Lista de Poemas

O erotismo é a superação de obstáculos. O obstáculo mais sedutor e mais popular é a moral.
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O ideal da virgindade é o ideal daqueles que querem desvirginar.
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Que bonito quando uma garota esquece sua boa educação!
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“Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás.” Para os descrentes de hoje, as coisas se cumpriram de outra forma. Eles comem o que não chegam a ver. Isso é um milagre que acontece por toda parte em que a vida é vivida de segunda mão: no caso de fariseus e de escribas.

 

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A tragédia de Margarida — que comoção! O mundo fica em silêncio, o céu e o inferno se abrem, e nas esferas soa a música de um lamento infinito: não é toda garota que cai desse jeito na armadilha!
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A virtude e o vício são aparentados como o carvão e o diamante.
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Não ter pensamentos e ser capaz de expressá-los — eis um jornalista.

 

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Aquele sujeitinho interesseiro, exclamou ela, me deixou em estado interessante!
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Dizemos “amante” e não vemos mais a altura do páthos da qual essa palavra desceu até as planícies da ironia — muito abaixo da respeitada condição intermediária das mulheres que não amam. Quer o espírito da língua que a amante seja uma decaída. Mas se mulheres que amam fossem chamadas de “elevadas”, nossa cultura logo também envolveria essa palavra com os tentáculos do escárnio.
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O pintor tem em comum com o pintor de paredes o fato de sujar as mãos. Precisamente isso distingue o escritor do jornalista.

 

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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.