Jorge de Lima

Jorge de Lima

1893–1953 · viveu 60 anos BR BR

Jorge de Lima foi um poeta, médico e romancista brasileiro, figura central da segunda geração do Modernismo no Brasil. Sua obra é marcada por uma profunda religiosidade, pela exploração da linguagem e pela influência de correntes estéticas diversas, como o Simbolismo e o Surrealismo. Iniciou com uma poesia de cunho regionalista e evoluiu para experimentações formais e temáticas universais, abordando o sagrado, o profano, o amor e a morte com maestria.

n. 1893-04-23, União dos Palmares · m. 1953-11-15, Rio de Janeiro

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Mulher Proletária

Mulher proletária — única fábrica
que o operário tem, (fabrica filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.

Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar o teu proprietário.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Jorge de Lima foi um poeta, romancista, contista e médico brasileiro. Nasceu em União dos Palmares, Alagoas, e faleceu no Rio de Janeiro. Pseudônimos ou heterónimos não são proeminentes em sua obra. Sua origem familiar era ligada à elite agrária de Alagoas, e seu contexto cultural inicial era marcado pela tradição rural e pela religiosidade. Sua nacionalidade era brasileira e a língua de escrita era o português. Viveu em um período de significativas transformações sociais e políticas no Brasil, com a consolidação da República e os movimentos modernistas.

Infância e formação

Jorge de Lima teve uma infância em Alagoas, onde sua família possuía engenhos de açúcar. Recebeu uma educação formal e também teve contato com a cultura popular e religiosa de sua região. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar Medicina, onde se formou em 1921. Durante seus estudos, entrou em contato com as vanguardas literárias europeias e com os primeiros movimentos modernistas brasileiros, que influenciaram profundamente sua visão artística.

Percurso literário

O início da escrita de Jorge de Lima remonta à sua juventude, com a publicação de "O Mundo do Menino Impossível" em 1925. Sua obra evoluiu consideravelmente ao longo do tempo, passando por diversas fases. Inicialmente, sua poesia era marcada por um regionalismo lírico e por temas ligados à infância e à terra natal. Posteriormente, sua obra ganhou contornos mais experimentais, com forte influência do Surrealismo e do Simbolismo, explorando o onírico, o misticismo e a condição humana. Colaborou em diversas revistas literárias e foi tradutor e crítico literário.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Jorge de Lima incluem "O Mundo do Menino Impossível" (1925), "Poemas Negros" (1947), "A Túnica Inconsútil" (1938), "Invenção de Orfeu" (1952), entre outras. Seus temas dominantes são a religiosidade (tanto cristã quanto mística), o amor, a morte, a infância, a natureza, a identidade e a busca pelo sagrado. Em termos de forma, Jorge de Lima experimentou bastante, utilizando desde o verso livre até formas mais complexas e elaboradas, demonstrando grande domínio da métrica e do ritmo. Seus recursos poéticos são ricos em metáforas, imagens sensoriais e musicalidade. O tom de sua voz poética varia entre o lírico, o místico, o elegíaco e o épico, especialmente em "Invenção de Orfeu". Sua linguagem é densa, imagética e frequentemente surpreendente, com um vocabulário que transita entre o arcaico e o moderno. Introduziu inovações formais e temáticas que o consolidaram como um dos grandes nomes da poesia brasileira do século XX. Sua obra dialoga com a tradição literária, mas também com as vanguardas modernas, associando-o ao Modernismo brasileiro, com fortes inclinações simbolistas e surrealistas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Jorge de Lima viveu em um período de grande efervescência cultural no Brasil, coincidindo com os diferentes momentos do Modernismo. Sua obra dialogou com escritores de sua geração e de gerações posteriores, como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Murilo Mendes. Sua formação médica e sua religiosidade também moldaram sua visão de mundo e sua produção literária. O contexto histórico de transformações sociais, políticas e culturais do Brasil o influenciou, refletindo em sua obra a busca por uma identidade nacional e a exploração de temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Jorge de Lima foi casado e teve filhos. Sua profissão como médico o colocou em contato direto com o sofrimento humano, o que se reflete em sua poesia. Sua profunda religiosidade, com um forte componente místico, foi uma marca de sua vida e de sua obra. Não há relatos de grandes rivalidades literárias, mas sim de admiração e diálogo com outros poetas. Suas crenças religiosas e filosóficas foram centrais em sua concepção de vida e arte.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Jorge de Lima é amplamente reconhecido como um dos poetas mais importantes do Modernismo brasileiro. Sua obra "Invenção de Orfeu" recebeu o Prêmio Jabuti em 1953. Seu reconhecimento crítico tem sido crescente ao longo do tempo, com estudos acadêmicos dedicados a analisar a complexidade e a profundidade de sua poesia. É considerado um nome fundamental no cânone da literatura brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Jorge de Lima foi influenciado por poetas simbolistas franceses, como Baudelaire e Verlaine, e por movimentos como o Surrealismo. Seu legado é imenso, com sua poesia influenciando gerações posteriores de escritores pela sua ousadia formal, pela profundidade de seus temas e pela sua capacidade de fundir o sagrado e o profano. Sua obra continua a ser objeto de estudo e admiração, consolidando-se como um marco na literatura em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Jorge de Lima permite diversas interpretações, especialmente em relação à sua complexa religiosidade e à sua exploração do inconsciente. Poemas como os de "Poemas Negros" e "Invenção de Orfeu" são centrais para análises críticas que abordam a dualidade humana, a busca pela transcendência e a condição existencial. Sua poesia é frequentemente vista como um diálogo entre a fé e a dúvida, o corpo e o espírito.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre Jorge de Lima é sua relação com o misticismo e sua busca por uma poesia que pudesse expressar o indizível. Ele tinha o hábito de escrever em cadernos e possuía uma vasta biblioteca. Seu interesse pela cultura afro-brasileira, presente em "Poemas Negros", é um aspeto marcante e inovador de sua obra. A fundação de um jornal literário em Alagoas na sua juventude também demonstra seu early engajamento com a literatura.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Jorge de Lima faleceu em 21 de fevereiro de 1953, no Rio de Janeiro. Publicações póstumas de seus escritos, como "A Sombra das Arálias" (1953), continuaram a expandir o conhecimento sobre sua obra. Sua memória é perpetuada através de estudos, antologias e pela relevância de sua poesia no panorama literário brasileiro.

