Lista de Poemas

O que é um historiador? Alguém que escreve muito mal para poder colaborar num jornal.
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Um folhetinista — um corretor. O corretor também precisa ser rápido e conhecer a língua a fundo. Por que não o incluímos na literatura? A vida possui compartimentos. Aquele pode se familiarizar com este e este com aquele, todos com todos. A fortuna é cega. Os acasos determinam o homem. Sabemos, por certo, o que somos, mas não sabemos o que poderemos nos tornar. Por que incluímos justamente o folhetinista na literatura?
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Na arte, pode ser custoso distinguir a autenticidade do embuste. Reconhecemos o embuste, quando muito, pelo fato de exagerar a autenticidade. A autenticidade, quando muito, pelo fato de o público não se deixar enganar por ela.
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Uma certa psicanálise é a ocupação de racionalistas lúbricos que atribuem tudo no mundo a causas sexuais, exceto a sua ocupação.
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A nova psicologia se atreveu a cuspir no mistério do gênio. Se ela não se contentar com Kleist e Lenau, vou ficar de sentinela e expulsar os vendedores ambulantes da medicina que ultimamente fazem ouvir o seu “Vai um tratamento aí?” por toda parte. Sua teoria pretende estreitar a personalidade depois de ter ampliado a irresponsabilidade. Enquanto o negócio permanecer uma prática privada, os interessados que se defendam. Mas quanto a Kleist e Lenau, vamos tirá-los do consultório!
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Os psicólogos modernos que ampliam os limites da irresponsabilidade ocupam um vasto lugar nela.
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Eis uma coisa que eu gostaria muito de saber: o que tantas pessoas fazem com o seu horizonte ampliado?
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Muitas vezes, a filosofia não é mais do que a coragem de entrar num labirinto. E quem se esquecer do portão de entrada, pode facilmente adquirir a reputação de pensador independente.
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Escreve-se de tal maneira sobre o tempo e o espaço como se fossem coisas para as quais ainda não se tivesse encontrado qualquer aplicação na vida prática.
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O monista deveria se sacrificar pela sua verdade. Só então veríamos que a realidade nada perde e a imortalidade nada ganha, e a identidade estaria completamente demonstrada.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.