Marigê Quirino Marchini

Marigê Quirino Marchini

Marigê Quirino Marchini é uma escritora brasileira cuja obra se insere no campo da poesia e da literatura infantil. Sua escrita é frequentemente marcada por uma sensibilidade lírica e pela exploração de temas como a natureza, os sentimentos e as relações humanas. Como autora de literatura infantil, busca despertar o interesse dos jovens leitores pela leitura e pela imaginação, utilizando uma linguagem acessível e lúdica. Sua produção literária contribui para a diversidade da literatura brasileira contemporânea.

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Sonetos do Imperfeito

- I -

Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;

e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.

Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,

outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.

- III -

Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.

E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,

greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:

a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.

- IV -

Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.

Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.

E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,

lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Marigê Quirino Marchini é uma escritora brasileira, conhecida principalmente por sua produção na área da poesia e da literatura infantil. Poucos dados sobre sua vida pessoal e seu contexto de produção estão amplamente disponíveis em fontes públicas.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Marigê Quirino Marchini não são detalhadamente conhecidas em fontes públicas. Presume-se que sua trajetória educacional e as influências iniciais tenham moldado seu interesse pela escrita.

Percurso literário

O percurso literário de Marigê Quirino Marchini abrange a poesia e a literatura para crianças. Sua obra se destaca pela sensibilidade e pela capacidade de tocar temas universais de forma delicada e acessível. A publicação de livros, tanto de poesia quanto infantis, marca sua presença no cenário literário.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Na poesia, Marigê Quirino Marchini explora temas líricos, como a natureza, os sentimentos, a efemeridade do tempo e as relações humanas. Sua linguagem poética tende a ser fluida, com um ritmo que convida à contemplação. Em seus livros infantis, a autora demonstra habilidade em criar narrativas envolventes e educativas, utilizando uma linguagem lúdica e adequada ao público jovem. A imaginação e a ternura são características marcantes de sua escrita para crianças.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Sendo uma escritora contemporânea, Marigê Quirino Marchini insere-se no contexto cultural e literário brasileiro atual. Sua obra, especialmente a infantil, contribui para a formação de novos leitores e para a valorização da literatura como ferramenta de aprendizado e entretenimento.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Marigê Quirino Marchini não são amplamente divulgadas em fontes públicas. Presume-se que suas experiências e percepções de vida inspirem sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Marigê Quirino Marchini advém de sua produção literária, especialmente no segmento infantil, onde pode ter obtido leitores fiéis e o apreço de pais e educadores. Sua obra poética, por sua vez, encontra seu público entre apreciadores de lírica contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Marigê Quirino Marchini tenha sido influenciada por autores da literatura infantil brasileira e por poetas que exploram a lírica de forma intimista. Seu legado reside na contribuição para a literatura infantil, incentivando o hábito da leitura em crianças, e em sua poesia, que oferece um olhar sensível sobre o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Marigê Quirino Marchini convida a uma leitura que valoriza a simplicidade, a beleza e a profundidade dos sentimentos humanos. Seus poemas podem ser interpretados como reflexões sobre a vida, a natureza e a passagem do tempo. Na literatura infantil, suas histórias oferecem lições sobre valores, amizade e imaginação.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A ausência de dados mais aprofundados sobre sua vida sugere um perfil mais discreto da autora, focada em sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações sobre a morte de Marigê Quirino Marchini, indicando que ela provavelmente está viva e continua sua obra literária.

Poemas

14

Da Tripulação

Os tripulantes são meus sentimentos
de um azul andantino nestes mares,
na alternância das vagas em lamentos,
Leva o prumo das linhas estelares

os olhos do abissal ao infinito,
o que já não aquieta o coração:
antes o traz por música celeste,
pelo surdo marulho dos abismos

suspenso em si, no mar, no precipício.
E se um silêncio cresce no intervalo
de um suspiro, das ondas, tempestade,

revoltam-se do ser as ressonâncias,
pedem ao céu o eterno de outros mares,
perdem no mar o efêmero dos céus.

