Rosas de Ouro — Uma noite alucinante 🔵
Tudo começou estranho. Em vez de boteco, bar com banda ao vivo, a quadra da escola de samba Rosas de Ouro. Eu deduzi que a noite seria longa, pois teria que fingir gostar dos batuques carnavalescos. Em nome do feriado e da festa, já arrisquei agitar os polegares e enroscar as pernas — como um gringo — ao ritmo do samba.
Dessa vez não tinha nem chope grátis no endereço beirando a Marginal Tietê. Quando começaram as performances das agremiações, logo vi que a noite seria realmente interminável. Rodopiando vinham porta-bandeiras da Gaviões da Fiel, Camisa Verde e Branco, Dragões da Real etc. cada vez que a porta-bandeira parava e oferecia o pavilhão eu tinha que beijar a bandeira e fazer uma reverência, conforme observei, quase como se fosse um objeto sagrado. Meu visualzinho, de quem “caiu” ali por engano, estava mais apropriado para uma ópera no Teatro Municipal. Notei que, quando a porta-bandeira chegava em mim, rolava uma cobrança tácita. Diante dessa pressão, eu beijaria até a bandeira do Palmeiras!
O meu maior temor se concretizou. Como meu amigo era integrante da principal torcida uniformizada do São Paulo, junto deles fiquei. Quando o evento terminou, eu, como um torcedor do time do Morumbi, ajudava a embarcar os instrumentos musicais no ônibus. Assim fui até a sede da tal torcida, sendo ameaçado de ser entregue como um corintiano infiltrado.
Fora a ameaça, sempre foi muito bom ver a cidade à noite, iluminada artificialmente. Voltando para a perigosa realidade de um corintiano entre são-paulinos, ajudei a subir aqueles instrumentos de percussão que eram surrados todas as vezes que o time tricolor marcava um gol no meu time alvinegro. Cumpri a função tranquilamente, porque eu sairia no lucro se continuasse disfarçado, mantendo minha incolumidade física.
Mesclando a beleza das escolas de samba e a cidade à noite com o temor das guerras de torcidas — em plenos anos 90 — foi uma noite fora de qualquer padrão, uma noite alucinante.
Dessa vez não tinha nem chope grátis no endereço beirando a Marginal Tietê. Quando começaram as performances das agremiações, logo vi que a noite seria realmente interminável. Rodopiando vinham porta-bandeiras da Gaviões da Fiel, Camisa Verde e Branco, Dragões da Real etc. cada vez que a porta-bandeira parava e oferecia o pavilhão eu tinha que beijar a bandeira e fazer uma reverência, conforme observei, quase como se fosse um objeto sagrado. Meu visualzinho, de quem “caiu” ali por engano, estava mais apropriado para uma ópera no Teatro Municipal. Notei que, quando a porta-bandeira chegava em mim, rolava uma cobrança tácita. Diante dessa pressão, eu beijaria até a bandeira do Palmeiras!
O meu maior temor se concretizou. Como meu amigo era integrante da principal torcida uniformizada do São Paulo, junto deles fiquei. Quando o evento terminou, eu, como um torcedor do time do Morumbi, ajudava a embarcar os instrumentos musicais no ônibus. Assim fui até a sede da tal torcida, sendo ameaçado de ser entregue como um corintiano infiltrado.
Fora a ameaça, sempre foi muito bom ver a cidade à noite, iluminada artificialmente. Voltando para a perigosa realidade de um corintiano entre são-paulinos, ajudei a subir aqueles instrumentos de percussão que eram surrados todas as vezes que o time tricolor marcava um gol no meu time alvinegro. Cumpri a função tranquilamente, porque eu sairia no lucro se continuasse disfarçado, mantendo minha incolumidade física.
Mesclando a beleza das escolas de samba e a cidade à noite com o temor das guerras de torcidas — em plenos anos 90 — foi uma noite fora de qualquer padrão, uma noite alucinante.
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