Poema 539 do livro "De agora em diante musgo"
Que achem o que achem
se acharem que devem achar qualquer coisa,
ou então que não achem nada:
eu, por mim, não acharei coisa alguma
a não ser na medida da perda,
na medida de um desacerto brutal.
É natural que achem qualquer coisa,
eles que amam ter opiniões sobre qualquer coisa,
que em qualquer coisa gostam de meter o focinho.
Então que achem o que acharem, não me importa,
mas sobretudo me deixem de fora dessa vergonha,
deixem que eu seja alheio como sou por natureza.
Que eu, por mim, não acharei nada
a não ser na medida da derrocada,
na medida precisa do desmoronamento,
com a exótica imperfeição dos cogumelos
e o semblante ascético da anarquia.
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