto e minha pátria
ego poeta cidadão do abismo

pois mordi, Apolo, a fruta de teu nome
e, conheci o sal e o mel e o vinagre e a pimenta
da palavra — o sangue
dos seres e das coisas e seu vinho e sou
o bêbado dos abismos onde
veraneio os meses entre
demônios cartomantes:
— um moço louro a traição periga há uns
papéis confusos longas viagens dinheiros
curtos a mulher morena em lágrimas uma solteira
uma casada e lágrimas pela porta da rua
outra mulher mais outra
empalidece e treme o valete de espadas
uma ruiva pela porta da. rua por onde as já
citadas lágrimas risco de morte uma herança uma estrela
seus astres e desastres:

— "embaralhe o baralho" — e a mão astuta
arqueava as cartas e embaralhava os naipes
descia
ao abismo de seus signos cercado
de profecias por todos os lados
pois enxergava sempre a musa ali
e o coração estremecia aos olhos
da pythia alcovitada — e às vezes
fulgurei em seus olhos e em meus olhos
conheci minha verônica
— pois o que sei de mim
sei por uma sibila, pelas cartomantes
pelas ciganas rastreando as linhas
de minha mão
e o que sei do mundo
é o que sei de mim pelos profetas
é o que sei de mim
por ouvir dizer
é o que sei dos defuntos
na lívida escritura de seus rostos hirtos
entre cravos e rosas quando
meus olhos se agoniam sobre
seus pergaminhos — entre
o hieróglifo de seus dedos rúnicos
e o silêncio pulcro de seus lábios rupestres

Mas um dia rompo o meu silêncio — e as rosas
começam a cair de minha boca
as rosas e as estrelas
e os circunstantes atônitos
me tiram reverentes o chapéu
e dobram os joelhos e me beijam os pés
e quando se erguem
escarnecem de mim e de si mesmos

pois já não se vê mais
que a poeira de um rastro
a aparição e a desaparição — e as rosas
voltam a fechar-se em seus botões de silêncio diante
das estejas apagadas pelo sopro do vento
e sou apenas o que fui — e fui
apenas o que serei na boca dos profetas
dos contadores de lendas
eterno
toda vez que as cartomantes inventem
ao olhar de uma trêmula mulher
o perigo de um príncipe a caminho
e na palma da mão entre o monte de Vênus
e a linha do destino — o presságio
de meu nome alegrará um coração que espera
a chegada da esperança.

Não sou — já fui
não fui — serei
serei o que teria sido
num país que carrego nas pupilas
ego, poeta, Pigafetta
meus olhos pisam meu chão
e caminho pisando os próprios olhos
meus pés escrevem no celeste espaço
com o coruscante stil nuovo
do pentestrelo
minha bitácora — pois escrivão
de Capricórnio tenho por nome
meu pseudônimo
—Caramuru
ou Monteverde? —

Naquele tempo

Naquele tempo
o filho dos Mourões era pastor e muitas coisas
pastoreou seu cajado
o bode o cavalo o boi
e os rifles bandoleiros entre
a Canabrava dos Mourões e a Baixa Verde
dos Mourões
e por ali
tangia o pegureiro sua flauta
pastor de anjos tangeu uns tempos
os serafins e os querubins e Querubina
Januzzi à sombra
dos jasmineiros:
pastor das putas sua flauta
gemia nas esquinas e alegrava os bordéis e a
canção de Lesbos
saudava as meninas machas do L’Étoile
(para Paula e Jane)
e a flauta feiticeira
envenenou teus dias
e tuas noites:
de sua melodia
viveram e morreram as amadas e à beira
de suas sepulturas
o pastor das defuntas sopra o choro
pelas que se mataram de amor.