Poemas

14

Inverno

Zefa, chegou o inverno!
Formigas de asas e tanajuras!
Chegou o inverno!
Lama e mais lama
chuva e mais chuva, Zefa!
Vai nascer tudo, Zefa,
Vai haver verde,
verde do bom,
verde nos galhos,
verde na terra,
verde em ti, Zefa,
que eu quero bem!
Formigas de asas e tanajuras!
O rio cheio,
barrigas cheias,
mulheres cheias, Zefa!
Águas nas locas,
pitus gostosos,
carás, cabojés,
e chuva e mais chuva!
Vai nascer tudo
milho, feijão,
até de novo
teu coração, Zefa!
Formigas de asas e tanajuras!
Chegou o inverno!
Chuva e mais chuva!
Vai casar, tudo,
moça e viúva!
Chegou o inverno
Covas bem fundas
pra enterrar cana:
cana caiana e flor de Cuba!
Terra tão mole
que as enxadas
nelas se afundam
com olho e tudo!
Leite e mais leite
pra requeijões!
Cargas de imbu!
Em junho o milho,
milho e canjica
pra São João!
E tudo isto, Zefa...
E mais gostoso
que tudo isso:
noites de frio,
lá f ora o escuro,
lá fora a chuva,
trovão, corisco,
terras caídas,
córgos gemendo,
os caborés gemendo,
os caborés piando, Zefa!
Os cururus cantando, Zefa!
Dentro da nossa
casa de palha:
carne de sol
chia nas brasas,
farinha dágua,
café, cigarro,
cachaça, Zefa...
...rede gemendo...
Tempo gostoso!
Vai nascer tudo!
Lá fora a chuva,
chuva e mais chuva,
trovão, corisco,
terras caídas
e vento e chuva,
chuva e mais chuva!
Mas tudo isso, Zefa,
vamos dizer,
só com os poderes
de Jesus Cristo!

8 759

Madorna de Iaiá

Iaiá está
na rede de tucum.
A mucama de Iaiá tange os piuns,
Balança a rede,
Canta um lundum
Tão bambo, tão molengo, tão dengoso,
Que Iaiá tem vontade de dormir

Com quem?

Rem-rem.

Que preguiça, que calor!
Iaiá tira a camisa,
Toma aluá
Prende o cocó,
Limpa o suor
Pula pra rede.

Mas que cheiro gostoso tem Iaiá!
Que vontade doida de dormir,,,

Com quem?

Cheiro de mel da casa das caldeiras!
O saguim de Iaiá dorme num coco.

Iaiá ferra no sono
Pende a cabeça,
Abre-se a rede
Como uma ingá.

Para a mucama de cantar,
Tange os piuns,
Cala o ram-rem,
Abre a janela,
Olha o curral:
- um bruto sossego no curral!

Muito longe uma peitica faz si-dó....
Si-dó.....si-dó......si-dó....

Antes que Iaiá corte a madorna
A moleca de Iaiá
Balança a rede,
Tange os piuns,
Canta um lundum
Tão bambo,
Tão molengo,
Tão dengoso,
Que Iaiá sem se acordar,
Se coça,
Se estira
E se abre toda, na rede de tucum.

Sonha com quem?

4 140

Cristo Redentor do Corcovado

O avô
de minha avó
Morreu também corcovado
Carregando um cristo de maçaranduba
Que protegia os passos vagarosos da família.

Arranjei velocidade.
Virei homem de cimento armado.

Adoro esse Cristo turista
De braços abertos
Que procura equilíbrio
Na montanha brasileira.

Os homens de fé têm esperança n Ele,
Porque Ele é ligeiro, porque Ele é ubíquo,
Porque Ele é imutável.

Ele acompanha o homem de cimento armado
Através de todas as substancias,
Através de todas as perspectivas,
Através de todas as distancias
5 237

Essa Infanta

Essa infanta boreal era a defunta
em noturna pavana sempre ungida,
colorida de galos silenciosos,
extrema-ungida de óleos renovados.

Hoje é rosa distante prenunciada,
cujos cabelos de Altair são dela;
dela é a visão dos homens subterrâneos,
consolo como chuva desejada.

Tendo-a a insônia dos tempos despertado,
ontem houve enforcados, hoje guerras,
amanhã surgirão campos mais mortos.

Ó antípodas, ó pólos, somos trégua,
reconciliemo-nos na noite dessa
eterna infanta para sempre amada.

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Comentários (1)

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Umapessoaaleatoria
Umapessoaaleatoria

Eu q n sou besta preucurei um poema curto pro trabalho da escola kkkk