Velhão — Conspiração do Jogo 🔵
Parece que estamos no cenário do início de um filme de terror. Se o destino for uma residência afastada sei que o enredo é o pior para todos nós. Estamos subindo a serra cortando uma floresta escura e densa. Para completar o enredo maldito, chegaremos numa mansão linda, porém sinistra; contaremos com a companhia de um cachorro raivoso e sinistro que late olhando para o vazio; e uma vizinha misteriosa carregará a expressão amedrontadora de quem sabe o que ocorreu na casa e a besteira que nós (forasteiros) estamos nos metendo.
A composição do grupo parece favorável, mas eu entendo o truque. Algumas garotas atraem a gente para a armadilha mortal. Dessa maneira, provavelmente seremos esquartejados pelo maluco psicopata local, sobrando apenas o casal mais bonzinho, aposto. Já vi esse filme, eu sei como isso acaba.
Apesar do prólogo de filme B de horror “gore”, o que veio a seguir não foi tão trágico. Na verdade, estávamos somente cortando a Serra da Cantareira. Escura e fechada, sim, mas o “quintal” de casa. A montanha sagrada que deve ter significado deus e ficado responsável por poderes sobrenaturais e uma farta colheita para as antigas tribos guarulhenses. No entanto, o acidente geográfico apenas tinha o poder de manter Mairiporã afastada.
Eu já fiquei mais calmo quando tive certeza que o destino era uma das mansões ou barzinhos da Serra. O carro embicou num endereço estranho do topo da montanha. Eu já tinha estado naquela região. Atravessamos o tal do Complexo chamado Velhão — um antiquário, várias lojinhas, bares e restaurantes. A escadaria íngreme e comprida aumentava a expectativa e constituía o ambiente Medieval.
O abrir e fechar da porta (que pareceu um portal) nos transportou a outra dimensão. Além de estancar o frio, o interior do bar era musical e descontraído. Chegamos no lendário bar Conspiração do Jogo.
Contudo, tudo parecia perfeito demais. Não seria justo eu estar em boa companhia e num lugar incrível, enquanto, num sábado à noite outras pessoas assistiam ao Zorra Total ou ao Supercine. Aquele bar perfeito não me enganaria muito tempo, logo todos virariam vampiros sanguinários. Isso existe, eu sei de tudo. Já vi isso acontecer no filme do Quentin Tarantino, Um Drink no Inferno.
Aquela aparente perfeição só podia ser artificial, talvez efeito do álcool. Minhas desconfianças esvaíram com a oferta de jogos de tabuleiro: ludo, damas, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Master etc. Finalmente, eu havia desvendado toda a trama: a tal “conspiração do jogo” era nos capturar, num sábado à noite, prometendo uma casa noturna, com todas as suas benesses, e prender-nos numa mesinha com jogos de tabuleiro. Só faltava pijama, pipoca e um cobertor. Eu precisava escapar dali, antes que eu acabasse a noite jogando dominó.
No fim, tudo ocorreu sem grandes surpresas, numa espelunca qualquer, mas verdadeira. Bar modinha é facilmente reconhecível: um nome legal e ambiente descolado, para incluir tudo isso na conta. Boteco é inconfundível: sujinho, sempre rola uma discussão, mas a cerveja e o tira-gosto são baratos.
A composição do grupo parece favorável, mas eu entendo o truque. Algumas garotas atraem a gente para a armadilha mortal. Dessa maneira, provavelmente seremos esquartejados pelo maluco psicopata local, sobrando apenas o casal mais bonzinho, aposto. Já vi esse filme, eu sei como isso acaba.
Apesar do prólogo de filme B de horror “gore”, o que veio a seguir não foi tão trágico. Na verdade, estávamos somente cortando a Serra da Cantareira. Escura e fechada, sim, mas o “quintal” de casa. A montanha sagrada que deve ter significado deus e ficado responsável por poderes sobrenaturais e uma farta colheita para as antigas tribos guarulhenses. No entanto, o acidente geográfico apenas tinha o poder de manter Mairiporã afastada.
Eu já fiquei mais calmo quando tive certeza que o destino era uma das mansões ou barzinhos da Serra. O carro embicou num endereço estranho do topo da montanha. Eu já tinha estado naquela região. Atravessamos o tal do Complexo chamado Velhão — um antiquário, várias lojinhas, bares e restaurantes. A escadaria íngreme e comprida aumentava a expectativa e constituía o ambiente Medieval.
O abrir e fechar da porta (que pareceu um portal) nos transportou a outra dimensão. Além de estancar o frio, o interior do bar era musical e descontraído. Chegamos no lendário bar Conspiração do Jogo.
Contudo, tudo parecia perfeito demais. Não seria justo eu estar em boa companhia e num lugar incrível, enquanto, num sábado à noite outras pessoas assistiam ao Zorra Total ou ao Supercine. Aquele bar perfeito não me enganaria muito tempo, logo todos virariam vampiros sanguinários. Isso existe, eu sei de tudo. Já vi isso acontecer no filme do Quentin Tarantino, Um Drink no Inferno.
Aquela aparente perfeição só podia ser artificial, talvez efeito do álcool. Minhas desconfianças esvaíram com a oferta de jogos de tabuleiro: ludo, damas, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Master etc. Finalmente, eu havia desvendado toda a trama: a tal “conspiração do jogo” era nos capturar, num sábado à noite, prometendo uma casa noturna, com todas as suas benesses, e prender-nos numa mesinha com jogos de tabuleiro. Só faltava pijama, pipoca e um cobertor. Eu precisava escapar dali, antes que eu acabasse a noite jogando dominó.
No fim, tudo ocorreu sem grandes surpresas, numa espelunca qualquer, mas verdadeira. Bar modinha é facilmente reconhecível: um nome legal e ambiente descolado, para incluir tudo isso na conta. Boteco é inconfundível: sujinho, sempre rola uma discussão, mas a cerveja e o tira-gosto são baratos.
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