Manuel Botelho de Oliveira

Manuel Botelho de Oliveira

1636–1711 · viveu 75 anos BR BR

Manuel Botelho de Oliveira foi um poeta e jurisconsulto português, notável pela sua obra "Musa Desterrada", um marco na poesia barroca lusitana. Destacou-se pela exploração de temas como a natureza e a religiosidade, com uma linguagem rica e ornamentada. A sua escrita reflete o contexto cultural e religioso do seu tempo, sendo considerado um dos expoentes da poesia setecentista em Portugal.

n. 1636-01-01, Salvador · m. 1711-01-05, Salvador

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Rosa na Mão de Anarda Envergonhada

Na bela Anarda uma rosa,
brilhando desvanecida,
padeceu por atrevida
menoscabos de formosa:
porém não, que vergonhosa
com mais bela galhardia
do que era dantes, se via;
pois quando se envergonhava,
mais vermelha se jactava,
mais formosa se corria.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Manuel Botelho de Oliveira foi um poeta e jurisconsulto português. Nasceu em 1636 e faleceu em 1711.

Infância e formação

Não há muitos detalhes sobre a infância e formação de Manuel Botelho de Oliveira, mas sabe-se que a sua formação foi de caráter jurídico e religioso, influenciando a sua visão de mundo e obra literária.

Percurso literário

O seu percurso literário é marcado pela obra "Musa Desterrada", publicada postumamente em 1711, mas escrita em anos anteriores. Esta obra reflete o seu período de exílio em Goa, onde esteve como provedor do crime.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal de Botelho de Oliveira é "Musa Desterrada", uma coleção de poesias que aborda temas religiosos, morais e o amor. O seu estilo é caracterizado pelo barroco, com linguagem ornamentada, uso de figuras de estilo complexas e uma forte inclinação para o conceptismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Botelho de Oliveira viveu durante o período barroco em Portugal, uma época marcada por tensões religiosas e pela influência da Companhia de Jesus, da qual fez parte. O seu exílio em Goa insere-o num contexto de expansão colonial e intercâmbio cultural com o Oriente.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Botelho de Oliveira são escassas. Sabe-se que teve uma formação jurídica e que desempenhou funções em Goa. A sua ligação à Companhia de Jesus é um aspeto relevante.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra "Musa Desterrada" foi reconhecida pela sua qualidade literária no contexto do barroco português, embora a sua divulgação e reconhecimento tenham sido mais amplos após a sua morte com a publicação da obra.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Botelho de Oliveira é influenciado pela poesia barroca europeia e pela tradição literária portuguesa. O seu legado reside na contribuição para a poesia religiosa e na representação do estilo barroco em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Botelho de Oliveira é frequentemente analisada sob a ótica da poesia religiosa e moralizante do barroco, destacando-se a sua habilidade retórica e a profundidade dos temas abordados.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo membro da Companhia de Jesus, a sua obra reflete uma forte espiritualidade e preocupações morais, características da sua ordem religiosa.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Manuel Botelho de Oliveira faleceu em 1711. A sua obra "Musa Desterrada" foi publicada nesse mesmo ano, garantindo a preservação da sua memória literária.

Poemas

16

Rosa, e Anarda

Soneto XX

Rosa da fermosura, Anarda bela
Igualmente se ostenta como a rosa;
Anarda mais que as flores é fermosa,
Mais fermosa que as flores brilha aquela,

A rosa com espinhos se desvela,
Arma-se Anarda espinhos de impiedosa;
Na fronte Anarda tem púrpura airosa,
A rosa é dos jardins purpúrea estrela.

Brota o carmim da rosa doce alento.
Respira olor de Anarda o carmim breve,
Ambas dos olhos são contentamento:

Mas esta diferença Anarda teve:
Que a rosa deve ao sol seu luzimento,
O sol seu luzimento a Anarda deve.


In: OLIVEIRA, Manuel Botelho de. Música do Parnasso. Pref. e org. do texto Antenor Nascentes. Rio de Janeiro: INL, 1953. v.1. (Biblioteca popular brasileira, 2
2 681

Rosa, e Anarda

Rosa da formosura, Anarda bela
igualmente se ostenta como a rosa;
Anarda mais que as flores é formosa,
mais formosa que as flores brilha aquela.

A rosa com espinhos se desvela,
arma-se Anarda espinhos de impiedosa;
na fronte Anarda tem púrpura airosa,
a rosa é dos jardins purpúrea estrela.

Brota o carmim da rosa doce alento,
respira olor de Anarda o carmim breve,
ambas dos olhos são contentamento:

mas esta diferença Anarda teve:
que a rosa deve ao sol seu luzimento,
o sol seu luzimento a Anarda deve.

3 180

Anarda Vendo-se a um Espelho

Décima 1

De Anarda o rosto luzia
No vidro que o retratava,
E tão belo se ostentava,
Que animado parecia:
Mas se em asseios do dia
No rosto o quarto farol
Vê seu lustroso arrebol;
Ali pondera meu gosto
O vidro, espelho do rosto,
O rosto, espelho do Sol.

2

É da piedade grandeza
Nesse espelho ver-se Anarda,
Pois ufano o espelho guarda
Duplicada a gentileza:
Considera-se fineza,
Dobrando as belezas suas,
Pois contra as tristezas cruas
Dos amorosos enleios
Me repete dous recreios,
Me oferece Anardas duas.

3

De sorte que sendo amante
Da beleza singular,
Posso outra beleza amar
Sem tropeços de inconstante;
E sendo outra vez triunfante
Amor do peito que adora
Ua Anarda brilhadora,
Em dous rostos satisfeitos,
Se em um fogo ardia o peito,
Em dous fogos arde agora.

4

Porém depois, rigorosas,
Deixando o espelho lustroso,
Oh como fica queixoso,
Perdendo a cópia fermosa!
Creio pois que na amorosa
Lei o cego frechador,
Que decreta único ardor,
Não quis a imagem que inflama,
Por extinguir outra chama,
Por estorvar outro amor.


In: OLIVEIRA, Manuel Botelho de. Música do Parnasso. Pref. e org. do texto Antenor Nascentes. Rio de Janeiro: INL, 1953. v.1. (Biblioteca popular brasileira, 2
3 018

Vendo a Anarda Depõe o Sentimento

A serpe, que adornando várias cores,
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;

se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.

Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;

Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.

1 990

Anarda Temerosa de um Raio

Bramando o céu, o céu resplandecendo,
belo a um tempo se via, e rigoroso,
em fugitivo ardor o céu lustroso,
em condensada voz o céu tremendo.

Gira de um raio o golpe, não sofrendo
o capricho de uma árvore frondoso:
que contra o brio de um subir glorioso
nunca falta de um raio o golpe horrendo.

Anarda vendo o raio desabrido,
por altiva temeu seu golpe errante,
mas logo o desengano foi sabido.

Não temas (disse eu logo) o fulminante:
que nunca ofende o raio ao céu luzido,
que nunca teme ao raio o sol brilhante.

1 915

Comparações no Rigor de Anarda

Quando Anarda me desdenha
afetos de um coração,
é diamante Anarda? não,
não diamante, porque é penha:
penha não, porque se empenha,
qual áspid seu rigor forte;
áspid não, que tem por sorte
ser qual tigre na crueza:
tigre não, que na fereza
tem todo o império da Morte.

1 927

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Comentários (3)

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tyiutdy
tyiutdy

o cara e bom mesmo

Bom, Boa d'Anarda

anna
anna

legal