Lalla Romano

Lalla Romano

1906–2001 · viveu 94 anos IT IT

Lalla Romano foi uma proeminente escritora e pintora italiana, conhecida pelas suas obras de ficção e poesia que exploravam a introspeção e a complexidade das relações humanas. A sua escrita é marcada por uma profunda sensibilidade, estilo lírico e uma atenção particular aos detalhes da vida quotidiana e às paisagens da memória. Explorou frequentemente a condição feminina e a dinâmica familiar, criando narrativas que ressoam pela sua autenticidade emocional e pela sua exploração da identidade.

n. 1906-11-11, Demonte · m. 2001-06-26, Milão

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Como uma flor o céu

Como uma flor o céu
debruado de vermelho posa
de leve sobre a terra escura

Como a flor caída
lentamente emurchece
e a sua cor serena
pouco a pouco escurece

Pende no céu profundo
estame de ouro, a lua


:


Simile a un fiore il cielo
dagli orli vermigli posa
lieve sulla terra oscura

Come il fiore caduto
lentamente appassisce
il suo sereno colore
a poco a poco imbruna

Pende nel cielo profondo
stame d'oro la luna



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Biografia

Identificação e contexto básico

Lalla Romano, nome completo Camilla Romano, nasceu em 1906. Foi uma figura multifacetada na cultura italiana, destacando-se como romancista, poeta e pintora. A sua obra, profundamente enraizada na tradição literária italiana, dialoga com as correntes estéticas do século XX, mantendo uma voz singular e introspectiva. A sua nacionalidade era italiana e escreveu em italiano.

Infância e formação

Nascida em uma família de classe média em Turim, a sua infância foi marcada por um ambiente culturalmente estimulante. Estudou na Academia Albertina de Turim, onde se formou em pintura, o que influenciou a sua sensibilidade visual e a sua abordagem à composição literária. As suas primeiras leituras e o ambiente familiar moldaram o seu interesse pela arte e pela literatura.

Percurso literário

O percurso literário de Lalla Romano começou na década de 1940, mas foi nas décadas seguintes que alcançou maior reconhecimento. A sua obra evoluiu de uma escrita mais focada na pintura para romances e poemas de cariz mais autobiográfico e introspectivo. Participou ativamente na vida cultural italiana, colaborando com diversas publicações e consolidando a sua presença no panorama literário.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As suas obras principais incluem romances como "Le metamorfosi" (1961), "La perseguitazione" (1963) e "L'uomo che நாங்கள்" (1973), além de diversas coletâneas de poesia. Temas recorrentes na sua obra são a memória, a infância, as relações familiares, a solidão e a condição feminina. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem lírica e depurada, um tom confessional e uma atenção minuciosa à atmosfera e aos detalhes psicológicos. A sua poesia, em particular, é conhecida pela musicalidade e pela capacidade de evocar emoções de forma subtil. É frequentemente associada a uma sensibilidade pós-simbolista e a uma abordagem intimista da realidade, com influências do realismo psicológico.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Lalla Romano viveu e produziu a maior parte da sua obra num período de intensa transformação cultural e social na Itália do pós-guerra. Embora não tenha estado diretamente envolvida em grandes movimentos políticos, a sua obra reflete as preocupações existenciais e as dinâmicas sociais da época. Manteve relações com outros intelectuais e artistas do seu tempo, contribuindo para o debate cultural.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Lalla Romano, especialmente as suas relações familiares, foi uma fonte de inspiração significativa para a sua escrita. A sua experiência como mulher, esposa e mãe moldou a sua perspetiva sobre a identidade e os laços afetivos. Embora tenha tido uma carreira como pintora, dedicou-se cada vez mais à escrita, onde encontrou um meio de expressão mais profundo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Lalla Romano obteve reconhecimento considerável durante a sua vida, culminando com a atribuição do Prémio Strega em 1989, um dos mais prestigiados prémios literários italianos, pelo seu romance "Le parole tra noi leggere". A sua obra foi elogiada pela crítica pela sua profundidade psicológica e pela qualidade literária, conquistando um lugar de destaque na literatura italiana contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Romano foi influenciada por autores como Proust e Virginia Woolf, pela sua exploração da memória e da consciência. O seu legado reside na forma como abordou a complexidade da experiência humana, especialmente a feminina, com uma sensibilidade e uma honestidade notáveis. A sua obra continua a ser estudada e apreciada pela sua relevância atemporal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Lalla Romano é frequentemente interpretada como uma meditação sobre o tempo, a memória e a fragilidade das relações humanas. A sua escrita convida à reflexão sobre a identidade individual e coletiva, explorando as tensões entre o eu e o outro, o passado e o presente. A crítica tem destacado a sua mestria na construção de atmosferas e na exploração das nuances psicológicas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Para além da sua carreira literária e artística, Lalla Romano era conhecida pela sua discrição e pela sua profunda ligação a Turim. A sua abordagem à escrita era metódica, mas também intuitiva, refletindo a sua dupla natureza de artista visual e escritora.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Lalla Romano faleceu em 2001. A sua obra continua a ser publicada e estudada, mantendo viva a sua memória como uma das vozes mais importantes da literatura italiana do século XX.

