Lista de Poemas

O bibliófilo tem aproximadamente a mesma relação com a literatura que o filatelista com a geografia.
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O analista transforma o ser humano em poeira.
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Agora há botas sujas diante do santuário em que o artista sonha. Elas são do psicólogo, que está lá dentro como se estivesse em casa.
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“O senhor está sendo injusto com ele. Ele concorda com o senhor em tudo!” “Exceto no fato de que o considero um asno.”
59
Alguns partilham meus pontos de vista comigo. Mas eu não os partilho com eles.
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Agora os especialistas em doenças nervosas precisam lidar com os escritores que vêm ao consultório depois de mortos. Bem feito para os escritores, já que não foram realmente capazes de levar a humanidade a um estágio que exclui o surgimento de especialistas em doenças nervosas.
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A escola sem notas deve ter sido inventada por alguém que se embriagou com vinho sem álcool.
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Após madura reflexão, prefiro fazer o caminho de volta ao país da infância com Jean Paul do que com S. Freud.
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Uma ciência que sabe tão pouco de sexo quanto de arte espalhou o boato de que a sexualidade do artista é “sublimada” na obra de arte. Poupar o bordel, eis uma bela finalidade para a arte! Ao poupar a sublimação por meio de uma obra de arte, a finalidade do bordel é bem mais refinada. O quanto o procedimento dos artistas, não considerada sua prolixidade, é arriscado em seu efeito sobre os receptores, é algo provado justamente pelo caso do notável compositor que a referida ciência gosta de citar como exemplo de sublimação bem-sucedida. Os ouvintes de sua música sentem-se estimulados de tal modo pela sexualidade nela sublimada que muitas vezes não lhes resta outra saída do que aquela que o artista evitou, a não ser que eles próprios sejam capazes de fazer uma sublimação a tempo. Se o artista tivesse escolhido o caminho mais simples, esse efeito teria sido poupado aos ouvintes. Assim, por meio do mau hábito dos artistas de sublimar a sexualidade, esta é liberada de vez, e um assunto que deveria ficar restrito à vida privada do artista degenera num escândalo público.
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A análise é a tendência do mendigo para explicar a existência das fortunas. Aquilo que ele não possui sempre foi obtido por meio de fraude. O outro apenas tem; ele, felizmente, conhece o segredo.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.