Lista de Poemas

O historiador nem sempre é um profeta voltado para o passado, mas o jornalista é sempre alguém que depois já sabia de tudo antes.
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Conheci alguém que levava sua formação no bolso do colete porque ali havia mais espaço do que na cabeça.
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Minha consciência tem um criado que está sempre atento para que nenhum intruso atravesse seu limiar. Os psicanalistas não têm nada a procurar abaixo dele. Caso meu criado apanhe um desses que quer consultar o arquivo, ele o conduz ao vestíbulo, onde, com a sua lanterna de ladrão, eu mesmo ilumino sua cara.
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A formação é uma muleta com a qual o paralítico espanca o sadio para mostrar que também tem força.
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Isso que se chama de homem agora pode ser raspado psicanaliticamente.
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Vós, oh deuses, sois propriedade do comerciante!
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O ser humano objeta ao cão o fato de buscar a sujeira. O que o desacredita ainda mais é o fato de buscar o ser humano. Em todo caso, o cão dá provas de sua superioridade por não correr à Dreimäderlhaus .
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A convicção austríaca de que “nada pode te acontecer” chega ao ponto de um homem se decidir a quebrar uma perna por estar segurado contra acidentes.
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(Leitura escolar.) Entrei num restaurante. Todas as mesas estavam ocupadas. Numa delas havia só uma pessoa. Tomei assento. Chega uma família, pai, mãe e filha. A filha cutuca a mãe, esta cutuca o pai. O pai não entende. A filha anota num papel. O pai olha apavorado para meu vizinho e pega um jornal. Depois de um momento, meu vizinho vai embora. O pai o acompanha com o olhar e diz triunfante: “Não fiz cerimônias e li o Neue Presse na frente dele, ele se enfureceu e se foi!”. A filha cutucou a mãe, esta cutucou o pai. O orco se abriu e fui embora discretamente.
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Se durante o dia a arte está a serviço do comerciante, a noite é dedicada à sua distração com ela. Isso é exigir bastante da arte, mas ela e o comerciante dão conta do recado.
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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.