⚫️ Sucesso internacional
Ouvi que a cantora Anitta é sucesso internacional. Parabéns. O sucesso, atualmente, é medido por visualizações; vendas, esqueça. Dizem que a Anitta (a equipe dela) impulsionou o número de visualizações. Não precisava. Por curiosidade, eu talvez escute alguma composição musical da cantora. Talvez.
Ouvindo Quincy Jones no Spotify, trombei com a canção Desafinado de Newton Mendonça e Antonio Carlos Jobim. Isso, sim, é sucesso internacional. Eu já tive a feliz experiência de ver e ouvir alguém da Bossa Nova sendo paparicado pelos “gringos”, não o contrário. Agora, no Spotify, estava ouvindo música americana, de repente toca uma música brasileira de 1959.
A Anitta está garimpando o espaço dela. Ainda que seja numa dancinha do Neymar, na bandeira de escanteio, depois de um gol; no”Brazilian Day”; num festival (categoria “World Music”); até mesmo ganhando o “Grammy” de música latina, a cantora tem méritos. Mas impulsionar o número de visualizações é covardia. Chega a dar saudade da entrega de disco de ouro no Cassino do Chacrinha.
Meu “sucessômetro” é sintonizar o rádio e ser obrigado a ouvir uma música que você odeia; ligar a TV e deparar com a apresentação ao vivo daquele grupo que você não quer ver; passar em frente a Casas Bahia e ter que aguentar a canção antes, durante e depois da passagem em frente à loja; e ir dormir lembrando toda a melodia. Não tem como fugir nem negar, a música chiclete, isso é sucesso.
Visualizações não significam sucesso, muito menos talento. É muito comum algum vídeo “trash” render uma enxurrada de cliques atrás de boas risadas: quem se lembra de Rebecca Black e seu “hit” Friday? Justamente, a má qualidade pode atrair audiência.
Os LP’s e CD’s eternizaram o fenômeno de levar às lojas quem realmente curtia alguma faixa do disco; diferentemente, o clique não custa nada, isso gera distorções.
Sinceramente, só conheço uma canção da Anitta, antiga. Atual, não conheço nenhuma nem estou com vontade de escutar alguma no Spotify ou Deezer. Talvez eu espere uma dancinha do Neymar ou algum “hit” grudar na minha cabeça.
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