Rogo aos céus que me ilumine,
Ainda que eu caia no banco dos réus,
Que eu possa me defender com punchlines.
A nossa vida é escrita por freestyles,
Pensamentos livres que nos tornam presos em nós mesmos.
Não é preciso cifrão para decifrar o quão autênticos são os mínimos detalhes.
Assinei o Tratado de Versar-lhes
Até o meu último suspiro em linhas de Francisco Sanches.
De refrão em refrão me refiz,
Ao ar aorístico em partículas tipo pó de giz.
​Já discuti com Aristóteles sobre essa filosofia que me desafia a cada dia.
Preciso de tão pouco para ser feliz,
Mas esse pouco nunca se completa.
Jornada sedenta secreta
Do mal que se corta pela raiz.
A árvore trouxe-me a sombra mais calórica e amigável;
Alquimia da Guerra Saudável.
Coração de Dâmfilo,
Um mântrico,
Um cântico,
Um dano irreparável.
Quem nunca vivenciou o passado
Remete-se ao presente congestionado.
​Às vezes eu me sinto o oposto:
Fragmentos de células humanas em vida numa manobra suicida a um desejo que não foi escolha minha;
Apenas algo imposto para que eu pudesse acreditar no suposto suspiro livre.
Em linhas passadas, perdoai minha memória,
Não sei se por aqui já estive.
Ainda aposto que somos apóstolos,
E o líder que seguimos habita além dos nossos cromossomos.
É aquele que não vemos,
São os desejos que temos,
Talvez o repúdio que não aceitamos.
Essa é a lei do cosmos:
Na pele do outro, sentenciamos;
Na pele própria, equívocos silenciamos.
Ao correr das areias da ampulheta temporal,
Nós mesmos nos tornamos quem somos,
Mas há sempre alguém que também acaba nos modificando.
​Eu rogo aos céus que me ilumine,
Ainda que eu caia no banco dos réus,
Que eu possa encontrar a paz na memória mais sublime...

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