Lista de Poemas

Uma completa confusão tomou conta da vida amorosa dos seres humanos. Encontramos formas mistas das quais até agora não se fazia a menor ideia. Dizem que há pouco uma sádica berlinense deixou escapar: “Escravo miserável, eu ordeno que você me dê uma bofetada imediatamente!...”. O assessor em questão fugiu apavorado.
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Um lobo em pele de lobo. Um patife sob o pretexto de sê-lo.
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“Prostituta húngara detida em Paris por causa de comportamento imoral”: a serpente no paraíso deve ter mordido a própria cauda.
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Muitos têm a megalomania de ser loucos e são apenas cabeças-tontas.
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O ódio deve tornar produtivo. Caso contrário, é mais sensato amar logo de uma vez.
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Conheci um Don Juan da castidade cujo Leporello nem sequer era capaz de compor uma lista das mulheres inacessíveis.
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Uma das doenças mais disseminadas é a diagnose.
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O progresso não se deixa deter por proibições. Na Engadina não é permitida a circulação de automóveis. A consequência? Os cocheiros dão sinais de buzina.
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E se a Terra apenas suspeitasse do quanto o cometa teme o contato com ela!
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Uma pessoa que começou a me contar suas lembranças tinha uma voz que rangia como o portão do passado.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.