🔴 O homem de plástico
João Doria desistiu de ser presidente. E eu desisti de namorar a modelo israelense Yael Shelbia Cohen. Sei que é crueldade deixar a menina chorando, mas, além de possuir um nome impronunciável, a garota mora longe.
Voltando ao Doria, o cara é tão vaidoso que transformou sua despedida num espetáculo lamentável com dois capítulos. Acontece que o ex-governador não abdicou de concorrer à Presidência, o povo, já havia muito tempo, tinha desistido dele. O homem de plástico ainda tentou sinalizar que a decisão era sua, mas não colou.
Doria conspirou contra o governo federal, aumentou impostos, quis fazer uma propaganda com a vacina, adotou medidas insanas sanitárias, fingiu que se mascarava e trancou tudo. Comprometeu o estado de São Paulo, levando adiante uma rixa pessoal; quem levou a pior foi o paulista, que sentiu o alívio provocado por sua saída prematura. O morador dos Jardins fez o estrago e saiu fora.
Agora, João Doria poderá frequentar restaurantes estrelados e dar seus pulos no ‘Copacabana Palace’ e em Miami sem ser importunado. Se quiser, só será obrigado a encontrar alguém da plebe, quando esbarrar com algum dos seus empregados: aí basta cumprimentar com um meneio de cabeça ou, no máximo, perguntar se “esse ano o Curintia vai?”. Sem essa de comer pastel.
Doria sai da política para ser apenas um triste retrato no Palácio dos Bandeirantes, lembrando um mandato incompleto de poucas realizações. Lembrando que a Prefeitura também recebeu uma gestão inconclusa. Sabendo que Doria usava seus cargos como trampolins, o que viria após a Presidência? A ONU?
O ex-postulante a postulante ao Palácio do Planalto foi protagonista de um dos episódios mais abjetos da política brasileira: o Impagável Bolsodoria. O que parece o nome de um super-herói atrapalhado, é a tentativa desesperada de Doria derrotar Márcio França, seu concorrente ao governo paulista. Depois da bajulação explícita, numa outra atitude desastrada, ele abandonou Bolsonaro. Deixou de ser Bolsodoria, tornou-se Calça-apedada.
João Doria deixa a vida pública para voltar para a privada.
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