Pastor hei sido em tanto monte, desde
o monte de Vênus ao monte de Sião
e ao monte galego onde damas de copas e espadas
ambulavam na ronda
pastor de moedas — digo o Banco de Crédito
Real —
cordeiro de Deus tonsurado e imolado
naquelas mangedouras
gado inútil cevou-se à ração de meus dias
e os demônios astutos
dançaram sarabanda no monte de Sião —
e as damas
de copas e espadas corriam
do bordel de Helenita ao de Marina
e os lobos devoravam as meninas
dos olhos do pastor
e nada nos foi poupado — Angelo Simões
de Arruda, nada, Efraín,
pois pastor de heróis condottieri e guerrilheiros
tresmalhados todos os rebanhos — Abdias —
restava apenas este pastoreio
das putas e esta flauta
que nunca lhe caiu da boca na viagem
e um dia nesta flauta
apodrecido o canto de cantar
ensaiasse o pastor no sacro bosque
enfeitiçar os animais e as pedras
quem sabe as fêmeas — sempre elas — de
narinas acesas e de ouvidos em flor
esperassem à noite a serenata irresistível
e pedras e serpentes e fêmeas começassem
a chegar arrastados
da doce melodia.

Pange língua gloriosi

Pange língua gloriosi
corporis mysterium:
Bernardo de Clairvaux atravessou os Alpes vinha de
Roma e trazia uma relíquia — o dente de São Cesário
pela Ibiapaba pela Mantiqueira os Pirineus e os Kárpatos
por Lisboa e Padova onde a língua de Antônio — trago
por nova York Buenos Aires e São Paulo
uma relíquia e calem-se
os pregões da Bolsa
trago a língua de Apolo a língua viva e pange a língua
do corpo glorioso o oráculo celeste.

Desce a tarde sobre os ananazes
e as mangabas verdes e os cajus vermelhos
em Feira de Santana:
consulto a bússola
onde o Norte da Musa — ali
é o pomar onde colher a viagem madura
e à sombra das mangueiras
entre as folhas morena
Antonieta Mello fundava a dor sagrada e a flor
do puro coração
e canto agora
aos céus de Mecejana
seu sorriso triste sua lágrima
seu lírio imarcessível enquanto
desçam as tardes sobre os ananazes:
abre, menina, o coração
na serena madrugada,
se o coração não me abrires
eu não sou eu nem sou nada:
pois junto
das de coração alanceado eu sou eu
sou eu
e amor
e dor,
Apolo,
e as amorosas e as dolorosas
sabem meu nome e a porta
de minha casa:
pois canto agora Antonieta Mello e um dia
desta partitura para flauta doce
em tua língua, Apolo, hão de dizer
que entre Alecrim e as Quintas
Antonieta Mello teve um cantor

Pange língua — pois canto no caminho
as coisas e as pessoas do caminho
do país dos Mourões a teu país, Apolo,
e teu país é meu caminho — e meu caminho
é minha residência
— pois
sobre meus pés caminho
e ao longo
de minha sombra —
e minha sombra
responde ao sol e à lua
seu mapa essencial:
não viajo de mim —
nesta fronteira
Ich bin der Markgraf
e o margrave marca
sua fronteira
e sua
fronteira é sua sombra
e habito minha sombra e sou
cartógrafo de seu mapa sob a planta
dos pés limito minha nação
pois natural
de praça e rua de monte e val
a pura sombra
dá deferência — deferimento
ao mero corpo:
ali sou eu onde o luar
defira à noite minha memória
pela raiz de minha sombra onde
o resíduo de meus dias

As viagens viajam a viagem
e além não vou
de minha sombra
sou nela imóvel
— eppur si muove —
e às vezes
passa-mo Apoio as rédeas de seu carro de fogo

E pelo lago
do céu pisando estrelas
até
a lapa do mundo galopavam
os cascos faiscantes:
um dia sobre as areias de Paranaguá
caminhava uma estrela:
para tua cabeça
aluguei uma estrela
para tua cabeça noite dia o diadema
de um beijo
em teus cabelos fulgurei — e o cometa
coruscante na omoplata banhou
o espinhaço moreno

no céu curvo e profundo
fundiu-se e resta
a glória moribunda
de sua coma
desde
até
e um dia me disseste:
"faz um milagre"

escrevia com o dedo sobre a página
"faz um milagre" — pedias
escrevia com o dedo sobre a areia
a rima de seu nome —
"faz um milagre"
e o dedo incandescente ejaculava cometas
à rima de seu nome

