José Paulo Paes

José Paulo Paes

1926–1998 · viveu 72 anos BR BR

José Paulo Paes foi um poeta, tradutor e professor brasileiro, conhecido por sua poesia concisa, lírica e muitas vezes lúdica, especialmente voltada para o público infantil, mas com profundidade que alcança todos os públicos. Sua obra se destaca pela musicalidade, pela experimentação com a linguagem e pela capacidade de evocar imagens poderosas com poucos versos. Foi um importante divulgador da poesia e da cultura.

n. 1926-07-22, Taquaritinga · m. 1998-10-09, São Paulo

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Convite

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
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Biografia

Identificação e contexto básico

José Paulo Lébeis Paes, conhecido como José Paulo Paes, foi um poeta, tradutor, contista, ensaísta, professor e advogado brasileiro. Nasceu em em 9 de setembro de 1926 e faleceu em São Paulo, em 7 de julho de 1998. Filho de Antônio Lins Paes e Maria Elvira Paes. Teve uma ligação profunda com a cidade de São Paulo, onde construiu sua carreira. Escreveu em português.

Infância e formação

Teve uma infância marcada pela leitura e pelo aprendizado autodidata. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, mas sua paixão sempre foi a literatura. Desde cedo, demonstrou um grande interesse pela poesia, absorvendo influências de diversos autores e movimentos literários. Sua formação cultural foi ampla, com especial atenção à poesia.

Percurso literário

Iniciou sua carreira literária com a publicação de poemas em jornais e revistas. Aos 23 anos, publicou seu primeiro livro de poesia, "Poemas" (1949). Ao longo de sua vida, sua obra evoluiu com uma constante busca pela experimentação e pela clareza. Foi um ativo tradutor de poesia de diversas línguas, trazendo para o português obras de autores como Federico García Lorca, Walt Whitman e Pablo Neruda. Foi também professor e editor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias José Paulo Paes é autor de mais de 20 livros de poesia, incluindo "Poesia em Vigília" (1951), "Oração para Tomar o Rosto" (1956), "Os Andarilhos" (1960), "Poemas Escolhidos" (1973), "Poesia Reunida" (1995), e livros infantis como "O Menino e o Rio" (1976) e "A Casa e o Menino" (1991). Sua poesia é marcada pela concisão, pelo lirismo, pela musicalidade e pela leveza, mesmo quando trata de temas sérios. Frequentemente utiliza a metáfora e a metonímia de forma criativa e surpreendente. O verso livre é comum em sua obra, mas com um senso rítmico apurado. Sua linguagem é clara, acessível e ao mesmo tempo profunda, capaz de evocar imagens vivas e sensações sutis. A ironia e o humor estão presentes, especialmente em sua poesia para crianças.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico José Paulo Paes viveu em um período de grandes transformações no Brasil, incluindo o regime militar. Ele se manteve distante de posições políticas explícitas em sua obra, focando mais na universalidade dos sentimentos humanos e na beleza da linguagem. Foi um nome importante no cenário cultural paulistano, participando de debates e eventos literários. Sua geração se caracterizou por uma busca por novas formas de expressão poética.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Casado com Marly de Moraes Paes, teve uma vida dedicada à literatura, seja escrevendo, traduzindo ou ensinando. Sua profissão de advogado foi paralela à sua paixão pela poesia. Era conhecido por sua discrição e pela sua gentileza, qualidades que transparecem em sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção José Paulo Paes recebeu diversos prêmios literários ao longo de sua carreira, como o Prêmio Jabuti em várias ocasiões, tanto como poeta quanto como tradutor. Sua obra é amplamente divulgada em escolas e universidades, sendo um dos poetas mais lidos e apreciados no Brasil, especialmente sua poesia infantil, que transcende a faixa etária. Sua tradução de "O Corvo", de Edgar Allan Poe, é considerada um marco.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciado por poetas como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, Walt Whitman e pela tradição da poesia oriental, José Paulo Paes criou um estilo próprio, marcado pela concisão e pela beleza imagética. Seu legado é imenso, especialmente pela sua contribuição à poesia infantil brasileira e pela qualidade de suas traduções. Ele abriu caminhos para uma poesia mais acessível e ao mesmo tempo rica em significados.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de José Paulo Paes é frequentemente analisada por sua capacidade de equilibrar simplicidade e profundidade, lirismo e concretude. Suas metáforas são comentadas por sua originalidade e força evocativa. A crítica destaca sua habilidade em capturar a essência das coisas e dos sentimentos com poucos versos, tornando sua poesia um convite à reflexão e à contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre José Paulo Paes é a sua forte ligação com a cultura oriental, que se refletiu em sua poesia, com poemas curtos e imagens concisas que lembram os haicais japoneses. Sua capacidade de traduzir não apenas o sentido, mas também o espírito e a musicalidade dos poemas originais é notável. Seu amor pelos animais também era uma característica conhecida.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória José Paulo Paes faleceu em 1998, vítima de um câncer. Sua morte representou uma grande perda para a literatura brasileira. Sua obra continua viva, sendo republicada e estudada, e sua memória é mantida através de eventos, homenagens e pela contínua leitura de seus poemas.

