Memorando a Santana

 

I

 

Chegavas caminhando no sorriso

vestindo carnavais e nostalgias

os olhos rebrilhando como guizos

os dedos libertando alforrias.

A luz do pentagrama em tua voz

e a vida que no canto conduzias

estrelas derramavam sobre nós

carentes prematuros de alegrias.

–– As portas da memória por um trato

    guardaram esses teus artesanatos.

 

Tangias teus acordes de ternura

no Pátio de São Pedro Pescador

crescendo tua oral arquitetura

no Bangüê de poeta e pecador.

Sofreste por seresta o escalpelo

na paz do violão debulhador.

Da cabeça faltaram-te os cabelos

tarraxados ao pinho trovador.

–– do Arraial da alegria foste embora

    levado por São Pedro céu afora.

 

Agora o Pátio lembra alegre o desatino

mas chora feito menino

teu vulto que se calou.

–– Está gravada tua voz nessas bandejas

     nas pedras e nas cervejas

     do Pátio do Pescador.

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