In firmamento coeli rorabam coeli desuper
e enquanto
os perfumes perguntam por teu seio
nubes pluant rosam e o trevo
de teu nome responde

no orvalho da madrugada:
poeta, ego
íncola dos trevos — íncola
de um trevo
desde
até
pois alí oh laudes regis — calida latet
el trébol — el trébol
ó oriunda de Calíope

a rosa veste a túnica e um perfume
de talictres silvestres veste o trevo
amante amore amavi amatam
desde as celestes fugitivas
e Carmen (carminum)
até

No caminho de Aretusa

No caminho de Aretusa
Hellas
elas
me iniciaram na língua e no alfabeto da língua:
sabem agora os engenheiros e os empreiteiros:
fui eu o ausente na torre de Babel
guardo a letra o dissílabo o fonema
e as chaves da sintaxe:
— enquanto
os povos se desentendiam em torno
da areia e da argamassa
e esqueciam o verbo e o advérbio
nosotros recusamos
a vã alvenaria
ficamos de serviço, Efraín, com as nove meninas
trabalhando na boca as promessas de amor
em que sois mestre, Apolo:
na sesmaria de violetas e girassóis por onde
o ditongo maiêutico e a vogal eólia
nominam nome e nume
a Euterpe e às outras
ao gavião e à pomba e à brisa
e ao pêssego e à mulher
e ao arco à flecha ao trigo ao vinho à abelha à fava ao favo
e Artemis e Afrodite
e Eleu
theria.

Quem se esqueceu pode lembrar-se
e a semente da letra em sua leiva Linos
faz florescer em Lambda e lírio
— "Do you speak english"?
— "No, darling",
não estive na torre de Babel
lambda loquor et lillia convallium
e entendo a água o ar o fogo o azul
e Lúcia e Laura e Léa
e Luciléa e Lauriléa
e Lucilauriléa
e os cavalos e as éguas relinchando
na madrugada de Pajeú das Flores
e o motim de amor
dos gatos no telhado de Iolanda

Não estive em Babel — estive
em Delfos e em Pentecostes
e a Musa e a Virgem-mãe
Mariamusa — Maria Leto Letícia
repartiram comigo a língua de fogo
e só ela conheço e tenho
o dom da língua
e me entendem o hebreu e o gentío
e seus dialetos voltam
à fonte e à flor
et fons et flos
dos tempos aurorais e a silaba da aurora
posou-me sobre a sílaba dos lábios
beijou-me a boca e neste beijo
lateja o paladar de um deus
e os outros deuses
massacram meu coração e as moiras
me plantam a demência na cabeça:
invejado dos deuses
"invejado a invejar os invejosos" — João —
testemunho a beleza e canto
a possessão de seu corpo
e adúltero da adúltera
choro a noite infiel
Afrodite Helena Eleu
theria
trina teu nome trino
pelas montanhas
do país de Apoio onde pisaste
as amoras maduras

Cobrem- me o palitó as borboletas e as libélulas
e aos lábios sábios de teu nome os beija-flores
chegam e digo
Mel
po
len
me
ne
e é
de mel
a nossa lua
desde

neiro
a janeiro
es
cravo
desse tufo de cravinas
na virilha em flor por onde a sílaba
da rosa pestaneja a pálpebra
e balbucio
o cio
verbo gerúndio e gerundivo
das intatas auroras
videndus videnda videndum videndi
video videmus videtur videbam
visionem
visa visione
ablativo absoluto
declino a Musa
Musae
Musaram
Musis
e o Musageta.

Da balança das águas venho de joelhos

Da balança das águas venho de joelhos
— aeroporto de Caracas —
ego sacerdos — vou me preparando para os ritos:
boa noite, Bolivar,
boa noite, Simón, — Simón Rodriguez
brincando de roda entre as crianças
e duty free e Hilton e Tropical Hotel — e vou
me preparando para
a tática dos ritos o luxo das rubricas litúrgicas
pois à volta das águas
dançam em roda as ruas degoladas e algumas pessoas
constroem o incidente da viagem — indo ou vindo
ou não seguindo mais — e a cabeça
de Balboa busca debalde
talvez os Hiperbóreos — decerto
uma terra e um mar e a terra
e o mar já não são mais entre o canal e a selva
do que o gosto do sal em sua língua
ao sol do Panamá:
resta o gosto do sal na boca
de Balboa e Malpartida e os outros
e vós sois pescadores de peixe e terras e homens
o sal da terra
quodsi sal evanuerit in quo salietur?

