Lista de Poemas

Não tenho mais colaboradores. Eu tinha inveja deles. Eles afastam os leitores que eu mesmo quero perder.
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Que posso fazer se M. realmente existe? Não o inventei, apesar disso? Se ele fosse um objeto, eu escolheria melhor. Caso reivindique ter sido ofendido pela sátira, ele a ofende.
49
Que posso fazer se as alucinações e as visões vivem, têm nome e endereço?
69
A sátira não escolhe nem conhece objetos. Ela surge do fato de fugir deles e eles se imporem a ela.
62
Considero meu direito inalienável colocar na forma artística que quiser o menor dos corpúsculos de sujeira que me tocar. Esse direito é um pobre equivalente do direito do leitor de não ler o que não lhe interessa.
59
Minhas glosas necessitam de comentário. Caso contrário, são muito fáceis de compreender.
57
O palerma que não só não possui uma visão de mundo, mas também não a vê quando ela lhe é oferecida pela arte, precisa subtrair tanto de uma síntese satírica para compreendê-la até que sobre um nada, pois esse ele compreende, e pelo caminho do desmembramento, para ele transitável, chega aos motivos que o satirista deixou para trás e se identifica carinhosamente com o detalhe contra o qual, segundo sua opinião, o satirista se dirigiu. O palerma também precisa se sentir atingido por uma sátira que não lhe diz respeito ou acerta muito longe de sua esfera de interesses.
57
Quem deserdaria um erro que trouxe ao mundo e o trocaria por uma verdade adotada?
54
O satirista nunca pode sacrificar algo mais elevado a um chiste, pois seu chiste é sempre superior àquilo que sacrifica. Reduzido à opinião, seu chiste pode causar injustiça; o pensamento sempre tem razão. Ele já coloca as coisas e as pessoas de tal modo que a nenhuma ocorra uma injustiça.
49
Entrar por um ouvido e sair pelo outro: nesses casos, a cabeça seria sempre uma estação de passagem. O que ouço tem de sair pelo mesmo ouvido.
68

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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.