CEROL
Menino do Coque
Pelé gostava de futebol
fazia embaixada com a lua cheia
e gol com o sol nascente.
O menino amava a vida
e soletrava as letras
que o vento terral conduzia.
Empinava pipa com o fio
do frio e do vento nordeste.
Alegre passou cerol na linha
e correu campo brincando.
A linha com cerol cortou
o fio jugular do motociclista
montado na ventania de 250cc.
A voz e o gesto do motociclista
calaram e calaram os ventos
com a morte circuncidada.
Com o fio do arrependimento
tecido pela tristeza mais triste
Pelé se matou
suicidando voz e passos
afogados no pranto e no lamento
no barro vermelho de dezembro.
Olinda, 15/fevereiro/2025.
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