Por isso o olfato o paladar os olhos
e um aroma e um sabor e um rastro:
e é dado o signo
e habitamos o semáforo — por isso agora
boa noite, Guatemala — e ali
poderiam pescar-me o coração no rio
de teus cabelos, Antonieta Ovalle, o coração
neste bosque
neste bosque moram terras
mora a terra que roubou meu coração
e repito as pessoas e os lugares que encontro
e aprendi uns seios verdes em Honduras
e ao sol de Dirianbo amadureciam sobre a Nicarágua
as ancas magníficas — pois falo da viagem,
suas pousadas, o itinerário
pedestre
eqüestre
sigo os sinais do trânsito — passeio
passeia Pilar Morelos seu passeio de poldra
pela Avenida Juarez
e alí emprenharei a neta
de Hernán Cortez e a bisneta
de Cuauhtémoc em um leito de rosas
e sou — ego poeta
o guia do turismo o trotador do mundo
no avião da Braniff onde Doris
e no aeroporto de San Antonio — Texas
e em Dallas, Texas, os soldados
negros e ruivos
vão me encontrar erecto e brônzeo —
pois preparo a estratégia da morte
as manobras da vida
o estratagema da beleza
os ritos de Stepterion

— "Na bagagem? "
um coração embrulhado
numa carta de amor
e dois braços de abraçar
e dois lábios de beijar
e Abdias entoado
à canela e ao cravo
e às margaridas de Iemanjá do Nascimento.

E agora
a serpente no ninho de meus olhos
já sou eu mesmo a minha própria bússola
meu próprio ardil
e de tua rosa
brota o vento por onde
chega o chegador à laranja de ouro — chega
ao bote da serpente à seta desferida
chega ao bosque ao mármore
à mão da tecelã e ao fio e à flauta
e ao silêncio e ao canto
e ao beija-flor e ao assobio
e à salamandra e à estrela e ao encontro
da flecha e da serpente e à luz
à luz
Eleu
Eleu
Eleu
theria

Apó
Apol
Apolon
Fototrephos Fotophagos Fotopaidos Febo Apolo
puxam-te o carro de fogo
os capricórnios de fogo
e venho nele ao teu banquete
onde as nove meninas
em conchas de labaredas
servem lagostas de fogo
e verdes folhas de flamas
ego poeta — o diábolos sonoro
conservado em chamas — sou
minha própria fronteira
e tu, amor

a norte a sul
tu nascente e poente
nas lindes crepitantes:
e diz o portulano e ladro sua escrita
pois cartógrafo sou desde o país do Ceará e Mel Redondo
limita-se Ipueiras ao norte pelas
cabras monteses e os montes da Aquitânia
Delfos ao sul por Villaguay e Buenos Aires
e a leste e oeste a serra dos Mourões serranos o Amazonas
o oráculo a nordeste e segue
a linha da Mantiqueira por
Congonhas do Campo e Conceição,
Conceição, José, do Mato Dentro — a sudoeste
as coxas de Afrodite e o mar da Jônia
e os limites por baixo são o chão de Eleusis
e os limites por cima o Pentestrelo
do Cruzeiro do Sul e os Hiperbóreos
e noutras pétalas da rosa-dos-ventos
o mar de La Serena o mar
das Alagoas o mar
da Jônia as ondas
dos cabelos de Artemis
e o ananás e a romã e o buriti a noroeste:
pois a sopro de flauta fui riscando as divisas
num mapa de safiras e limões
e cravos macerados ao sereno
da madrugada de um canto

e viajar viajando
o lombo de teus chãos e tuas águas
é meu destino
chegar chegando:

nome —
profissão —
destino —

o destino —
da cifra de meu código e meus semáforos
oriundo.

