Lista de Poemas

As Pombigna

P'ru aviadore chi pigó o tombo

Vai a primiéra pombigna dispertada,
I maise otra vai disposa da primiéra;
I otra maise, i maise otra, i assi dista maniera,
Vai s'imbora tutta pombarada.

Pássano fóra o dí i a tardi intêra,
Catáno as formiguigna ingoppa a strada;
Ma quano vê a notte indisgraziada,
Vorta tuttos in bandos, in filêra.

Assi tambê o Cicero avua,
Sobí nu spaço, molto alê da lua,
Fica piqueno uguali d'un sabiá.

Ma tuttos dia avua, allegre, os pombo!...
Inveis chi o Muque, desdi aquilio tombo,
Nunga maise quiz sabe di avuá.


In: BANANÉRE, Juó. La divina increnca. 2.ed. Pref. Mário Leite. São Paulo: Folco Masucci, 1966

NOTA: Paródia do soneto "As Pombas", do livro SINFONIAS (1883), de Raimundo Correi
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Sunetto Crassico

Sette anno di pastore, Giacó servia Labó,
Padre da Raffaela, serrana bella,
Ma non servia o pai, che illo non era trouxa nó!
Servia a Raffaela p'ra si gazá c'oella.

I os dia, na speranza di un dia só,
Apassava spiano na gianella;
Ma o páio, fugino da gombinaçó,
Deu a Lia inveiz da Raffaela.

Quano o Giacó adiscobri o ingano,
E che tigna gaido na sparella,
Ficô c'um brutto d'um garó di arara,

I incominciô di servi otros sette anno
Dizeno: Si o Labó non fossi o pai d'ella
Io pigava elli i li quibrava a gara.


In: BANANÉRE, Juó. La divina increnca. 2.ed. Pref. Mário Leite. São Paulo: Folco Masucci, 1966

NOTA: Publicado em O Pirralho, São Paulo, n.201, 4 set. 1915. Paródia do soneto "Sete Anos de Pastor Jacó Servia", de Luís de Camõe
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Sogramigna

Sogramigna infernale chi murré
Vintes quatro anno maise tardi che devia,
Fique aí a vita intêra e maise un dia,
Che io non tegno sodades di vucê.

Nu doce stante che vucê murrê
Tive tamagno attaque di legria
Che quasi, quasi, murri aquillo dia,
Co allegró chi apagné di ti perdê.

I oggi cuntento come un boi di carro,
I mais libero d'un passarigno,
Passo a vita pitáno o meu cigarro,

I maginando chi aóra inzatamente
Tu stá interrada até o piscocigno
Dentro d'un brutto taxo di agua quente.


In: BANANÉRE, Juó. La divina increnca. 2.ed. Pref. Mário Leite. São Paulo: Folco Masucci, 1966

NOTA: Paródia do soneto "Alma Minha Gentil que te Partiste", de Luís de Camõe
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Alício José Gomes dos Santos
Alício José Gomes dos Santos

Maravilhoso e original, fazendo da paródia sua verve criativa.

Identificação e contexto básico

Juó Bananére foi o pseudônimo de Alarico Silveira da Motta, um poeta e cronista brasileiro. Sua obra é reconhecida pela originalidade, pelo humor e pela crítica social velada. Viveu e produziu a maior parte de sua obra no Brasil, escrevendo em português.

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a infância e a formação de Alarico Silveira da Motta. As informações sobre sua juventude são escassas, mas tudo indica que sua sensibilidade para a linguagem e para a observação do cotidiano se desenvolveram nesse período.

Percurso literário

Juó Bananére iniciou sua trajetória literária explorando a poesia com um viés humorístico e crítico. Sua obra se desenvolveu principalmente através de crônicas e poemas publicados em jornais e revistas, onde conquistou um público fiel. A evolução de seu estilo pode ser vista na forma como ele aprimorou sua capacidade de tecer comentários sociais e existenciais sob uma roupagem leve e acessível.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Juó Bananére é marcada por temas como o cotidiano, as relações humanas, a crítica aos costumes e a reflexão sobre a vida. Seus poemas e crônicas frequentemente utilizam a ironia e o humor como ferramentas para abordar questões sérias. A linguagem é direta, coloquial e de fácil compreensão, o que contribuiu para sua popularidade. Seu estilo é caracterizado pela simplicidade aparente, pela musicalidade dos versos e pela capacidade de capturar a essência dos temas abordados com poucas palavras. Ele inovou ao trazer para a literatura uma voz genuinamente brasileira, conectada com as experiências do homem comum. Embora associado a uma linha mais popular da literatura, sua obra dialoga com a tradição ao mesmo tempo que apresenta uma modernidade em sua abordagem.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Juó Bananére produziu em um período em que a crônica e a poesia popular ganhavam espaço na imprensa brasileira. Ele se inseriu em um contexto cultural que valorizava a expressão artística acessível ao grande público, dialogando com outros cronistas e poetas que buscavam retratar a realidade urbana e social do país. Sua obra reflete, de maneira sutil, as tensões e os costumes da sociedade brasileira de seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal As informações sobre a vida pessoal de Alarico Silveira da Motta são limitadas. Sabe-se que ele dedicou-se à escrita e que sua persona literária, Juó Bananére, tornou-se mais conhecida que o indivíduo por trás dela. A falta de detalhes sobre suas relações pessoais ou crenças específicas dificulta uma análise aprofundada de como esses aspetos moldaram sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Juó Bananére conquistou reconhecimento junto ao público leitor de jornais e revistas, que apreciava seu estilo original e sua capacidade de divertir e, ao mesmo tempo, fazer pensar. Embora não seja um nome central nos estudos acadêmicos tradicionais, sua obra mantém um lugar especial na memória literária brasileira por sua autenticidade e popularidade.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É difícil apontar influências específicas e diretas em Juó Bananére, dada a originalidade de seu estilo. No entanto, pode-se inferir que ele foi influenciado pela tradição da crônica jornalística e pela poesia popular brasileira. Seu legado reside na sua capacidade de ter criado uma voz poética única, que demonstrou ser possível abordar temas profundos com leveza e humor, conectando-se diretamente com o leitor comum.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Juó Bananére convida a múltiplas leituras. Por um lado, pode ser vista como um entretenimento leve e espirituoso. Por outro, revela uma profunda observação da alma humana e da sociedade, com críticas sutis à hipocrisia e às injustiças. A aparente simplicidade de seus versos esconde uma complexidade temática e uma visão filosófica sobre a existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O próprio pseudônimo "Juó Bananére" já é um indicativo da irreverência e do humor que marcam sua obra. A criação de um personagem literário que se confunde com o autor é um dos aspetos curiosos de sua trajetória. A escassez de informações biográficas contribui para a aura de mistério em torno do autor, reforçando a ideia de que a obra fala por si.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória As circunstâncias da morte de Alarico Silveira da Motta, assim como muitos outros detalhes de sua vida, são pouco documentadas. No entanto, sua memória perdura através de suas obras, que continuam a ser apreciadas por aqueles que buscam uma poesia que alia inteligência, humor e uma profunda humanidade.