Janela de vozes
O peso da ausência soa sussurrando em mim;
O piso da consciência sujo, muros murmurando incitações a decepções.
Abra a janela da alma: julgamentos sem fim
Dizem que são processos.
Eu não quero promessas a acessos restritos da penumbra;
Sombra da imagem da vida,
Fora da margem de erros de lembranças doloridas.
Autópsia da vida vira vozes vindas de um jardim,
Onde a folha em branco tem tantas flores a serem coloridas.
Porém, o incolor tornou-se tão lindo de se ver,
Que até o tormento achou mais formidável continuar assim.
Já não tenho certeza se quero essa sonhada liberdade;
Quero realizar minhas vontades indo contra as vontades da verdade.
Forjando pactos com a mentira, toda minha criação me faz ser súdito da enganação.
Não quero ser livre do esquecimento,
E sim saber por que somos tão evoluídos ao ponto de nunca evoluirmos o esclarecimento.
Por que toda matéria, ainda que estudada, transcende o nosso conhecimento?
Eu me pergunto:
Quando eu vou vencer na vida?
Acho que esse tema é uma imagem distorcida.
Ninguém nunca vence;
O sistema quer que você pense —
Ou melhor, não pense.
Viva com esse suspense: "acredito que no próximo ano seja tudo melhor".
Esse romance ilusório faz pole dance.
A gente cresce em meio a sonhos: "preciso estudar para obter um bom emprego".
Meu terreno, meu sossego;
Um pedaço de terra que será meu enquanto eu estiver vivo.
O problema é que eu já nem me sinto tão vivo.
Sei que o sucesso é relativo:
Uns na beira da morte do hospital,
Eu na beira da morte do estado mental.
O porquê de viver?
Alguém explica para um mero mortal que querer entender sobre viver
É sobreviver em um singelo espiral de dúvidas
E emoções fora do percentual do raciocínio cerebral?
Chega de buscar entender;
É melhor atender o que se vê no agora.
Se o passado nos condena e o futuro não existe,
Apenas cada segundo presente nos revigora.
Chora: em cada lágrima mora o sorriso da alegria.
Agradeço aos tesouros da memória:
As lágrimas de tristeza que me trouxeram redenção
E a recordação dos bons momentos que eu não sabia o quanto valiam.
É nas lágrimas que vemos o quanto tudo era valioso e nem parecia;
As mesmas lágrimas também apreciam o luto.
Afinal, existem melancolias que merecem um fim absoluto.
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