Um dia as orquídeas se abriram sobre

Um dia as orquídeas se abriram sobre
olhos oblíquos de Magdalena
antes da âncora da dor numa angra verde
e antes
de partir-se teu rosto da romã
antes, vadio com seu cão e sua flauta
pelos montes o poeta
vadiava e farejava as garrafas de whisky,
a virilha das francesas e eram
baralhos de bacará e roletas de ouro
— a bolinha de marfim
cai no sete
cai no zero
cai no preto
no vermelho
a bolinha de marfim
cai não cai
onde é que cai?

Valencius Wurch, echt deutsch
barão da Pomerânia usava polainas e chapéu
gelô e seu nariz
usava um olho cego de um lado e de outro
um monóculo inútil
e era a glória das namoradas da Rua do Senado

e Monsenhor Manuel Gomes, prelado doméstico
do Papa,
pastoreava o bairro de São Cristóvão
com seu cajado do país da Paraíba
e Manuel Machado, depois doutor em leis, depois
capitão de tropas expedicionárias e herói da Pátria
guardou no coração um estilhaço de granada alemã
e com o belo cravo de sangue de seu peito
visitou a morte num campo da Itália
e tornou, virgem e alegre, à Rua Mem de Sá
e casto ao medo e intemperante ao perigo
o filho dos Mourões
Mourão pastava
adolescentes, cônegos, roletas e janelas de trem
de lira a tiracolo e essas
são notícias da Grécia
do caminho da Grécia
onde às vezes perguntava o sol ao quarto dalva
e Dalva
Dalva Silveira navegava o sargaço nas virilhas
aloeste de seus promontórios trêmulos
dei toda as velas.

Sabia de naus francesas por ali com muita
artilharia e pólvora e abarrotadas de brasil:
fiz a vela no bordo do sul
fui quatro relógios
e ao meio-dia era na esteira da nau
duas léguas dela e não podia cobrar terra
cheguei à nau e primeiro que lhe tirasse
me tirou dois tiros:
antes que fosse noite lhe tirei
três tiros de camelo e três vezes
toda a artilharia: e de noite carregou
tanto o vento lessueste que não pude jogar
senão artelheria meúda — e com ele
pelejamos toda a noite:
em rompendo a alva
mandei um marinheiro ver:
via uma vela — não divisava
se era latina se redonda.

E que me importa a mim que veja ou que não veja
se cumpriu toda
a cerimônia de ver.

E essas são notícias da Grécia
do caminho da Grécia
e o valete bicéfalo tangia
ora a espada ora a lira
ora a esquina ora o mar — e Nilo
Nilo José da Costa achara no subúrbio de
Campo Grande
a lua — e achara seu verdadeiro nome e era
Marcus Sandoval e de suas mãos
antes pendiam o fio da navalha e a tesoura
sábia — e delas
nunca mais rolaram cabelos de macho no salão
de barbeiro rolaram
as mechas da lua fêmea
— lua — disse o vento —
mostra-me a graça feminina
das tuas bailarinas
e ao sopro do luar sussurrando
ao ouvido das árvores quietas
todas as frondes num deslumbramento
bailavam aos levíssimos do vento
o bailado das sombras pelo chão
e Marcus Sandoval penou degredo
na Ilha de Fernando Noronha
Fernam de Loronha a nornordeste
por ouvir o filho dos Mourões
e por tanger espada em vez de cítara
e a morte se hospedou em seus pulmões e dorme
no cemitério de Campo Grande e nunca mais
um soneto foi pedido nos botequins do subúrbio
e nunca mais
o silêncio da noite doeu na serenata
onde andará o violão de José Carlos
e a rouca voz de Orlando Carneiro amigo íntimo
de Jesus Cristo
escande agora em vez da ode os códigos da lei
Meritíssimo Juiz da Vara Cível
trauteia agora a dodecafônica demanda
cite-se o réu — e testemunha
debaixo de vara sou citado
e desde as 7 horas do dia, Pero Lopes, até o sol
posto
pelejamos sempre: a nau me deu dentro
na caravela trinta e dois tiros
quebrou-me muitos aparelhos e rompeu-me
as velas todas:
estando eu assim com a nau tomada chegou
o Capitão Irmão com os outros navios e Francisco
Francisco da Gama Lima
servia o mel e o pão o coração fraterno
de José Ribas e fazia o pelo sinal da santa cruz
com a mesma lágrima e o mesmo mel
junto ao cadáver de Anísio Teixeira
onde era o pranto da filha derelicta.

