Purpúrio
Nesse ar puro, o purpúrio sem folga
Do fogo que afoga e nos afaga,
E nos afasta.
Seu beijo: seria fastígio ou castigo?
Viver contigo é viver contido.
O abranger do abrigo em abraços,
O presente escondido numa manhã tão linda
Entregue ao passado de uma noite tão longa.
A linha do horizonte brinda a vinda das linhas da vida,
O que te torna mais linda ainda
Não é a maquiagem que usa;
É como ousa.
De short curto com miniblusa
Ou estilo social, ela sempre usa
A maneira mais romântica e confusa...
Petrifica-me ao olhar, Medusa.
Nesse rio de purpúrio de flores,
Em seu corpo quente e abraço frio, me induza
Ao afogamento do momento sem pausa.
Que no nosso distanciamento sempre exista
A lembrança de quando usávamos aliança.
Que nunca cortemos as asas dos sonhos nossos;
Somos um paradoxo do próximo.
Se conectados ficamos distantes,
Longe, verdadeiramente, a gente sente que nos amamos.
E já parou para refletir o quanto evoluímos no hoje?
Por isso nunca podemos esquecer do que veio antes.
Mesmo sabendo que o futuro é inexistente,
Planejamos cada fruto de uma árvore que nunca brotou;
E, mesmo sendo apenas imaginável,
Tornou-se impossível não imaginar junto com você.
Espero que, nesse momento exato, você esteja bem;
Nem que seja com outro alguém dividindo o mesmo prato.
Sei que nem tudo será felicidade;
Obstáculos são iguais às ondas do mar: vêm e voltam.
Por isso, aprenda a ser o próprio oceano.
Acreditar que é capaz...
São nos intensos contramão da vida
Que transcende a nossa paz.
É necessário acreditar no ser humano.
E eu acredito em você,
Ainda que seu abraço não me dê mais o conforto.
Eu sou apenas um cara que escreve sem vaidade,
E se eu parar de acreditar na humanidade,
Serei apenas um verso qualquer,
Em um livro vívido, porém morto.
Nesse ar puro, o purpúrio sem folga
Do fogo que afoga e nos afaga,
E nos afasta...
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