Da Cor do Ocaso
cascas de tangerina
sobre a mesa
no prato de opalina,
a cozinha agora
exalando
ácido e flora.
cascas são lascas
rejeitos mortos de agosto
jeitos e trejeitos de pomar
ah, as floradas indagora
à espreita de outonos
mas há sol lá fora...
lascas das cascas
rejeitos da delícia
tão simples, fóssil frugal:
é cor de ocaso e poros
brilho na face
d’um suor vegetal.
cascas cítricas
como ocos de desgostos
a desapegar digitais
e o antigo gosto.
Do livro "Poemas", 2024/2025 (no prelo).
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