E vinha a nau do Capitão com Pedro Maranduba
carregado de brasil
trazia muita artelheria e outra muita munição
de guerra
por lhes faltar pólvora se deram —
na nau não demos mais que uma bombarda
com um pedreiro ao lume dágua:
com a artelheria meúda lhe ferimos seis homens
na caravela me não mataram nem feriram
nenhum homem — de que
dei muitas graças ao Senhor Deus.

Noroeste e sulsueste se corria:
ao longo da nau eram tudo barreiras vermelhas
vieram da terra a nado às naus
índios a perguntar-nos
se queríamos Brasil:
carregado de Brasil
quero Brasil e as naus
carregadas de Brasil
se preciso, com muita artilharia e bombarda e ainda
abalroar as naus estrangeiras quebrar
a espada aos coronéis piratas e passá-los
a fio de espada boa e partir
a caminho da Grécia em nossa caravela
abarrotada de Brasil com Pero Lopes de Souza
e de seus bagos venho,
com grande lastro de Brasil.

Ao sair da lua abonançou-se o vento
e era o quarto da prima
formosa
no mar de seus cabelos Dora
Maria Mourão — Dora Correia Lima
no quarto da modorra no Leblon
era meio-dia e parecia noite
e o relâmpago de ouro de teus olhos
cortava a tempestade dos cabelos
e o mar tão grosso me entrava
por todas as partes com
o jogar da nau de ventre liso
Dora afagada à brisa ao faro das narinas:
houve vista de montes
e era mui alta a maravilha
em teu monte de relva
e hoje me faz dela
dez léguas e dez línguas noroleste
a costa se corre nornordeste e susudeste — Dora —
e toda longa ao longo do mar
no sertão serras mui altas e formosas
haverá delas ao mar dez léguas — e a lugares,
menos
e haveria às altas e formosas colinas tuas dez
beijos aos teus seios
e a lugares, menos,
e à noite veio o piloto-mor no esquife e súbito
são dez mil léguas de memória a esses seios
e a lugares, mais.

Perfundo de cinqüenta braças dárea limpa
o cabo de pareel que jaz ao mar
da banda sudoeste aloeste e a tuas partes
loessudoeste:
quando fui fora do parcel
eram serras mui altas sudoeste
sob a cintura túrgidas redondas
à mercê de tomar prumo
e com Mercedes Martins a prumo
vou mordendo a maçã em labirinto e mar
a caminho da Grécia onde esperavam entre
orquídeas
olhos oblíquos de Magdalena.

Restauração em Cristo

Não é verdade que a Igreja Católica tenha sido sempre um braço do poder ou das classes dominantes

