Lista de Poemas

Pensamentos próprios não precisam ser sempre novos. Mas quem tem um pensamento novo, pode facilmente tomá-lo de outro.

 

35

Há verdades cuja descoberta pode demonstrar que não se tem espírito.

 

43

Um cérebro criativo também diz por conta própria aquilo que outro disse antes dele. Em compensação, outro pode imitar pensamentos que apenas mais tarde ocorrerão a um cérebro criativo.

 

41

Contar a piada inventada por uma pessoa engenhosa é o mesmo que apanhar uma seta do chão. A citação não diz como foi disparada.

 

36

Muitas vezes é difícil escrever um aforismo quando se é capaz de fazê-lo. Muito mais fácil é escrever um aforismo quando não se é capaz de fazê-lo.

 

39

Uma verdade desprovida de arte acerca de um mal é um mal. Ela deve ser valiosa por si mesma. Assim ela reconcilia com o mal e com a dor de que haja males.

 

33

Um bom autor sempre receará que o público perceba quais foram os pensamentos que lhe ocorreram tarde demais. Mas quanto a isso, o público é muito mais indulgente do que se acredita, e também não percebe os pensamentos que aí estão.

 

50

Estou sempre disposto a publicar aquilo que contei a um amigo sob o selo do mais profundo sigilo. Mas ele não deve espalhá-lo.

 

34

Devemos escrever sempre como se escrevêssemos pela primeira e pela última vez. Dizer tanto como se fosse uma despedida, e tão bem como se estivéssemos estreando.

 

33

Espeto minha pena no cadáver da Áustria porque ainda acredito que ele viva.

 

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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.