Poema 107 do livro "De agora em diante musgo"
Algum dia serei jovem?
Algum dia terei um coração?
Não sei por que tudo é tão escuro.
Mas ainda tenho estas balas,
e meu rifle está apenas dormindo.
Aquele ano nunca sairá da minha cabeça?
A vida é tão torta que eu caio.
No entanto, do chão eu vejo tudo.
Tu não te escondes, Rei de nada.
No fim das contas sou eu que saio rindo.
Jovem nunca serei, é certo.
Coração, só tenho um cheio de cinzas.
Mas há algo de que não desconfiam:
embaixo da minha cama,
entre o pó e a morte, há um deus
esperando o seu nascimento,
esperando...
Morto, talvez, eu serei jovem –
e ele,
o deus incógnito e amargo,
ele nascerá.
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