A Mão - Verbo
A mão-verbo,
arado ventre do vazio.
Com cerdas famintas afasta os portões:
eis o bailado em vertigem.
Tempo e cadências ondulam retas,
mergulham planícies,
erguem-se os vales…
Formas diluídas na superfície cega,
o gesto,
o sentir.
Polpa de terra. Pó. Céu vegetal.
Silhuetas febris.
Da poltrona, o ancião:
espera pela eternidade,
um amanhã de mármore.
Arquiteto dum mundo
entre traços e silêncios:
almas, rostos…
— que vejo do jardim.
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