963

Sonetos Noturnos, n VIII (1984)

Nos casarões fechados, em seu ar
de mistérios e sombra acontecido,
no místico sinal do envelhecido,
lembranças, as gavetas e o arsenal

que o tempo trovoou por seu suster
de maravilhas, só cintilamento,
e do que conservou para morrer,
tão devagar chovido, o sentimento,

fica a pergunta de quem olha fora
essas graves janelas tão fechadas
por rarefeito orgulho no seu ar

desfolhado de rosa ou jasminzal,
pois não se vê se a vida é tal retrato
acontecido, ou nuvem do irreal.

845

Sonetos Noturnos

- III -

Outono lento em claras ventanias
prepara estas paisagens para a chuva,
de um silêncio aromal os foscos dias
- e deixamos o olhar, o mosto e a uva

madurarem seu claro vinho ameno,
o que preserve o fogo em sua lareira,
fetiche das luzernas no sereno,
o amor, do precipício à curta beira.

Os beirais das aldeias se anunciam
sem os murmúreos cantos do verão
e o seu vizinho inverno propiciam

- enche a espera de sombras o salão;
tão brando este calor se faz em mim
(leve perpassa o aroma em seu jardim).

- V -

Vertem seus suores líquidas lembranças
malvas, violetas de variáveis cores
sobre o tanque, peixes, limo e os rigores
da imutável água no seu ar de estrelas:

cabisbaixos olhos contam suas perdas.
Na alameda em frutos o acre persistente
e o medo de erguê-la viva sobre as quedas
onde brilha um sol noturno suavemente;

líquidas lembranças, tanque, violetas,
malvas em escamas nadam sobre o limo,
e era uma menina e a caça às borboletas,

e era uma paisagem e eram seus rumores,
já perdidos tempos, já desfeitas tranças,
vertem violetas vívidos suores.

- VII -

Esse arfar negro denso e misterioso
das janelas abertas para dentro,
onde o ar seco estala e se incendeia
na poeira dos úmidos incensos,

é um ar negro e de pálidas lembranças
que de interiores faz a sombra escura,
que sequer lá de fora se imagina,
ser, e que por ser dentro se inaugura

em sombria, opalíssima tristeza
e que sequer lá fora se imagina,
pensa-se que é de noite, e é de dia

e pensa-se que é triste o triste ser
olhando lá de dentro o claro escuro
- e se existe é por sombra e por não-ser.

930

Viagem

Num pressentir sem bússola e sem âncora
porões, navio fantasma, veios dágua,
negra escotilha, rostos, peixes, luas,
bebem do céu o azul já mareado;

dias de sal trabalham este convés,
içar de vela, albujarrona, mastros,
fiel prendendo em austro vento além
de horizontes, as pérfidas paisagens,

e um capitão Ahab desse sonho,
monstro e dono feroz dessa procura,
ódio e amor, caçado e caçador,

nos profundos corais do cachalote
a bússola a buscar o pólo norte
a âncora a fincar chão nesta loucura

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Comentários (1)

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Rosalba
Rosalba

perdonami se ti scrivo soltanto adesso ma dal 1984 io non ho avuto tempo per impegni sociali e ne avevo pochissimo anche per gli editori (Ila Palma). Comunque Sampajo e tu con la traduzione delle mie otto poesie mi avete incoraggiato molto; dopo quel libro ho pubblicato una raccolta intitolata ritmi e assonanze (sempre Ila-Palma)da cui ho tratto poi le liriche per altre raccolte come Proviamo a tradurre (in spagnolo), libro d'artista, Poesie multilingue edito da ALIPENNADAUTORE,Torino, scritto con la collaborazione di amici traduttori libro d'artista ed. Signorini con l'immagine di un'opera della pittrice Zamponi e infine un libro particolare che ti vorrei inviare se mi mandi il tuo indirizzo. Sulle prime due raccolte ho ricevuto tanti consensi e se ti riscrivo ti mando qualcosa. Ho letto un poco anche di te e spero che tu voglia ancora leggere altro di me. Qui è passata da poco la mezzanotte e devo andare a letto. Con amabili ricordi Rosalba Anzalone