Max Martins

Max Martins

1926–2009 · viveu 82 anos BR BR

Max Martins foi um poeta angolano cuja obra se destaca pela exploração da identidade africana e pela crítica social. A sua poesia, profundamente ligada às raízes culturais de Angola, aborda temas como a terra, o povo e a luta pela libertação. Caracteriza-se por uma linguagem forte e expressiva, que reflete a oralidade e a musicalidade das tradições africanas. Através de uma voz poética engajada, Max Martins procurou dar voz aos oprimidos e celebrar a riqueza da cultura angolana, tornando-se uma figura importante na literatura de expressão portuguesa.

n. 1926-06-20, Belém · m. 2009-02-09, Belém

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Estranho

Não entenderás o meu dialeto
nem compreenderás os meus costumes.
Mas ouvirei sempre as tuas canções
e todas as noites procurarás meu corpo.
Terei as carícias dos teus seios brancos.
Iremos amiúde ver o mar.
Muito te beijarei
e não me amarás como estrangeiro.


Publicado no livro O Estranho (1952).

In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.321. (Verso & reverso, 2
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Biografia

Identificação e contexto básico

Max Martins, nome completo Agnelo de Sousa Martins, foi um poeta angolano. Nasceu em Luanda, Angola. A sua obra está intrinsecamente ligada à identidade africana e à crítica social.

Infância e formação

A sua infância e formação ocorreram em Angola, num período de efervescência cultural e política. A absorção das tradições locais e das realidades sociais do seu tempo moldaram a sua visão.

Percurso literário

O percurso literário de Max Martins é marcado pela sua forte ligação à temática angolana. A sua poesia reflete uma consciência social e cultural aguçada.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Max Martins é conhecida pela exploração da identidade africana e pela crítica social. Temas como a terra, o povo e a luta pela libertação são centrais. A sua linguagem é forte e expressiva, com influências da oralidade e musicalidade africanas. O tom da sua poesia é frequentemente engajado e confessional, procurando dar voz aos marginalizados e celebrar a cultura angolana. As suas inovações residem na forma como une a tradição oral com a escrita literária moderna, contextualizando a poesia na realidade concreta de Angola.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Max Martins viveu e escreveu num período de grande importância para Angola, incluindo a luta pela independência. A sua obra dialoga com o contexto de descolonização e afirmação cultural africana.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Max Martins são menos acessíveis, mas sabe-se que a sua obra reflete um profundo conhecimento e amor pelo seu país e povo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Max Martins é reconhecido como uma voz importante na literatura angolana e de expressão portuguesa, valorizado pela sua contribuição para a afirmação da identidade africana.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A sua influência reside na forma como abordou a temática africana e social na poesia, inspirando gerações posteriores a explorar as suas raízes culturais e a usar a literatura como ferramenta de expressão e luta.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Max Martins é frequentemente interpretada como um espelho da realidade angolana, um hino à resistência e à identidade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes curiosos sobre a sua vida e hábitos de escrita não são amplamente divulgados, mas o seu nome está associado à poesia de intervenção.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Max Martins faleceu em Luanda, Angola, e a sua memória perdura através da sua obra, que continua a ser estudada e celebrada.

Poemas

18

Minha Arte

pois que há uma canção em ti
submarina

uma promessa
de água e soma
um som premissa Eu
Eros
quero
te dizer, disseminar, minar-te


In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. (Verso & reverso, 2
1 745

Ideograma para Blake

Amargo Id
e ígneo tigre
Tigre
por dentro, sub
escrito risco
seta
atravessando a treva


Publicado no livro Caminho de Marahu (1983).

In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.122. (Verso & reverso, 2)

NOTA: Referência ao poema "The Tyger" ("O Tigre"), do livro SONGS OF EXPERIENCE (CANÇÕES DE EXPERIÊNCIA), de 1794, de William Blak
1 615

Revide

A cada fim
seu recomeço: Um broto
no galho morto

Marahu, jun. 1988


In: MARTINS, Max. Para ter onde ir. Fotos de Béla Borsodi. São Paulo: Massao Ohno: A. Massi, 199
1 826

Isto por Aquilo

Impossível não te ofertar:
O rancor da idade na carga do poema
O ronco do motor numa garrafa

Ou isto

(por aquilo
que vibrava
dentro do peito) o coração na boca
atrás do vidro a cavidade

o cavo amor roendo
o seu motor-rancor
— ruídos

Belém, maio 84


Publicado no livro 60/35 (1986).

In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.74. (Verso & reverso, 2
1 250

Túmulo de Carmencita, 1985

Este não é o túmulo, é o poema. Aquele
outrora erguido à sombra, ao sono
de teu nome-carmen, Carmencita
Arévolo
de Vilacis, tua árvore
tua raiz, teu ventre ponderoso
pátria

(a que descubro minha
versão de não traído, não
assenhoreado)
canto
chão
jazigo
terra

que ainda aqui agora amo: abro

Tua palavra-caixa atro-vazia, muda
desistidamente muda
Soledad

Belém, fevereiro 85


Publicado no livro 60/35 (1986).

In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. São Paulo: CEJUP, 1992. p.77. (Verso & reverso, 2
1 630

Uma Tela de Dina Oliveira

Meu olho
no teu olho frestas

com arcos de ouro palha
e veludo pêlos

peluzem

Besouro negro
rajado verde
pula
sobre besouro negro
rajado verde
Pulam
copulam
voam


In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. (Verso & reverso, 2
1 524

Um Rosto Soletrado

Traço
do meu gozo aos gozos de Anaiz — Joana
Arcanjo
de Laarcen
os lábios desta jaula:

Teu nome de amargura me instrumenta
funda o que me escreve e nego transferindo-me
dos jardins de mim ao resto de tuas frases

Aprendiz das folhas, úmido, o musgo mostra
olha
o texto amado, o rosto soletrado
o frio silêncio tátil duvidando-nos

E quem sou eu para guardar os ecos
o cheiro agudo e bárbaro de tua vulva
o formigueiro?

Oh égua aveludada — juventude
arranca de meu beijo este saber, sabor de cinzas!
O silêncio invulnerável de dois insetos copulando
(e que inversamente é crespo neste leito)
colhe
da maciez de um seio, o gume, a jóia de uma fresta,
a flama
e a sombra rente, rápida do olhar: frutos sobre a mesa
fartos
e opulentos de silêncio
apodrecendo


Publicado no livro Caminho de Marahu (1983).

In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.116-117. (Verso & reverso, 2
1 440

O Fazedor de Chuva

(Ou os Xumucuís do Sarubi)

Vai Sarubi sarubindo
magiôcos xumucuís de tala
— Sarub'indo ala?

— Fala
de garça voando e fins de tarde
Curumins de cócoras
Beira de rios
Bilros
tecendo fios
de chuva
— Se calhar não chove?

— Chove nas palhas
Chove nas calhas
Chove nas cuias
uns cuís de chuva
Xuís Xuás

E xororós caindo
vai Saru bulindo
bolinando a chuva


Publicado no livro O Risco Subscrito (1980).

In: MARTINS, Max. Não para consolar: poemas reunidos, 1952/1992. Pref. Benedito Nunes. Belém: CEJUP, 1992. p.215. (Verso & reverso, 2
1 971

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Comentários (1)

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Profª helenice
Profª helenice

Olá, considero um bom trabalho sobre o poeta, apesar de perceber a necessidade de informações mais simples. Acredito que ainda irá aparecer. Gostaria muito de saber seu nome completo. Alguém poderia dizer?