I - De frente para o leste, percebo...
I
De frente para o leste, percebo
apenas o silêncio da brisa oceânica
e esta luz que dá sombras ao olhar.
[Ruídos roídos
rumor de humores
gritos de ritos
me despertam, chamam, invocam!].
Mas tenho medo de dar as costas para este mar e este sol.
Tenho medo de volver o corpo
e encarar este horizonte em desalinho.
Nada sei de picos e aclives
de súbitas subidas
trilhas entrincheiradas
entre escarpas e fissuras rochosas.
[A verticalidade da existência me espanta!]
O sol ao meio-dia nos iguala
: humanos, animais, vegetais, minerais
Substância somos da mesma natureza
do mesmo íntimo e único espaço.
[Ruídos e rumores!].
Mas não há mais como ignorar
: os semelhantes se convocam
a confraria se aglutina
buscam o mesmo ar rarefeito.
Giro o olhar ao norte
numa distração dissimulada.
As narinas distinguem os odores da floresta
que se insinuam
na maresia da brisa marinha.
O sol declina.
Põe coroa nos cumes.
E direção no olhar.
[Humores e ritos!].
Giro o corpo num ásana preguiçoso
e me detenho no contrário.
E temendo não ceder mais aos meus temores
miro, de corpo inteiro, a trilha dourada
que o crepúsculo baixa.
E numa intuição serpentina e luciférica
me pergunto espantado
: será este o meu caminho?
De frente para o leste, percebo
apenas o silêncio da brisa oceânica
e esta luz que dá sombras ao olhar.
[Ruídos roídos
rumor de humores
gritos de ritos
me despertam, chamam, invocam!].
Mas tenho medo de dar as costas para este mar e este sol.
Tenho medo de volver o corpo
e encarar este horizonte em desalinho.
Nada sei de picos e aclives
de súbitas subidas
trilhas entrincheiradas
entre escarpas e fissuras rochosas.
[A verticalidade da existência me espanta!]
O sol ao meio-dia nos iguala
: humanos, animais, vegetais, minerais
Substância somos da mesma natureza
do mesmo íntimo e único espaço.
[Ruídos e rumores!].
Mas não há mais como ignorar
: os semelhantes se convocam
a confraria se aglutina
buscam o mesmo ar rarefeito.
Giro o olhar ao norte
numa distração dissimulada.
As narinas distinguem os odores da floresta
que se insinuam
na maresia da brisa marinha.
O sol declina.
Põe coroa nos cumes.
E direção no olhar.
[Humores e ritos!].
Giro o corpo num ásana preguiçoso
e me detenho no contrário.
E temendo não ceder mais aos meus temores
miro, de corpo inteiro, a trilha dourada
que o crepúsculo baixa.
E numa intuição serpentina e luciférica
me pergunto espantado
: será este o meu caminho?
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