GERARDO MELLO MOURÃO
O poeta Murilo Mendes, católico de confissão e católico militante, empreendeu ao lado de Jorge de Lima, lá nos anos 30, o movimento que foi um dos momentos mais altos da revolução de nossas letras, sob uma consigna singular: a ``restauração da poesia em Cristo. Projetada ao longo da obra dos dois poetas, a ``restauração apregoada desaguou, afinal, na cantata estupenda da ``Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, que o juízo praticamente unânime da melhor crítica, nacional e estrangeira, considera a obra poética mais importante da literatura brasileira em todos os tempos.
O nome de Murilo Mendes entra aqui não como uma instância poética, mas como uma referência para debater a suposta crise que algumas pobres perdições ideológicas atribuem, no Brasil, ao cristianismo em geral e à Igreja Católica em particular. No século passado, e ainda no primeiro quartel deste século, estava na moda ser anticlerical e atacar a igreja, como lembrava Jorge Luís Borges, referindo-se a seu próprio pai.
Todo mundo contava anedotas de padres corruptos, cheios de mulheres e de filhos, como se isso fosse razão para execrar a igreja. Uma tarde, um sujeito aproximou-se de Murilo Mendes, numa esquina do Rio, para apontar-lhe um padre que saía de um banco, com sua rica batina de seda. Naquele tempo, a Cúria ainda não cometera o equívoco de abolir as vestes talares. O indivíduo agarrou o braço do poeta e gritou-lhe: ``Como é que você tem coragem de ser católico, quando todo mundo sabe que padres como este têm uma amante e guardam uma fortuna nos bancos?
``Pois eu sei mais do que isto, respondeu o poeta. ``Sei até de bispos, cardeais e papas que não tinham apenas uma amante.
Tinham haréns. E não possuíam apenas uma pobre conta de banco. Eram donos de castelos, palácios e empresas. E, para mim, esta é uma das provas mais claras da divindade da igreja, que sobrevive, com seus santos e mártires, há 2.000 anos, apesar de formada e até dirigida às vezes por alguns patifes. No Brasil, grupos anacrônicos estão empenhados, em nossos dias, numa campanha de demolição da Igreja Católica e da fé cristã em geral, embora a grande maioria silenciosa, em todo o Ocidente, continue fiel ao cristianismo. São cerca de 90 os cristãos na Europa e nas Américas.
Pois, apesar disso, recentemente destaca-se, na grande imprensa, como um acontecimento estrondoso, um ``happening do sr.
Leonardo Boff, no Centro Cultural Banco do Brasil, em que aquele frade goliardo e desertor de seu juramento anuncia o fim da Igreja Católica. Pelo menos da igreja como a entendem o papa, a hierarquia e os fiéis.
Os jornais apresentam como um triunfo do frei gaudério, cornaca maior da Teologia da Libertação, a presença de 400 pessoas no auditório do Banco do Brasil, em evento pago com dinheiro meu e do leitor, por meio dos R$ 8 bilhões com que o Banco do Brasil socorreu, recentemente, aquela combalida casa bancária da República. Quatrocentas pessoas é um bom público para o Boff.
Mas o ``bispo Macedo reúne muito mais...
A promessa da fé ao ser humano não é a libertação do salário mínimo e dos juros altos, mas do pecado, do mal que tolda a limpidez da alma. A igreja é uma agência espiritual da fé, não um birô do salário mínimo nem da reforma agrária e outros instrumentos do convívio social, próprios do governo político.
Depositária do testamento de seu fundador, Jesus Cristo, ela não é e nunca foi indiferente às práticas da injustiça e das tiranias. Mas não cabe aos fiéis ou aos sacerdotes o exercício do governo político e econômico. Os que pretendem atribuir à Igreja Católica o monopólio da justiça temporal são partidários de uma teocracia semelhante à dos xiitas, dos ``mullahs e dos aiatolás de Khomeini.
Também não é verdade, como sustenta o Boff do Centro Cultural Banco do Brasil, onde já se montaram comédias mais originais, que a igreja tenha sido sempre um braço do poder ou das classes dominantes. A igreja não nasceu em Medellín, como pensa o Boff.
Nasceu com um menino num curral em Belém de Judá, cresceu numa oficina de carpinteiro e com um grupo de homens e mulheres do povo. A história de sua luta contra os poderosos começa nos tribunais de Anás e Caifás, atravessa os impérios, tem momentos fulgurantes na Idade Média, na Renascença e no Iluminismo. Conhece o martírio e a perseguição na Revolução Francesa e nas repúblicas marxistas. Aqui mesmo, durante a monarquia, dois bispos vão para a cadeia, condenados a trabalhos forçados, por defenderem a liberdade de expressão. É um vilipêndio à memória desses bispos e uma injúria aos mais de 200 padres fuzilados nas revoluções nordestinas a acusação de que a igreja a que pertenciam estava a serviço do estabelecimento político ou econômico. Foram, isso sim, mártires da liberdade e da justiça, na luta pela restauração da sociedade em Cristo, tarefa da igreja, ontem e hoje. Coisa muito diferente da insensatez de instaurar um clero de aiatolás e frades sindicais, que querem tomar o lugar do Vicentinho, do Medeiros e do Canindé.
Gerardo Mello Mourão, 75, poeta e escritor, é membro da Academia Brasileira de Filosofia e do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura. Foi professor de história e cultura da América na Universidade Católica do Chile (1964-67) e correspondente da Folha em Pequim (China) de 1980 a 82.
(in Folha de São Paulo 10/10/96

