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Se a investida pacífica não fosse o suficiente, a próxima abordagem seria no velho e eficaz método Viking. Felizmente, nunca abrimos mão da extorsão civilizada, de modo que as coisas sempre ficavam melhores para todos.
Esgotados os piões, as bolinhas-de-gude e os “quadrados” (pipas) com cortante, restava a venda de doces. Era véspera de Natal, e como havíamos torrado moedas e algumas notas amassadas, era chegado o dia de exigirmos algumas guloseimas grátis. Jamais soube se por pena, gratidão ou achar aquela cena inusitada, éramos sempre atendidos. Certamente, o fato de a dona do humilde estabelecimento comercial, a japonesa, conhecer nossas mães contribuía muito.
A “venda da japonesa”, por mais acanhada que fosse, era o endereço escolhido para sempre trocarmos nossas economias por uma justa variedade de doces e um punhado sortido de balas. Assim, mal tratando os dentes, encerrávamos um dia de mãos cortadas, pés sangrando e hematomas.
Cobrar nossa porção de doces foi uma “tradição” inventada por nós. A “venda da japonesa” foi prontamente eleita como a vítima perfeita para obedecer nossa pequena tradição. Além dos motivos que eu já elenquei, o pequeno comércio foi o selecionado por estocar nossos exemplares favoritos de alimentos supérfluos, bem como abastecer-nos o ano inteiro (mediante pagamento).
A ameaça velada era anunciada pastosamente como “Natal”. Apesar do prejuízo iminente, éramos sempre atendidos com um sorriso oriental. Então, como quem vai ao caixa eletrônico ou ameaça com travessuras quem não ofertar gostosuras, começávamos a escolher a “oferta”. Invadíamos o comércio com as mãos vazias e saíamos carregando sacos cheios de produtos comestíveis. Aqui é Brasil!
Finalmente, consumindo, conferíamos o resultado da ameaça tácita. Entre pé-de-moleque, balas, paçoca, doce de leite, pipoca rosa e doce de amendoim, vinham doce de abóbora e maria-mole escondidos no fundo do pacote. Tudo bem, era de graça!
Aquilo era nosso São Cosme e Damião particular. A atitude não era nada santa, já que era posta em prática mediante intimidação e não incluía a reza — a desculpa é que era sincrética, já que era exercida por um católico e um luterano.
Essa foi uma época em que o Natal era, literalmente, mais doce.
Esgotados os piões, as bolinhas-de-gude e os “quadrados” (pipas) com cortante, restava a venda de doces. Era véspera de Natal, e como havíamos torrado moedas e algumas notas amassadas, era chegado o dia de exigirmos algumas guloseimas grátis. Jamais soube se por pena, gratidão ou achar aquela cena inusitada, éramos sempre atendidos. Certamente, o fato de a dona do humilde estabelecimento comercial, a japonesa, conhecer nossas mães contribuía muito.
A “venda da japonesa”, por mais acanhada que fosse, era o endereço escolhido para sempre trocarmos nossas economias por uma justa variedade de doces e um punhado sortido de balas. Assim, mal tratando os dentes, encerrávamos um dia de mãos cortadas, pés sangrando e hematomas.
Cobrar nossa porção de doces foi uma “tradição” inventada por nós. A “venda da japonesa” foi prontamente eleita como a vítima perfeita para obedecer nossa pequena tradição. Além dos motivos que eu já elenquei, o pequeno comércio foi o selecionado por estocar nossos exemplares favoritos de alimentos supérfluos, bem como abastecer-nos o ano inteiro (mediante pagamento).
A ameaça velada era anunciada pastosamente como “Natal”. Apesar do prejuízo iminente, éramos sempre atendidos com um sorriso oriental. Então, como quem vai ao caixa eletrônico ou ameaça com travessuras quem não ofertar gostosuras, começávamos a escolher a “oferta”. Invadíamos o comércio com as mãos vazias e saíamos carregando sacos cheios de produtos comestíveis. Aqui é Brasil!
Finalmente, consumindo, conferíamos o resultado da ameaça tácita. Entre pé-de-moleque, balas, paçoca, doce de leite, pipoca rosa e doce de amendoim, vinham doce de abóbora e maria-mole escondidos no fundo do pacote. Tudo bem, era de graça!
Aquilo era nosso São Cosme e Damião particular. A atitude não era nada santa, já que era posta em prática mediante intimidação e não incluía a reza — a desculpa é que era sincrética, já que era exercida por um católico e um luterano.
Essa foi uma época em que o Natal era, literalmente, mais doce.
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