Majela Colares

Majela Colares

n. 1974 BR BR

Majela Colares é uma poeta brasileira contemporânea, cuja obra se destaca pela exploração lírica e introspectiva de temas como a memória, o tempo, a identidade e as relações humanas. Com uma linguagem sensível e imagens evocativas, a autora constrói poemas que convidam à reflexão sobre a condição existencial e a busca por sentido. Sua escrita se caracteriza pela capacidade de transitar entre o pessoal e o universal, tocando o leitor pela sua autenticidade e profundidade.

n. 1974-08-12, Rondonópolis

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O Mamulengo

Sentir o mundo - movimento e graça -
bordar sorrisos, encarnar em pano.
(Esta emoção ao morto-vivo abraça)
gesto ilusório. Sábio? Não. Profano?

Irreal vida exsurge, incerto plano
de ser boneco e homem, palco e praça
ao projetar-se voz, trejeito - engano...
confuso rito que no olhar disfarça.

O mamulengo finge o rosto e tinge
de rubra cor os lábios, flor-esfinge,
erguida, efêmera, na instável face

incontroversa (esta anônima peça)
que no teatro de boneco expressa
o homem louco sem nenhum disfarce.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Majela Colares é uma poeta brasileira, cujas obras se inserem no panorama da poesia contemporânea do Brasil. Sua escrita é marcada por uma forte veia lírica e pela exploração de temas que ressoam com as experiências humanas mais íntimas.

Infância e formação

Informações específicas sobre a infância e formação de Majela Colares não são amplamente divulgadas em fontes acessíveis. No entanto, a qualidade e a profundidade de sua poesia sugerem um percurso de leituras e vivências que moldaram sua sensibilidade literária.

Percurso literário

O percurso literário de Majela Colares tem sido construído através da publicação de obras poéticas que gradualmente a têm firmado como uma voz relevante na poesia contemporânea brasileira. Sua escrita evolui explorando com maior profundidade as nuances da linguagem e a complexidade dos temas abordados.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Majela Colares caracteriza-se por um lirismo acentuado e por uma abordagem introspectiva de temas como a memória, o tempo, a identidade, o amor e a perda. A sua linguagem é cuidada, por vezes minimalista, mas sempre rica em imagens evocativas e em capacidade de sugerir significados profundos. Explora o verso livre, priorizando a musicalidade e o ritmo interior do poema. A voz poética é geralmente confessional e reflexiva, convidando o leitor a uma partilha de sentimentos e pensamentos. O seu estilo dialoga com a tradição lírica, mas com uma sensibilidade contemporânea, focada na exploração da subjetividade e nas inquietações do ser.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Majela Colares insere-se no contexto cultural brasileiro contemporâneo, participando e dialogando com as tendências da poesia atual. Sua obra reflete as preocupações existenciais e sociais que marcam a produção literária de seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Majela Colares são mantidos com discrição, mas a intimidade que transparece em sua poesia sugere uma artista sensível e atenta às complexidades da existência.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Majela Colares tem vindo a conquistar um reconhecimento crescente no meio literário brasileiro, sendo apreciada pela crítica e por um público que valoriza a sua poesia autêntica e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Majela Colares assenta na sua capacidade de dar forma poética a sentimentos e reflexões profundas, contribuindo para a diversidade e riqueza da poesia brasileira contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Majela Colares convida a uma leitura atenta, que desvende as camadas de significado e as emoções subjacentes. Suas obras abordam questões universais sobre o tempo, a memória e a busca por si mesmo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A sua discrição em relação à vida pessoal sublinha o foco na sua obra como veículo principal de expressão.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Majela Colares e eventuais publicações póstumas não são publicamente disponíveis, indicando que se trata de uma autora contemporânea e ativa.

Poemas

14

O Mamulengo

Sentir o mundo - movimento e graça -
bordar sorrisos, encarnar em pano.
(Esta emoção ao morto-vivo abraça)
gesto ilusório. Sábio? Não. Profano?

Irreal vida exsurge, incerto plano
de ser boneco e homem, palco e praça
ao projetar-se voz, trejeito - engano...
confuso rito que no olhar disfarça.

O mamulengo finge o rosto e tinge
de rubra cor os lábios, flor-esfinge,
erguida, efêmera, na instável face

incontroversa (esta anônima peça)
que no teatro de boneco expressa
o homem louco sem nenhum disfarce.

1 922

Poema Anônimo

O poema que não fiz
(mas sempre canto)
está mais em mim
que muitos...
(pouco que escrevi)
é o mais inconstante
indefinido
dos poemas que vivi

o poema que não fiz
traduz meu mundo
está implícito...
único
em meu verso
já não sei quem sou
quem ele é
- fundiram-se todos os limites

O poema que não fiz
sorri comigo e sofre
e dorme e finge...
pensa a anônima forma
só para não ser,
enfim, subjuntivo

o poema que não fiz
surge do nada
e conspira a relatividade do tudo
(é a razão variável do verbo)
não há palavras
não há gestos
metáforas
tinta
que o descreva

o poema que não fiz
(mas sempre canto)
fecunda a própria poesia
que me seduz a vida inteira

2 706

Os Limites do Tempo

Meia face de sol - a tarde finda
nos limites do céu e da calçada.
Uma tarde partida, quando ainda
refletida entre cores, desbotada.

