Lista de Poemas

Posso precisar de objetos femininos no máximo em minhas leituras públicas. Lá eles apoiam o efeito e remedeiam em meus nervos aquilo que contra eles pecaram na literatura. Mãos devem ser usadas para aplaudir e não para escrever. Com as minhas, eu preferiria esbofetear a escrever caso não existisse o risco de que isso fosse considerado como aprovação e uma voz meiga sussurrasse trêmula: “De novo!”.
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O homem imagina preencher a mulher. Mas é apenas um tapa-buraco.
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O homem criativo vê Helenas em todas as mulheres. Só que ele fez a conta sem o analista, que primeiro lhe esclarece o que realmente ele deve ver em Helena.
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O quarto conjugal é a convivência da brutalidade e do martírio.
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O casamento é uma mésalliance .
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Como surge a beleza — a vizinha sabe disso. Como surge o gênio — isso ela também sabe, a análise.
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A situação dos sexos é tão humilhante quanto o resultado do negócio amoroso individual: a mulher ganhou menos em prazer do que o homem perdeu em força. Aqui há diferença em vez de soma. Um menos desprezível, contente por se colocar em segurança, faz de um mais um menos. Aqui está o verdadeiro logro. Pois nada se ajusta pior a um prazer que acaba de começar do que uma força que já acabou; nenhuma situação em que seres humanos possam se encontrar é mais impiedosa e mais digna de piedade. Nessa lacuna mora toda a doença do mundo. Uma ordem social que não reconheça isso e não se decida a trocar a medida de liberdade renunciou à humanidade.
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O erotismo faz de um apesar disso um pois .
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A mulher culta está incessantemente ocupada com a intenção de não ter nenhuma relação sexual, e também é capaz de praticá-la — a intenção, quer dizer. O homem culto nunca está ocupado com a intenção de não ter pensamentos, só que isso ocorre antes que se decida a fazê-lo.
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Rubor, palpitações do coração, uma consciência pesada — isso acontece quando não se pecou.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.