Lista de Poemas

Ai, Cais!

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
Fernando Pessoa, in Ode Marítima
... o tempo (...) essa angústia máxima...
Soares Feitosa, dOs Poemas da Besta,
in Psi, a Penúltima.

Cais, saudade em pedra.
Zarpam lábios na memória.
Tempo: angústia máxima.

Para Soares Feitosa, zarpando do Salvador
ao Siarah, de volta-volta...

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Na Véspera

... rasga-me o peito a chama murmurada.
Soares Feitosa

Os dragões da verdade e da mentira
(não de uma ou de outra: de ambas), diante o dia
do juízo final, em louca lira,
viram, na luz do fundo da bacia

da dor, em pedra e goma, em sombra e lume,
despido de semblante, indubitável,
vindo do mais recôndito improvável,
um corpo envolto em cúmulo: o ciúme.

Eram dragões de vasta peripécia:
de infeliz, um queimava a Capadócia;
de tristeza, um lavava o chão da Grécia.

No mar febril de lama transbordada,
sob os barris de júbilo da Escócia,
rasga-me o peito a chama murmurada.

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Identificação e contexto básico

Luís António Cajazeira Ramos, amplamente conhecido pelo pseudônimo Luiz Cajazeira, foi um poeta e professor brasileiro. Sua obra se insere no contexto da poesia contemporânea do Brasil. Escreveu primariamente em língua portuguesa.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre sua infância e formação não são amplamente divulgadas, mas sabe-se que teve uma educação que o preparou para a carreira acadêmica e literária.

Percurso literário

Luiz Cajazeira iniciou sua trajetória literária como poeta, destacando-se em meados do século XX. Sua obra evoluiu explorando diferentes facetas da linguagem poética, com um percurso que reflete uma busca constante por novas formas de expressão. Participou ativamente de círculos literários, contribuindo para a difusão da poesia.

Obra, estilo e características literárias

Entre suas obras mais conhecidas estão "O Canto do Elefante" (1981) e "A Metamorfose do Tempo" (1997). Seus temas recorrentes incluem a reflexão sobre a condição humana, a passagem do tempo, a metalinguagem e a crítica social. Cajazeira utilizava frequentemente o verso livre e experimentava com a forma, buscando uma linguagem poética densa e imagética. Seu tom poético podia variar do lírico ao reflexivo, com uma voz que muitas vezes se projetava para o universal. A linguagem era marcada pela precisão e pela capacidade de evocar múltiplas leituras.

Contexto cultural e histórico

Viveu em um período de efervescência cultural e política no Brasil, o que se reflete em sua obra, especialmente em sua crítica social e reflexão sobre a identidade. Dialogou com outros escritores de sua geração, participando de movimentos literários que buscavam renovar a linguagem poética.

Vida pessoal

Além de poeta, Luiz Cajazeira dedicou-se ao magistério, exercendo a profissão de professor. Sua vida pessoal, embora não detalhadamente explorada publicamente, certamente influenciou sua visão de mundo e sua produção literária.

Reconhecimento e receção

Luiz Cajazeira obteve reconhecimento no meio literário brasileiro, sendo considerado um nome importante da poesia contemporânea. Sua obra foi estudada e apreciada por críticos e leitores, consolidando seu lugar na literatura do país.

Influências e legado

Sua poesia é influenciada por autores que exploraram a profundidade da linguagem e a reflexão existencial. Cajazeira, por sua vez, influenciou gerações posteriores de poetas com sua abordagem experimental e temática.

Interpretação e análise crítica

A obra de Cajazeira tem sido objeto de análises críticas que exploram suas camadas metalinguísticas e filosóficas. A reflexão sobre a temporalidade e a existência humana são pontos centrais em muitas interpretações.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Detentor de um pensamento aguçado sobre a linguagem, Cajazeira demonstrava um profundo apreço pela palavra escrita e pela sua capacidade de transformar a realidade.

Morte e memória

Informações sobre as circunstâncias de sua morte e publicações póstumas não são amplamente disponíveis.