Aquarela dispersa - morte linda.
(Colorido de tez avermelhada)
mas o tempo ilusório fez infinda
meia face de sol desfigurada.

Murchas pétalas de horas finge o monte
rente a linha deserta do horizonte
feito rosa pendida... rosa-flores.

Nos limites da sombra projetada
nos contornos da noite aproximada
percebo o tempo farejando as cores.

934

O Silêncio da Flor

Foi quando as flores não vingaram frutos:
(nos secos ramos, ressecaram tardes)
as folhas murchas despencaram pálidas
se dispersaram contornando rastros

pelos caminhos conspiravam fugas
levando marcas de uma morte lenta,
porque raízes omitiram seiva
para mante-las sempre ao caule, sempre...

mas foi da terra sim, que a morte veio
do chão que a planta ruminava nuvens,
o fio de água, transformado em lodo,
contido pela rigidez da argila.

Foi quando as folhas se acharam adubo:
(nas secas tardes, renasceram ramos)
antigas folhas inundando o caule,
imune seiva, frutos-flores, quando...

1 279

As Marcas do Tempo

O último impulso do segundo antes
ao projetar-se no após segundo

risca no tempo cicatrizes, fendas...
(o largo corte invariável, sempre)
que esculpe a forma virtual do instante

no confundível e abstrato mármore,
imagem sólida do momento único.

1 220

Verde Pelúcia

A semente vislumbra em breve tempo
irromper contra a terra umedecida
no húmus da manhã adormecida...
germinar e crescer e dar-se ao vento.

Fecundar neste chão rijo e sedento,
(ledo aroma de chuva acontecida)
no mormaço da véspera, confluída...
germinar e crescer e dar-se ao vento.

Mas a nômade nuvem rara e única
é que traz embuçada em frágil túnica,
o sagrado segredo derradeiro,

que ao certo, lançará feito neblina
a viçosa semente então germina,
na manhã, a saber, de algum janeiro.

1 030

Vertigem

Já se ouviam, de estrelas, rebramidos
entre as sombras da noite camuflada.
Rumores de horas mortas... tempos idos.
- Era a tarde batendo em retirada.

Lábios mudos fendidos pelos gestos...
pálida boca (a noite escancarada).
Consumidos olhares, quase restos.
- Era a tarde batendo em retirada.

A voz frágil, o braço já pendia.
Vago, inerte, rumando pela estrada,
raios cegos o sol oferecia.
- Era a tarde batendo em retirada.

Os ecos projetados no futuro.
Vã imagem, figura rebuscada.
Na linha do horizonte um traço escuro.
- Era a tarde batendo em retirada.

As palavras... a frase repetida,
denso texto, linguagem retratada.
Verso e verbo, no entanto, morte e vida.
Sempre a tarde batendo em retirada.

As medidas da mão, agora ausente,
conduzidas para hora anunciada.
A vertigem, por fim, não se pressente?
Quando é tarde batendo em retirada.

1 002

Soneto Para uma Estação

Estas sombras antigas de poente
guardam arcos de sol - dias de outono -
desfolhados na noite, nunca ausente,
quando as horas bocejam voz de sono.

São instantes maduros de nascente
na surpresa incessante do mês nono,
concebidos em gestos, mão silente,
quando as horas bocejam cor de sono.

Entre os cílios, o mundo em movimento,
sob as asas dos olhos morre um vento
para não ser sequer restos de sono.

Mas ao leste dos lábios pousa a aurora
fogem sombras antigas, vão-se embora...
surgem arcos de sol - dias de outono.

969

Poema da Improvável Véspera

Foi em vão a batalha da voz tensa
que findou na gagueira atormentada
mais em vão foi pensar que não se pensa

quanto a vida é promessa, só, mais nada
que se oculta na fala e se afugenta
na certeza da angústia aprofundada

nos suspiros da ânsia que alimenta
os desejos ambíguos desvendados
essa febre que a mente humana inventa

refúgio de mistérios confinados
pressentidos em gestos inconstantes
dos momentos agrestes exalados

entre os mitos dos sensos conflitantes
que a memória retarda quando ausente
o perfeito equilíbrio exposto e antes

da sensata mudez que se consente
no final da batalha a reticência
conspirando a cegueira do presente

em linguagem fingindo à evidência...
nos limites dos sons ecoa a infância
reescrita nos olhos da existência.

876

O Pastor e Sua Aldeia

a Altino Caixeta de Castro

Eu creio que a eternidade nasceu na aldeia

Lucian Blaga

O ladrido infinito de um cão morto
nas vozes de outros cães é repetido

muito além, incessante ao nosso ouvido
mais além, muito além da voz de um cão

trago a lua no bolso e o sol na mão
e um rebanho de cabras e de estrelas

no desejo incomum de sempre tê-las
na distante lembrança de uma aldeia

pervagando a memória das areias
onde estrelas e cabras pastam sonhos

trago à sombra de alpendres breve sono
pressentindo o rangido da tramela

despertado ao contorno da janela
no silêncio imortal da noite fria

canta o galo, outra vez, e denuncia
(seu cantar tem a cor da lua cheia)

o prenúncio de um dia em outro dia
da eterna solidão - eterna aldeia.

1 031

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