Lista de Poemas

Quando tomo a pena na mão, nada pode me acontecer. O destino deveria tomar nota disso.
56
Eu falo de mim e me refiro à coisa. Eles falam da coisa e se referem a si próprios.
64
Quando o impressor me mandou as provas deste livro, vi minha vida dividida no sumário. Observei que a mulher ocupava dez páginas, mas o artista trinta. Ele deve isso a ela.
53
Os cegos não querem admitir que eu tenha olhos, e os surdos dizem que sou mudo.
67
Não gosto de me intrometer nos meus assuntos privados.
70
Quando chamaram a atenção desse presente que ronca para o fato de alguém ter ficado dez anos sem dormir, ele se virou para o outro lado e continuou dormindo.
49
O tormento não me deixa escolha? Bem, eu escolho o tormento.
67
Quem agora exagera, pode facilmente se tornar suspeito de dizer a verdade. Quem inventa, de estar informado.
49
Tenho as experiências de que preciso diante da parede corta-fogo que vejo da minha escrivaninha. Ali há espaço suficiente para a vida, e posso pintar Deus ou o Diabo nela.
56
Não deixo de dar forma àquilo que me impede de dar forma.
54

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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.