Lista de Poemas

O jornalismo serve apenas aparentemente ao tempo atual. Na verdade, ele destrói a sensibilidade intelectual da posteridade.

 

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Quando se pensa que a mesma conquista técnica serviu à Crítica da razão pura e a uma reportagem sobre a viagem da Sociedade Vienense de Canto Coral, toda discórdia abandona nosso peito e louvamos a onipotência do Criador.

 

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Com meus horizontes estreitos, não li certa vez um jornal com as seguintes manchetes: As negociações secretas entre a Áustria, a França e a Itália em 1869. — O movimento reformista na Pérsia. — A nomeação do chefe do ministério croata. — A Sublime Porta contra o arcebispo de Monastir... Depois de não ter lido esse jornal, senti meus horizontes se ampliarem um pouco.

 

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O barbeiro conta novidades quando deveria apenas cortar o cabelo. O jornalista é espirituoso quando deveria apenas contar novidades. Dois sujeitos que querem subir na vida.

 

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A relação dos jornais com a vida é mais ou menos a mesma das cartomantes com a metafísica.

 

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Para mim é um enigma que se possa elogiar um teólogo porque ele conseguiu se decidir a não acreditar nos dogmas. Sempre me pareceu que merecia verdadeiro reconhecimento, como se fosse um ato heroico, a realização daqueles que se decidiram a acreditar neles.

 

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A ciência antiga não reconhecia o impulso sexual nos adultos. A ciência moderna admite que já o lactente tenha sensações voluptuosas ao evacuar. A concepção antiga era melhor. Pois pelo menos era contradita por determinadas declarações dos envolvidos.

 

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O bicho-papão é um recurso pedagógico imprescindível na vida familiar alemã. Quanto aos adultos, são intimidados com a ameaça de que o psiquiatra virá buscá-los.

 

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Os psicólogos modernos afirmam que tudo pode ser atribuído a causas sexuais. Seu método, por exemplo, poderia ser definido como erotismo de confessionário.

 

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A ciência não atravessa os abismos do pensamento, apenas se encontra diante deles sob a forma de uma placa de advertência. Os infratores agem por sua própria conta e risco.

 

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Karl Kraus nasceu em 1874, em Jičín, no então Império Austro-Húngaro. Sua obra é marcada por um profundo ceticismo em relação à sociedade, à política e à cultura de sua época. Foi um crítico implacável da imprensa, da guerra e da hipocrisia burguesa, utilizando um estilo aforístico e um humor corrosivo. Além de ensaios e artigos, escreveu peças de teatro e poemas. Sua influência se estendeu por diversas áreas, inspirando movimentos de vanguarda e pensadores posteriores. Morreu em Viena em 1936.