Leila Mícollis

Leila Mícollis

n. 1947 BR BR

Leila Mícollis foi uma figura proeminente na poesia brasileira, conhecida por sua voz autêntica e pela capacidade de explorar a alma feminina e as complexidades do mundo contemporâneo. Sua obra, rica em sensibilidade e engajamento, abordou temas como o amor, a solidão, a política e a crítica social com uma linguagem direta e impactante. Foi também atuante em movimentos sociais e culturais, utilizando a poesia como ferramenta de transformação e expressão.

n. 1947, Rio de Janeiro RJ · m. , Bogotá

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Poema para os teus seios

Cerro olhos pra não ver,
e mãos pra não apalpar,
e bocas pra não chupar
teus seios.
Desejo beber teu leite,
azeite de oliva branca,
e provar com minha língua
o macio do teu peito.
E se em inútil trabalho
te afasta a blusa de mim,
eu, por inúmeros meios,
cerro olhos para ver
e bocas para chupar
teus seios.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Leila Mícollis foi uma poeta brasileira, reconhecida por sua voz singular e pela forma como abordou questões sociais e existenciais em sua obra. O contexto histórico em que viveu foi marcado por profundas transformações políticas e sociais no Brasil, influenciando sua visão de mundo e sua produção literária.

Infância e formação

Sua infância e formação foram cruciais para o desenvolvimento de sua consciência social e de seu olhar crítico sobre a realidade. As leituras e as vivências absorvidas na juventude certamente moldaram a artista e a mulher que se tornaria.

Percurso literário

O percurso literário de Leila Mícollis iniciou-se com a publicação de seus poemas, gradualmente consolidando sua presença no cenário poético. Sua obra evoluiu, refletindo amadurecimento temático e estilístico, e ela participou ativamente de antologias e de debates literários.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Leila Mícollis é notável pela exploração de temas como a condição feminina, as relações humanas, a crítica social e a política. Seu estilo é caracterizado por uma linguagem incisiva, por vezes irônica, e por uma forte carga emotiva. A voz poética é frequentemente confessional e engajada, expressando uma perspectiva pessoal e universal sobre as dores e as alegrias da existência. Utiliza recursos como a metáfora e o ritmo para criar impacto e expressividade. Sua obra se insere em uma linha de poesia engajada, com forte conexão com as realidades sociais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Leila Mícollis esteve imersa no contexto cultural e histórico brasileiro, dialogando com as questões políticas e sociais de seu tempo. Sua obra reflete a efervescência cultural e os debates que marcaram as décadas em que viveu, estabelecendo um diálogo com outros escritores e movimentos de sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Sua vida pessoal, incluindo suas relações e experiências, foi fundamental para a construção de sua obra. As vivências, as crises e as paixões pessoais transparecem em seus versos, conferindo autenticidade e profundidade à sua poesia. Sua atuação em movimentos sociais revela um forte senso de compromisso cívico.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Leila Mícollis conquistou um lugar de destaque na poesia brasileira, sendo reconhecida por sua originalidade e pela força de sua mensagem. A receção crítica de sua obra, tanto em vida quanto posteriormente, atesta a relevância de sua contribuição literária.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciada por correntes literárias e por outros poetas, Leila Mícollis, por sua vez, influenciou gerações posteriores de escritoras e poetas, especialmente no que tange à poesia com engajamento social e à representação da voz feminina.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Leila Mícollis é objeto de diversas interpretações críticas, que exploram suas camadas de significado, suas posições políticas e sua abordagem da condição humana em um contexto social específico.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos de sua personalidade ou episódios curiosos de sua trajetória podem enriquecer a compreensão de sua obra e de seu legado como poeta e ativista.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Após sua morte, a obra de Leila Mícollis permanece viva, sendo redescoberta e celebrada, perpetuando sua memória através da força de seus versos e do impacto de sua atuação.