Leia obra sobre Jorge de Lima

GERARDO MELLO MOURÃO: INVENÇÃO DO MAR - LITERATO
Gerardo Mello Mourão - - Era uma vez o cheiro dos cajás...
Memória Política = Gerardo de Mello Mourão
Gerardo Mello Mourão,Obra: Cânon e Fuga Poemas - Vídeo 4
"Ladainha do Morto" poema de Gerardo Mello Mourão musicado por Cabelo
"Ladainha do Morto" poema de Gerardo Mello Mourão musicado por Cabelo (live)
Gerardo Mello Mourão - Na paisagem uma árvore. E seu lance...
Entrevista com Gerardo Mello Mourão.
Gerardo Mello Mourão - Iam caindo: à esquerda e à direita iam caindo...
Gerardo Mello Mourão
Gerardo Mello Mourão,Obra: Cânon e Fuga Poemas - Vídeo 1
Gerardo Mello Mourão: a poesia épica e sua releitura lírica
Gerardo Mello Mourão ,Obra: Cânon e Fuga Poemas - Video 2
Gerardo Mello Mourão,Obra: Cânon e Fuga Poemas - Vídeo 3
Gerardo Mello Mourão
Iam caindo - Gerardo Mello Mourão (Extrato de majestoso poema autobiográfico)
Gerardo Mello Mourão e a Utopia Brasil
"O QUE AS SEREIAS DIZIAM A ULISSES NA NOITE DO MAR" , recita Gerardo Mello Mourão um , grande poeta
En 2007 muere en Brasil, el escritor Gerardo Melo Mourao, autor de “O Valete de Espadas"
Gerardo Mello Mourão comentando sobre o Integralismo
Guilherme Zarvos recitando Gerardo Mello Mourão
"Invenção do Mar", Marlus recita Gerardo Mello Mourão
Poesia de Segunda 2017 | Gerardo Mello Mourão
Apresentação da Nossa EEM Gerardo Magella Mello Mourão
Discurso Gerardo Mello Mourão em Encontro de Redentoristas
Quem foi Tunga? – Tunga: conjunções magnéticas
O que as sereias diziam a Ulisses na noite do mar | Gerardo Mello Mourão
INVENÇÃO DA POESIA - poema de José Inácio Vieira de Melo (JIVM)
70 anos do Instituto Rio Branco – Embaixador Gonçalo Mourão
A arte enquanto expressão poética - Rupi Kaur, Cecília Meireles, Picasso e Caravaggio
Live - 28 01 - DICAS DE LIVROS E DE AUTORES
Desconstrução da arte - O que é? Ela realmente existe?
ST86 S1 VERSÕES DA LUSOFONIA
#9 Conversas nos bastidores - O ofício do artista
Showreel Documentários
Como escrever poesia - Um comentário sobre o poema "imitação", de Pedro Lucas Rego
Zuenir Ventura é o destaque de Impressões do Brasil - Impressões do Brasil
Apresentação, 4° Festival Artístico Literário da EEM Gerardo Majella Mello Mourão
3º DIA - NOVENA DE SÃO GERALDO
5º DIA - NOVENA DE SÃO GERALDO
Casamento Matuto EEM Gerardo Majella Mello Mourão
CRE - Comissão de Relações Exteriores - 10/12/2015
Aula 22/05 3º ano Literatura - Literatura contemporânea
Jeca tatu, gerardo majella mello mourão
Chacal e Guilherme Zarvos, Rev. Literária, de Marcos Ribeiro
6º DIA - NOVENA DE SÃO GERALDO
O canto da Sereia
9º DIA - NOVENA DE SÃO GERALDO
Literatura e formação individual
Por que é preciso estudar Ditadura Civil e militar no Brasil?

Quem Gosta

Seguidores