Poemas

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Convite

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
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Cadê

Nossa! que escuro!
Cadê a luz?
Dedo apagou.
Cadê o dedo?
Entrou no nariz.
Cadê o nariz?
Dando um espirro.
Cadê o o espirro?
Ficou no lenço.
Cadê o lenço?
Dentro do bolso.
Cadê o bolso?
Foi com a calça.
Cadê a calça?
No guarda-roupa.
Cadê o guarda-roupa?
Fechado a chave.
Cadê a chave?
Homem levou.
Cadê o homem?
Está dormindo
de luz apagada.
Nossa! que escuro!
3 398

CANÇÃO DO EXÍLIO FACILITADA

lá?
ah!
sabiá…
papá…
maná…
sofá…
sinhá…
cá?
bah!
3 048

Dicionário

A
Aulas: período de interrupção das férias.

B
Berro: o somproduzido pelo martelo quando bate no dedo da gente.

C
Caveira: a cara da gente quando a gente não for mais gente.

D
Dedo: parte do corpo que não deve ter muita intimidade com o nariz.

E
Excelente: lente muito boa.

F
Forro: o lado de fora do lado de dentro.

G
Girafa: bicho que, quando tem dor de garganta,
é um deus-nos-acuda.

H
Hoje: o ontem de amanhã ou o amanhã de ontem.

I
Isca: cavalo de Tróia para peixe.

J
Janela: porta de ladrão.

L
Luz: coisa que se apaga, mas não com borracha.

M
Minhoca: cobra no jardim-de-infância.

N
Nuvem: algodão que chove.

O
Ovo: filho da galinha que foi mãe dela.

P
Pulo: esporte inventado pelos buracos.

Q
Queixo: parte do corpo que depois de um soco vira queixa.

R
Rei: cara que ganhou coroa.

S
Sopapo: o que acontece quando só papo não adianta.

T
Tombo: o que acontece entre o escorregão e o palavrão.

U
Urgente: gente com pressa

V
Vagalume: besouro guarda-noturno.

X
Xará: um outro que sou eu.

Z
Zebra: bicho que toma sol atrás das grades.
3 484

À MINHA PERNA ESQUERDA

Pernas
para que vos quero?
Se já não tenho
por que dançar,
Se já não pretendo
ir a parte alguma.
Pernas?
Basta uma.
2 175

Letra Mágica

Que pode fazer você
para o elefante
tão deselegante
ficar elegante?
Ora, troque o f por g!

Mas se trocar, no rato,
o r por g,
transforma-o você
(veja que perigo!)
no seu pior inimigo:
o gato.
1 755

Passarinho Fofoqueiro

Um passarinho me contou
que a ostra é muito fechada,
que a cobra é muito enrolada,
que a arara é uma cabeça oca,
e que o leão marinho e a foca..
xô , passarinho! chega de fofoca!
6 102

Pescaria

Um homem
que se preocupava demais
com coisas sem importância
acabou ficando com a cabeça cheia de minhocas.
Um amigo lhe deu então a idéia
de usar as minhocas numa pescaria
para se distrair das preocupações.
O homem se distraiu tanto
pescando
que sua cabeça ficou leve
como um balão
e foi subindo pelo ar
até sumir nas nuvens.
Onde será que foi parar?
não sei
nem quero me preocupar com isso.
Vou mais é pescar.
1 972

À TINTA DE ESCREVER

Ao teu azul fidalgo mortifica
registrar a notícia, escrever
o bilhete, assinar a promissória
esses filhos do momento. Sonhos
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A tinta de escrever

Ao teu azul fidalgo mortifica
registrar a notícia, escrever
o bilhete, assinar a promissória
esses filhos do momento. Sonhas

mais duradouro o pergaminho
onde pudesses, arte longa em vida breve
inscrever, vitríolo o epigrama, lágrima
a elegia, bronze a epopeia.

Mas já que o duradouro de hoje nem
espera a tinta do jornal secar,
firma, azul, a tua promissória
ao minuto e adeus que agora é tudo História.
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