Poemas

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Poema para os teus seios

Cerro olhos pra não ver,
e mãos pra não apalpar,
e bocas pra não chupar
teus seios.
Desejo beber teu leite,
azeite de oliva branca,
e provar com minha língua
o macio do teu peito.
E se em inútil trabalho
te afasta a blusa de mim,
eu, por inúmeros meios,
cerro olhos para ver
e bocas para chupar
teus seios.

1 887

Poema para o namorado

Teu lado feminino me erotiza:
são belos, sensuais e muito caros
certos instantes gostosos, em que te encaro
menos como homem e mais como menina:
quando passas teus cremes para a pele,
ou pões o avental pra cozinhar,
ou quando em mim te esfregas
até gozar os teus gozos sem fim,
ou quando tuas mãos, leves e lésbicas,
desabam como plumas sobre mim.

1 498

A Seco

Tem coisas que a gente só diz de porre,
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez,
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose afetiva.


In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.2
1 217

Arte Marajoara (II)

Salgado por chorar há tanto tempo
a morte de seus filhos mais amados
— peixes-bois e namorados,
muçuãs, atuns, baleias —,
o mar em extinção e em permanente vazante
entoa réquiem fúnebre e dissonante:
seu derradeiro canto da sereia.


In: MÍCCOLIS, Leila. SACIEDADE dos poetas vivos. Org. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. Rio de Janeiro: Blocos, 1992. v.2, p.5
1 119

Segredo (Série Infantil)

Os carros atropelam minha bola.
A empregada reclama do encerado.
Mamãe esconde sempre meus esqueites,
pois se eu caio
dou despesa e atrapalho
Os adultos
— cá pra nós —
só dão trabalho.

Ao Eloy


In: MÍCCOLIS, Leila. Em perfeito mau estado. Rio de Janeiro: Achiamé, 1987. p.6
1 336

Plano de Vôo

Deixar de encarar nossos sentimentos
como fraquezas,
cheios de defesas e sigilos,
incomodados e culpados por senti-los,
para que nossos planos emocionais
aflorem em níveis
cada vez mais pessoais
... e transferíveis.


In: MÍCCOLIS, Leila. SACIEDADE dos poetas vivos. Org. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. São Paulo: Edicon, 1991. v.1, p.5
1 133

Crescimento (Ciclo Infantil)

Hoje faço oito anos
e aproveito pra ser terrível,
enquanto posso matar pássaros
ou afogar gatinhos.
Depois vão proibir minhas maldades
e me restringir
aos filmes de guerra.


In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.2
865

Feitos um para o Outro

"Ele fala de cianureto
e ela sonha com formicida
vão viver sob o mesmo teto
até que alguém decida"
(Chico Buarque de Hollanda)

Você quebra a mobília
eu desconto na filha...
E entre talhos e cortes
praticamos o esporte
de apostar, a vintém,
quem, dos dois, mata quem...


In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.1
813

Visão Arquitetônica

A cidade tende a ser
um longo corredor central
entre edifícios
e pelo constante exercício
o nosso visual
vai se tornando cada vez mais vertical.
Dentro deste espaço diminuto
enquadramos parte do azul do céu
como um dos últimos redutos.
Isso quando por cima de nossas cabeças
não desaba um cinzento viaduto.


In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.1
1 014

Janela Tridimensional

Quem é vivo sempre aparece;
mas dependendo do morto
ocorre o mesmo processo:
os poetas que eu mais amo
entram sempre em minha casa
pela porta dos seus versos.

Aos independentes ausentes: Torquato Neto, Henrique do
Valle, Violeta Formiga, Geraldo Alverga, Barrozo Filho,
Paulo Veras, Ana Cristina, Batista Jorge, Tony Pereira,
Touchê, Cleide Veronesi, Cacaso, Leminski, João Carneiro,
Severino do Ramo, Francisco Igreja.


In: MÍCCOLIS, Leila. Em perfeito mau estado. Rio de Janeiro: Achiamé, 1987. p.4
1 336

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