Poemas

13

Como uma flor o céu

Como uma flor o céu
debruado de vermelho posa
de leve sobre a terra escura

Como a flor caída
lentamente emurchece
e a sua cor serena
pouco a pouco escurece

Pende no céu profundo
estame de ouro, a lua


:


Simile a un fiore il cielo
dagli orli vermigli posa
lieve sulla terra oscura

Come il fiore caduto
lentamente appassisce
il suo sereno colore
a poco a poco imbruna

Pende nel cielo profondo
stame d'oro la luna



927

Estou em ti

Estou em ti
como o amado odor do corpo
como o humor do olho
e a doce saliva

Estou dentro de ti
no modo misterioso
como a vida se dissolve no sangue
e se mescla ao respiro

:


Io sono in te
come il caro odore del corpo
come l'umore dell'occhio
e la dolce saliva

Io sono dentro di te
nel misterioso modo
che la vita è disciolta nel sangue
e mescolata al respiro



880

Como o cego se aferra

Como o cego se aferra
ao braço que o conduz
e a criança faminta
busca o seio da ama
cada um sobre a terra
a outro pede o seu bem

Pobre em si mesmo cada um
é para o outro rico

Cada um é a tempo mãe
e filho:
nutre e sacia-se

:

Come il cieco si afferra
al braccio che lo conduce
e il bambino che ha fame
cerca il seno di donna
ognuno sulla terra
chiede all'altro il suo bene

Ognuno povero in sé
è ricco per l'altro

Ognuno a un tempo è madre
e figlio:
nutre e si sfama



933

Se em meu sonho comprimes

Se em meu sonho comprimes
a mão sobre o meu peito
uma orgulhosa égua
se empina
quer estradas livres
pastagens sem fim

:

Se hai premuto nel sogno
la mano contro il mio petto
una orgogliosa cavalla
s'impenna
vuole libere strade
e sterminate pasture



859

Até o ar está morto

Até o ar está morto
o céu é como uma pedra
Os pássaros não sabem mais voar
atiram-se como cegos
dos beirais dos tetos
:
Anche l'aria è morta
il cielo è come una pietra
Gli uccelli non sanno più volare
si buttano come ciechi
giù dall'orlo dei tetti
767

Outrora o amor

Outrora o amor
me levava pela mão
era um menino feliz
queria brincar, gritar

Hoje como a um filho que espere
carrego-o no meu ventre
por isso caminho sem graça
e é pálida a minha face

:

Un tempo amore
mi conduceva per mano
era un bambino felice
voglioso di giochi, di gridi

Ma ora come un figlio non nato
nel mio grembo lo porto
perciò senza grazia cammino
e pallida è la mia faccia



877

O outono é um rei que dá sua última festa

Desbotaram-se os tapizes e os brocados
se desfazem, lânguido é o lampejar
dos ouros
mas que importa?
pois que o rei a cada um já deu sua quota
distribuiu os frutos e as sementes

e desta riqueza é hora agora de gozar:
Nada será guardado
na solidão
do recolhimento e na pobreza deseja o rei
esperar a morte

:

L'autunno è un re che dà l'ultima festa

Sono stinti gli arazzi e ormai consunti
i bei broccati, languido è il brillìo
degli ori
ma che importa?
poichè già diede il re a ciascuno il suo
distribuì i frutti e le seminagioni

e di questa ricchezza ora si goda:
Nulla sarà riposto
in solitario
raccoglimento e in povertà la morte
vuole aspettare il re



827

Já que um mesmo inimigo

Já que um mesmo inimigo
nos golpeia no escuro
e numa mesma armadilha
tenteamos perdidos
unamos as nossas noites
como os destroços dispersos
de um exército vencido

Será vitória o silêncio:
não requer som o diálogo
se em vez de dois somos um

:

Poichè uno stesso nemico
ci colpisce nel buio
e tra le stesse insidie
brancoliamo smarriti
uniamo le nostre notti
come gli sparsi tronconi
di un exercito in rotta

Sarà vittoria il silenzio:
il colloquio non ha suono
se non siamo due ma uno



752

Tua voz distante

Tua voz distante
é solidão
mais do que ausência

Assim vêem o céu
os sepultados
céu branco dos prisioneiros
céu interdito dos cegos
recusado à memória


:


La tua voce lontana
è solitudine
più che l'assenza

Così vedono il cielo
i sepolti
cielo bianco delle prigioni
cielo vietato dei ciechi
negato alla memoria



920

Se é verdade que o gelo

Se é verdade que o gelo
suplantará o tímido calor
de nossas mãos agarradas
e que outro destino não teremos
na terra banhada da chuva
das folhas do outono
é certo então que ao pó retornam os mundos

As eras se abaterão sem rumor
como castelos de cinzas
sobre a lareira que já ninguém toca
na casa desabitada
só o vento fará gemer as portas
até que apodreçam sob o céu
quando até mesmo o teto tenha desabado

Eis tudo o que restará da casa
e do Eterno se dirá o Ausente


:


Se è vero che il gelo
soppianterà il timido calore
delle nostre mani avvinte
e noi non avremo altra sorte
nella terra bagnata dalla pioggia
delle foglie d'autunno
è vero che andranno in polvere i mondi

Le ere franeranno senza rumore
come castelli di cenere
sul focolare che nessuno smuove
nella casa disabitata
solo il vento farà gemere le porte
finchè imputridiranno sotto il cielo
quando anche il tetto si sarà scoperchiato

Questo e non altro rimarrà della casa
e l'Eterno sarà detto l'Assente



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